A Ter Em Atenção… 2/4

Não é para criar “problemas”. Não é porque eu desconheça que um estado de emergência suspende certas formas normais de fazer as coisas. É porque estas são questões levantadas com algum sentido e fundamento por um casal de encarregados de educação. E só enfrentando estas questões se pode fazer algo que resista a mais do que um estado passageiro. E repito… alguns dos recursos aqui visados têm sido usados por mim, embora com mais preocupações do que apenas colocar as coisas online o mais depressa possível.

Este excerto do texto é longo e descritivo, aviso desde já. Mas útil.

BigBrother

III. Os casos, gravíssimos, do “ G Suite for Education” / “Google Classroom” e do “Zoom”:

Como pais que somos de dois alunos, um a frequentar o 1.º ano do ensino básico, e outro o 11.º ano, fomos já confrontados, pelas respectivas escolas e para efeitos de ensino à distância, com a implementação, ou intenção de implementação, de soluções do género das que temos vindo a criticar, e que portanto são absolutamente inaceitáveis.

Como tal, e dada a importância para a problemática objecto desta participação/ notificação, prestamos abaixo esclarecimentos respeitantes a duas concretas “soluções” informáticas. Estes esclarecimentos reproduzem, no essencial, o que já comunicámos às ditas escolas.

A) Google Classroom:

A escola do nosso filho mais novo, resolveu implementar, como “solução” de ensino à distância, a plataforma e serviços do Google Classroom.

Não deixamos de reconhecer o esforço feito por essa escola, ao implantar esse meio de comunicação, ainda para mais num tão curto espaço de tempo.

No entanto, é de gabar mais o esforço que a solução encontrada.

Isto porque a opção de se usar o Google Classroom é das piores, entre as que se poderiam escolher.

Daí que mereça a nossa total oposição.

Entre outros aspectos negativos desta solução, está o facto de a Google ter acesso a tudo quanto é partilhado no Google Classroom e, ainda por cima, declarar expressamente que fica com o direito de usar todo o material aí inserido para os fins que entender (incluindo publicá-lo), para sempre, e mesmo após ter de lá sido removido…

Repare-se o que declara a própria Google sobre isto, nos seus próprios “Terms of Service”, aplicáveis a todos os serviços por si prestados:

«When you upload, submit, store, send or receive content to or through our Services, you give Google (and those we work with) a worldwide license to use, host, store, reproduce, modify, create derivative works (such as those resulting from translations, adaptations or other changes we make so that your content works better with our Services), communicate, publish, publicly perform, publicly display and distribute such content. (…) This license continues even if you stop using our Services»;

«Our automated systems analyze your content (including emails) to provide you personally relevant product features, such as customized search results, tailored advertising, and spam and malware detection. This analysis occurs as the content is sent, received, and when it is stored.».

Este tipo de cláusulas, para além de violadoras, entre outros, dos direitos de personalidade dos nossos filhos, constituem também uma flagrante e intolerável violação da legislação sobre propriedade intelectual e da legislação sobre protecção de dados pessoais.

Ainda para mais quanto estamos a falar de jovens, e até de crianças, e numa altura em que cada vez mais se alerta para os cuidados a ter com a segurança e privacidade, assim como com a protecção da propriedade autoral, é até ridículo e contraditório optar-se por uma solução tão inadequada, intrusiva e perigosa como esta do Google Classroom.

As próprias cláusulas e avisos constantes, tanto do “Aviso de privacidade do G Suite for Education”, como do “Contrato do G Suite for Education (On-line)”, são aterradoras, de tão leoninas e abusivas que são, bem como lesivas dos supra referidos direitos dos alunos.

Eis o teor de algumas delas:

«Uma conta do G Suite for Education é uma Conta do Google criada e gerenciada por uma escola para uso dos alunos e professores. Ao criá-la, a escola pode enviar ao Google algumas informações pessoais dos usuários, como o nome, o endereço de e-mail e a senha, mas também um e-mail secundário, telefone e endereço, se optar por fornecer esses dados. O Google também pode coletar informações pessoais diretamente dos usuários do G Suite for Education, como o número de telefone, a foto do perfil ou outras informações adicionadas à conta do G Suite for Education.
Além disso, o Google coleta informações com base no uso dos nossos serviços, como: (…)»;
«As informações coletadas podem ser compartilhadas fora do Google em circunstâncias limitadas.»;
«2.4 Consentimento do Usuário Final. Os administradores do Cliente poderão acessar, monitorar, usar ou divulgar os dados disponíveis para os Usuários finais dentro das Contas de Usuário Final. O Cliente deverá receber e manter todos os consentimentos necessários dos Usuários Finais que permitam:
(i) que o Cliente acesse, monitorie, use e divulgue esses dados, o que será permitido pela Google, e (ii) que a Google forneça os Serviços.».

