Vou Ali Fustigar-me Já E Em Força!

A entrada do exercício diarístico de hoje está levantar alguma celeuma longe do blogue, pelo fbook, por parte de quem acha que lá estou eu a levantar problemas e não a apresentar soluções nem sugestões construtivas, mesmo se já o fiz por diversas vezes.

Vamos lá a tentar perceber como isto funciona.

Um tipo apresenta sugestões ou ideias, ficam ao vento, porque quem sabe está a preparar coisas melhores, em grupos grandes de reflexão e está tudo em “equipa” a delinear estratégias. Ok, tudo bem, sou pouco gregário e muito menos estou com paciência para tempestades cerebrais de horas que depois dão umas páginas de excel com moradas e mails.

As estratégias ou recomendações aparecem, sem rumo estratégico aparente, mas meramente com o objectivo táctico de preencher um vazio crescente, e um tipo critica algumas opções e levanta dúvidas.

Então, diz-se que só se estão a fazer críticas, a levantar “problemas” e a não colaborar no esforço colectivo da “luta pela sobrevivência”.

Um tipo salienta que já apresentou propostas e sugestões (de sequência nos procedimentos, de alteração de calendários, de formas de contactar os alunos que não colidem com regras e leis em vigor) e respondem que, pois, até concordam com grande parte disso, mas voltam a criticar que se critique sem apresentar sugestões, sendo que acabaram de dizer que concordam com parte das sugestões que foram efectivamente feitas.

Ficaria baralhado, se já não conhecesse esta forma de estar há quase 15 anos.

Vamos ver se conseguimos entender-nos em matéria de “missões” nisto tudo: o ME tem (ou deveria ter) grande quantidade de informação nas suas mãos e gente muito certificada e competente a discutir as opções e a apresentar recomendações e sugestões. Algumas delas são válidas (por exemplo, a DGE a recomendar o low tech como primeira opção), outras nem por isso e parecem desligadas da realidade (mobilizar docentes reformados para levarem trabalhos aos alunos de casa em casa, esperar que muitos alunos desfavorecidos tenham meios para acompanhar o trabalho em condições vagamente equitativas). Depois, há quem tem o direito de chamar a atenção para essas questões, que podem ser encaradas como “problemas” mas não como matérias a ignorar.

Sei que se tentou que formássemos um coro angelical de colaboração com o ME nestas horas difíceis, mas alguém necessita de olhar de “fora” e apontar as falhas. E sim, apresentar sugestões ou mesmo alternativas, mas atendendo sempre que essa não é qualquer obrigação, mas um direito de cidadania.

Alguém precisa de fazer de coro grego, que comenta a acção e não se limita a dizer amén, sem que apareçam a desvirtuar e truncar o que foi escrito ao longo destas semanas.

  • Afinal… aquela 4ª feira à espera da decisão do Conselho tal e tal de Saúde Pública não foi tempo perdido?
  • A pressa em afirmar que os professores não estavam em “férias” não foi despropositada?
  • A ideia peregrina desta calamidade ser uma “oportunidade” para construir a verdadeira escola do século XXI não é uma atoarda?
  • Decidir que o 3º período é todo em ensino à distância em suporte digital, antes de inventariar com que meios se pode fazer isso?
  • O facto de se andar a querer definir indicadores disto e daquilo e cronogramas do trabalho com os alunos, antes mesmo de se saber em que moldes se projecta o 3º período quanto à avaliação externa, não é uma precipitação?
  • Etc…

Eu já não escrevi com o que concordava? Que primeiro se avaliassem os meios, se tomassem decisões claras sobre como vai ser, no mínimo, o mês de Maio, e depois se apresentassem as linhas-mestras do que deve ser feito em matéria de trabalho com os alunos? E que dificilmente há modo de enquadrar de forma equitativa todos (e nem falei nos NEE). Que devemos contactar primeiro os EE para saber o que autorizam ou não? Que devemos usar plataformas o mais leves e simples de usar que seja possível, em vez de cedermos a um certo novo-riquismo exibicionista?

É difícil tomar decisões em tempos de incerteza? Claro, mas é exactamente nestes momentos que se precisa de gente que tenha a cabeça no lugar, algumas âncoras e não apenas velas ao vento em termos de convicção e não só de conveniência. Do nível central ao local.

Se eu não posso criticar, publicamente, as opções que estão ser tomadas só posso citar alguém que, muito bem afirmou:

Excedi-me? Estão a brincar comigo?

brain

39 thoughts on “Vou Ali Fustigar-me Já E Em Força!

  1. Sabemos, pelo menos desde os tempos da Lurdinhas, que, dentro da classe (?), há muito boa gente com um narcisismo, uma vaidade, um desejo de aparecer a fazer figura, a mostrar modernidade e o diabo a sete.

    Assim sendo, nada há de espantoso nessas criaturas.

    Daí, concluindo, que abandonei o Facebook e outras «cositas» há muito tempo e não faço tenção nenhuma de voltar. Sei que possui as suas virtualidades e tal, mas é um mundo de provincianismo oco e bacoco, de uma vacuidade assinalável.

    Gosto de blogues e tal, porque permitem um pensamento estruturado e uma discussão com outras bases e fundamentos.

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  2. Eu vi aquela insistência e as tuas respostas, Paulo Guinote. Não poderia estar mais de acordo contigo. O coro das monjas persiste em fazer-se ouvir, criticando os outros por criticarem… enfim! É a “classe” que temos! Vai reflectindo que nós gostamos e acompanhamos-te!

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  3. Paulo, já vimos habituados a esse tipo de comportamento desde os tempos da senhora Lurdes… O secretário Costa anda a criar uma corte de fãs desde os tempos da TLEBS (ou já se esqueceram que ele era um dos idiotas por detrás dessa parvoíce que, a pouco e pouco, lá se conseguiu ir desmantelando, embora ainda sobrevivam inúmeros resquícios…?)… É natural que esse grupo de beatas (é de certeza maioritariamente feminino) que acha muita graça às piadolas secas do secretário, fique todo assanhado com aqueles que não aplaudem o senhor…

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  4. Paulo,tens toda a razão .

    …” o ME tem (ou deveria ter) grande quantidade de informação nas suas mãos e gente muito certificada e competente a discutir as opções e a apresentar recomendações e sugestões.”…

    Aqui é que a porca torce o rabo !!!!!

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  5. Como membro da Associação dos Amigos da Planície acho que temos de aplanar a curva de aprendizagem das novas tecnologias de entretenimento à distância. Um planalto de dois meses, mais coisa menos coisa. No verão já estaremos aptos a fazer ensino de surf à distância. Para o material didáctico, a junta de freguesia irá estabelecer um protocolo com a fábrica de tábuas de engomar do Escravelha. Servem muito bem, porque as ondas na barragem são pequeninas. Isto se a Guarda conseguir travar na ponte aquela gente toda que está a tentar vir para sul fazer ondas.
    Um dos efeitos desta crise é o aumento do número de russos e chineses no sul da Europa. Aqui ainda não chegaram, mas ingleses, alemães e holandeses sempre aparecem. Fugidos dos parques de campismo, alguns nem papel higiénico trazem. No outro dia, discutiam um holandês e um inglês sobre a necessidade de reforçar ou refogar a Europa. Não sei se se entenderam porque me deu a canseira e fui deitá-la. O Coxa ficou escutando e o que foi escutado ficou lembrado.
    Na manhã seguinte o holandês apareceu-lhe na venda para comprar papel higiénico. O Coxa negou-lhe a transacção dizendo-lhe que reparasse no letreiro que informava que os produtos expostos eram para consumo na casa. E resmungou-lhe que não estava ali para ajudar a limpar a m e r d a que os holandeses andavam a fazer. Sugeriu-lhe, delicadamente, que usasse folhas de eucalipto.
    — Ó morgado — inquiriu o comerciante quando me encontrou na farmácia —, acha que fui rude com o labrego?
    — Não amigo Coxa. Eu ter-lhe-ia recomendado que usasse um ouriço-cacheiro.

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  6. Já deu para perceber que:

    1) O Sr. Ministro e toda aquele bando de inúteis que pululam pelo Ministério da Educação, movendo-se com a graça e a doçura de princesas na Corte, andam de cabeça perdida sem saber o que fazer. Por isso, saem-se com com as ideias mais disparatadas, só para não perderem o seu lugar ao sol nos exigentes cultos educativo-ministeriais.

    2) Os “aios” e “aias” que, de certa forma, parasitam, os inúteis acima referidos mas que, secretamente, ambicionam roubar-lhes a graça e a doçura de princesas na Corte( já para não falar no lugar ao sol nos exigentes cultos educativo-ministeriais…) limitam-se a fazer o seu papel. Ou seja, dizer amén a tudo. Nem que esse tudo seja detonar uma bomba nuclear, por exemplo.