É, além do mais, muito curioso o carácter sempre exemplificativo, e nunca taxativo, de todas as invasões de privacidade, e outros ataques aos direitos de personalidade, perpetrados pela Google…

Algumas das cláusulas e avisos em causa seriam até risíveis, não se tratasse isto de um assunto sério, como é exemplo a seguinte cláusula (aplicável a Portugal, segundo a Google):

«2.5 COPPA e consentimento dos pais ou responsáveis. Caso o Cliente permita que Usuários Finais menores de 13 anos utilizem os Serviços, o Cliente consente, como exigido pela Lei de Proteção à Privacidade On-line das Crianças, a coleta e a utilização de informações pessoais desses Usuários Finais nos Serviços conforme descrito no Aviso de Privacidade do G Suite for Education. O Cliente precisa ter o consentimento dos pais ou responsáveis para coletar e utilizar informações pessoais nos Serviços Adicionais aos quais o Cliente permite o acesso dos Usuários Finais antes de permitir que Usuários Finais menores de 18 anos usem esses serviços.»

Além de tal cláusula constituir, nomeadamente, uma ostensiva violação do artigo 8.º do Regulamento (UE) 2016/679, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27-4-2016, bem como do artigo 16.º da Lei n.º 58/2019, de 8-8, note-se que a mesma faz referência a uma lei (a tal “Lei de Proteção à Privacidade On-line das Crianças”), que nem sequer existe no nosso ordenamento jurídico (é uma lei brasileira..), o que é um autêntico postal ilustrado da forma completamente irresponsável, leviana e ignorante com que a Google lida com assuntos desta importância.

Em qualquer situação da natureza ora em questão (meios de ensino à distância), e face à manifesta inaplicabilidade das restantes hipóteses, o tratamento de dados pessoais, nos termos do disposto no artigo 6.º, n.º 1, do aludido Regulamento (UE) 2016/679, «só é lícito se e na medida em que (…): a) O titular dos dados tiver dado o seu consentimento para o tratamento dos seus dados pessoais para uma ou mais finalidades específicas;».

Entendendo-se por “consentimento” do titular dos dados, de acordo com o disposto no artigo 4.º, n.º 11, do mesmo diploma legal, «uma manifestação de vontade, livre, específica, informada e explícita, pela qual o titular dos dados aceita, mediante declaração ou ato positivo inequívoco, que os dados pessoais que lhe dizem respeito sejam objeto de tratamento;».

E entendendo-se, por sua vez, por “tratamento”, segundo o estatuído no artigo 4.º, n.º 2, do mesmo Regulamento, «uma operação ou um conjunto de operações efetuadas sobre dados pessoais ou sobre conjuntos de dados pessoais, por meios automatizados ou não automatizados, tais como a recolha, o registo, a organização, a estruturação, a conservação, a adaptação ou alteração, a recuperação, a consulta, a utilização, a divulgação por transmissão, difusão ou qualquer outra forma de disponibilização, a comparação ou interconexão, a limitação, o apagamento ou a destruição;».

Quanto a crianças, o regime é ainda mais apertado; veja-se o que estatui o dito artigo 16.º da Lei n.º 58/2019, de 8-8, sob a epígrafe “Consentimento de menores”:

«1 – Nos termos do artigo 8.º do RGPD, os dados pessoais de crianças só podem ser objeto de tratamento com base no consentimento previsto na alínea a) do n.º 1 do artigo 6.º do RGPD e relativo à oferta direta de serviços da sociedade de informação quando as mesmas já tenham completado 13 anos de idade.

2 — Caso a criança tenha idade inferior a 13 anos, o tratamento só é lícito se o consentimento for dado pelos representantes legais desta, de preferência com recurso a meios de autenticação segura.».

Quanto ao conceito de “dados pessoais”, a lei não podia ser mais clara, dispondo o Regulamento (UE) 2016/679, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27-4-2016, no seu artigo 4.º, n.º 1, o seguinte: entende-se por “dados pessoais” a «informação relativa a uma pessoa singular identificada ou identificável («titular dos dados»); é considerada identificável uma pessoa singular que possa ser identificada, direta ou indiretamente, em especial por referência a um identificador, como por exemplo um nome, um número de identificação, dados de localização, identificadores por via eletrónica ou a um ou mais elementos específicos da identidade física, fisiológica, genética, mental, económica,  cultural ou social dessa pessoa singular;».