    Se a classe docente fosse minimamente unida e provida de senso comum (e contra mim falo…), o Paulo Guinote nem sequer teria de escrever este texto.
    Mas sendo as coisas como são, resta-nos rezar para escaparmos com vida de toda esta embrulhada.

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  7. Até me fez lembrar as reuniões do CP, quando num coro de améns surge a minha voz dissonante e todos me olham como se fosse uma extraterrestre, que aterrou ali por engano. Depois prosseguem como se nada fosse,curvando-se à voz do Diretor! O que é preciso é não levantar ondas e seguir a corrente.

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  8. Continua, Paulo!
    Beatas em menopausa precoce, sargentos a limpar a baba a lenços de pano rançosos e lacaios do poder (nem que seja por um horariozito melhor lá na escola ou numa direcção geral) sempre teremos. Não sei se é bom se é mau. É, simplesmente!

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  9. Paulo, não podia estar mais de acordo contigo. Nem nos momentos de maior inquietude e incerteza, como aquele em que estamos a atravessar. Deve haver sempre alguém, o Paulo, eu, todos aqueles que no terreno verificam que as coisas deviam ter um outro timoneiro ao leme. Não se trata de ser o A ou o B, mas percebemos que com esta gente, todas estas parvoíces que o ME tem vindo a fazer, e que se acentuaram depois do encerramento das escolas. Tem sido uma enxurrada de diretrizes, roteiros, para enganar o “Zé Povinho”. Parecem coisas emanadas de um reunião feita ao estilo das avozinhas britânicas, tipo “tea time”, de pantufinhas calçadas, e depois…é só coisas eruditas, com uma ar altivez intelectualidade, inalcansável pelo comum dos professores. Será?! Não! Mas é este o sentido com que este ME trabalha. E depois, o pior, as amas e os amos da corte, logo atrás d defender, aquilo que muitas das vezes é indefensável, mas o que importa continuar a prestar vassalagem e garantir o lugar, outros almejam pertencer à corte saltam para os teclados a aplaudirem a caravana, no sentido de serem repescados para um qualquer lugar de destaque no panorama educativo nacional (ME, Direção de Escolas…etc). Quem de facto anda no terreno, e é alguém com conhecimento, bom senso e alguma lucidez pedagógica logo vê que muita daquela sapiência, infelizmente, não faz qualquer sentido.
    Mas o mexilhão cá anda na labuta, tentando todos os dias trabalhar para dignificar e honrar a escola pública que tantos tentam e insistem, diariamente, enfraquecer.
    E quando, pessoas como o Paulo Guinote, tentam clarificar e desmitificar estas imbecilidades e intelectualidades do estilo “escola do século XXI”, é bom que pessoas como ele, entre outros, digam o que pensam! Pois, em qualquer assunto, quando as opiniões são unânimes, algo de fedorento se passará, estaremos não numa democracia mas numa qualquer ditadura. E isso é algo a que todos os professores devem ser chamados a combater. Pensamento livre, sempre!!!

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  10. O meu sentido de agradecimento ao Paulo. As verdades tem que ser ditas. Doa a quem doer. Está gentalha nunca teve o sentido e o bom senso de parar e pensar em todos os ângulos das questões. Não conhece a realidade nua e crua do país…… após isto era de excelência uma descontaminação neste ministério de cima abaixo……

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  11. As minhas sugestões que são sempre fantásticas são as seguintes ( espero que o ME as leia):

    -teleconferencia com a turmA inteira, partilhando a banda larga de TODO o país às mesmas horas, dá barraca da grossa. Logo a cena do SINCRONO tem que migrar para o ASSÍNCRONO.

    Moodle, Google Classroom , Email e Escola Virtual serão as ferramentas preferenciais.

    As avaliações finais terão essencialmente em consideração os 2 primeiros períodos (a lei já o permite). Quem quiser acrescentar mais uns pozinhos com o 3 período que acrescente.

    Exames de 2, 8 e 9 anos não se fazem.

    Exames do 11 e 12 anos, ou faz-se em setembro começando as aulas na última semana de setembro ou em outubro como era no nosso tempo (tenho 51 anos).

    Para o próximo ano reforçam-se os conteúdos deste 3 período caso sejam ESSENCIAIS para futuros exames.

    Alunos que não tenham net, pegam no telemóvel do pai, recebem fichas , transcrevem para caderno, respondem no caderno, fotografam e enviam por e-mail do pai. Caso ninguém lá de casa tenha telemóvel e net, a escola envia por correio fichas semanais. Também só faltam 30 dias EFETIVOS de aulas…

    Tudo resolvido.
    ME diz o vosso trabalho.

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      1. Referir que só agora reparo que é pretor e antes eu tinha escrito preto.
        Obrigado pela resposta.
        No entanto, acho conveniente referir que, no ensino básico não há exames.
        Presumo que se esteja a referir às provas de aferição dos, 2.º, 5.º e 8.º anos e às provas finais do 9.º ano. Além disso, existem, ainda, as provas de equivalência à frequência do 1.º ciclo (4.º ano), 2.º ciclo (6.º ano) e 3.º ciclo (9.ºano).
        Muito mais do que “2°ano, 8°ano, 9°ano”…
        Quanto às provas de aferição, estou convicto que irão ser anuladas, mas terá que ser uma decisão do Conselho de Ministros, claro. As outras, não sei, serão sempre necessárias, para a conclusão dos ciclos, para alguns alunos (ensino doméstico, por exemplo)..
        Agora e já tendo dado para ver que opina sem estar assim muito “por dentro” dos assuntos, isto é ridículo:
        “Alunos que não tenham net, pegam no telemóvel do pai, recebem fichas , transcrevem para caderno, respondem no caderno, fotografam e enviam por e-mail do pai. Caso ninguém lá de casa tenha telemóvel e net, a escola envia por correio fichas semanais.”
        Resumidamente:
        1 – Ensino à distância, não é receber fichas!
        2 – Coitado do aluno, que recebesse “fichas” de meia dúzia de disciplinas, para transcrever para o caderno!
        3 – E coitado do pai que tivesse dois ou mais filhos!

        Obrigado e mantenha boas condições de salubridade.

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  12. Hã uma altura em que um tipo fica sem perceber se vale a pena responder a sério se apenas gozar com aquilo…

    Bem tentaram orquestrar uma frente comum dos blogues e saiu-lhes furado.

    No outro dia, um dos cortesãos, foi zurzir à bruta o Prudêncio, que nem tem culpa de nada, e depois apagou o comentário… devem ter-lhe dito que o Paulo que era para bater era outro.

    Mas aos menos percebi que algo que se dizia ser uma iniciativa de blogues estava, afinal, “disseminada”…

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    1. Como diz o pretor “o pessoal dos blogues é lixado”.
      Paulo e que tu e o teu ” Quintal ” lhes são incómodos , não me resta qualquer dúvida.
      Devem andar sempre aqui a espreitar.
      Paulo ,muita força para continuares o teu percurso de verdades .

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  13. Estão a brincar? Não, estão a gozar com a nossa cara!
    Por mim, o sr SE pode enviar as suas idiotices onde eu cá sei.
    Não tenho nem computador de serviço, nem telefone, nem internet de serviço, pelo que fico à espero que suas excelências os providenciem. Até lá, não há distâncias! Ou melhor, distância, sim, dessa gente idiota!

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  14. Continuamos, salvo honrosas exceções, a brincar às escolinhas.
    O conhecimento exige método (planificação e monitorização /avaliação) não é ATL…
    E sim, quando as condições mínimas o permitirem partiremos para outro paradigma. Mas falta tudo para o ensino à distância, desde logo a clarividência para a falta de recursos e competências!
    Computadores e Internet para todos os alunos e professores… Ou os recursos dos professores foram requisitados pela tutela?
    Haja bom senso e acima de tudo respeito pela constituição portuguesa – acesso universal ao ensino e educação, o que me parece não estar garantido, de todo.
    Sugestão: com tempo reiniciar as aulas, pode bem ser em setembro. O ano letivo iniciar-se-ia em janeiro, coincidindo o próximo ano letivo com o ano civil. Há mais vida além do vírus, que aparentemente(
    ?) colocou em quarententa o mais importante – a qualidade das aprendizagens, entre outras evidências)

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  15. Em Traseiras de Judas está resolvido o problema.

    Chromebooks chineses para todos (assim os dados passam para os EUA e RPC equitativamente). Foi através das embaixadas dos dois países. O Coxa foi a cada uma delas e ameaçou que se não lhe fornecessem os tablets iria colocar os dados da vida dos cidadão de Traseiras, até ao fim dos seus dias, nas big datas da concorrência. Dada a importância geoestratégica da localidade a resposta foi imediata: tablets a dobrar.
    Os miúdos podem vir à venda do Coxa, que ele fornece a ligação à internet. Tinha-a instalado para atrair os caravanistas alemães e holandeses que precisam de fazer “negócios”.

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