Aliás, e quanto ao nome, já explicitamente havia sido decidido, no acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, no proc. 2937/16.6BELSB, que, conforme não só decorre directamente da legislação citada, como constitui jurisprudência unânime, «Dado pessoal é a informação que identifica uma pessoa singular directa ou indirectamente, como ocorre, desde logo, com o nome.»…: http://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/
f10b04d65e9975b28025812300515d9e

No caso do nosso filho, bem como, obviamente, no dos restantes colegas de escola, foram vários os dados pessoais que, de uma forma absolutamente ilegal e criminosa, foram alvo de uma recolha, registo, estruturação, transmissão e tratamento, informação esta claramente de molde a permitir a identificação dos mesmos, tanto directa como indirectamente.

Estamos, naturalmente, a falar, entre outras, de informações como o nome do aluno, nome e localização do agrupamento escolar, nome e localização da escola, número da turma, nome da professora dessa turma, número de aluno, etc. Outras informações, a averiguar, também terão, provavelmente, sido recolhidas, registadas, transmitidas e tratadas, como sendo as residências dos alunos, nomes dos pais ou encarregados de educação e seus contactos (n.ºs de telefone, e-mails, moradas), etc.

Portanto, tanto no caso concreto do nosso filho, como, provavelmente, no da generalidade dos seus colegas, e para além das contra-ordenações praticadas, a actuação em causa, traduzida na adesão ao “G Suite for Education” e “Google Classroom”, e também na colecta, registo, organização, transmissão e tratamento dos respectivos dados pessoais, bem como nos subsequentes actos, fez, e continua a fazer, incorrer a Google, seus administradores e alguns funcionários, assim como os responsáveis pela escola em causa (presume-se que o seu director e acólitos), nos crimes previstos e punidos pelos 47.º, 48.º e 51.º, todos da aludida Lei n.º 58/2019, de 8-8.

Responsabilidade contra-ordenacional e criminal esta que, assim como a de natureza cível, não deixará por nós de ser judicialmente exigida dos aludidos responsáveis.
Por outro lado, é preciso ainda ter em conta que esta solução, tanto ao nível da infra-estrutura como do software disponibilizado, é proprietária. Isto implica duas consequências graves:
1 – Não há forma de alguém saber o que os servidores da Google, e restante software, estiveram, e estão, efectivamente a fazer com os dados e conteúdos dos nossos filhos, pois o respectivo código é secreto;
2 – Os nossos filhos (ou seus pais), para usar estes serviços, teriam obrigatoriamente de aceitar os termos contratuais das respectivas licenças, termos esses que, aliás, contém cláusulas muito gravosas para os utilizadores, como são exemplo as que citámos acima…

Ora, há muita coisa que o Estado ou uma escola podem fazer, mas se há algo que, obviamente, não podem fazer, é obrigar alunos ou os seus pais (no casos de aqueles serem menores) a aceitar cláusulas contratuais impostas por entidades privadas, ainda por cima estrangeiras!

Relativamente à sugestão do uso, para videoconferências, do Google Hangouts, ela, além do mais, sofre de várias insuficiências e debilidades técnicas, pelo que até a nível técnico é uma má opção, como poderemos explicar noutra ocasião.

Face ao acima exposto, como pais, e sem prejuízo das demais acções a desencadear, reservámo–nos, mal demos conta da situação, o direito de não permitir a adesão do nosso filho à dita plataforma, ou de a só a usarmos de acordo e com as restrições que julgássemos mais adequadas à defesa dos direitos do nosso filho. Procederemos, entretanto, à comunicação da recusa e abandono da plataforma.

Esta nossa decisão, conforme já comunicámos, é definitiva e insusceptível de apelo, e tem eficácia erga omnes, ou seja, obriga ao respeito de todas as entidades, tanto privadas, como públicas, tais como o Estado ou a escola.

Para finalizar este item da Google, e seu Google Classroom, julgamos pertinente deixar aqui alguns “web links” bem ilustrativos das críticas, ilegalidades e preocupações acima indicadas:
https://www.vox.com/recode/2020/2/21/21146998/google-new-mexico-children-privacy-schoolchromebook-lawsuit (New Mexico’s attorney general sued the company, claiming its school tools continue to track kids after the final bell.)
https://www.nationalreview.com/2019/03/google-education-software-children-privacy-concerns/
https://www.edweek.org/ew/articles/2014/03/13/26google.h33.html
https://www.eff.org/wp/school-issued-devices-and-student-privacy
https://www.echalk.com/blog/2019/10/11/are-education-apps-putting-student-privacy-at-risk
https://www.eff.org/issues/student-privacy/faq#What-is-Google-Apps-for-Education-(GAFE)
https://theoutline.com/post/4436/google-classroom-education-free-software-children-school-tech

45 thoughts on “A Ter Em Atenção… 2/4

  1. Volto a afirmar e em continuação: MUITO BOM!
    MUITOS MAIS, nomeadamente pais (que aos professores ninguém dá ouvidos), SEGUISSEM O EXEMPLO!

    O Estado de Emergência decretado não justifica, nem pode justificar, o “vale tudo”!

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  2. Está aqui bem patente o “desenrascar ” tão típico português e mais uma vez se vê a falta de conhecimento e de coordenação do ME. Por muita boa vontade que @s docentes têm em dar respostas imediatas, nunca deveria o ME ter empurrado a sua responsabilidade para as escolas.

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  3. A mim custa um pouco ter de quase “justificar” a publicação deste texto. Porque são vários os contactos, por aqui, facebook ou mensagens privadas, a inquirir-me sobre o meu “objectivo” ao divulgar estas questões, como se eu estivesse contra isto ou aquilo (até já fui tratado como miserável por “colegas” em alguns espaços só porque não alinho com um clima de unicidade”) e não apenas a querer que qualquer solução seja o melhor possível, atendendo às circunstâncias..

    Não é disso que de trata.

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    1. Têm razão no que se diz aqui… a ZOOM tem o mesmo problema, a calibri é da ZOOM, ETC…mas acham que qualquer plataforma que tudo é grátis não queiram tirar algum partido disso.
      Quantos AGRUPAMENTOS usam o G-SUITE… não posso afirmar… mas talvez mais de 50%… logo os mails… as reuniões, a DRIVE, tudo está à merecê da Google. As escolas estão expostas com toda a informação que passa por essa via. Mas eles querem essa informação para quê?????
      Eles querem é número de utilizadores para nos carregarem com publicidade e ganharem rios de dinheiro com o número de visualizações…
      Alguma plataforma é perfeita???
      Nem o Office 365 que é a pagar… eles fazem o mesmo para depois nos carregarem com publicidade.
      Só uma plataforma feita exclusivamente para o ME, mas não há tempo para isso.
      A nível digital não te deixam instalar nenhum programa sem dares acesso… a isto ou aquilo…
      Mas todos nós estamos expostos ao ter Facebook, MAIL, etc… mas se não tiveres fazes o quê…nada.

      E que tal, o ME criar uma única plataforma de Sumário (livro de ponto), para colocar os níveis, fazer as atas, e-mails, matriculas, transferências… etc… teriam acesso a toda a informação.
      Teriam os dados de todos os alunos, notas, faltas, comportamentos… toda a estatística a nível nacional…

      Isso custaria muito dinheiro, é verdade… mas o dinheiro que é gasto por todos os agrupamentos do país, não daria para isso…

      Pelo contrário, o ME que descentralizar, quer passar as escolas para autarquias…
      Um país pequeno em todos os aspetos… pouco organizado e cheio de interesses e chico espertismo.

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      1. O ME já tem essa informação uma vez que as escolas têm de enviar esses dados para a MISI. Entretanto, o ME está a criar uma plataforma, o e360, para a gestão das escolas (sumários, notas, matrículas…).

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  4. São de facto questões com algum sentido e não são novas. Ganharam esta dimensão devido ao uso massivo destas plataformas neste período de suspensão generalizada da normalidade.
    Têm os autores da exposição todo o direito a recusar a inscrição dos seus filhos e a procurar, na barra dos tribunais, a responsabilização cível e contra-ordenacional dos decisores ( penso que se referem aos Diretores).
    Há, contudo, um aspeto que já referi num comentário à parte 1/4 e que me parece importante. Se é reconhecido o direito (cândido)dos pais a autorizarem o uso dessas plataformas, fará algum sentido exigir a proibição?

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      1. Há algumas dezenas de instâncias onde os dados podem ser colhidos e, em geral, ninguém protesta. Basta ver o que se passa nas filas de supermercado. De qualquer modo, com um email dedicado e o mínimo de dados inseridos, se as conversas se cingirem ao estritamente profissional, não deve haver problema de maior. Ensinar a manter a câmara e o microfone tapados. Direitos de autor é outra coisa que vai mudar muito nos próximos anos. De qualquer forma penso que o síncrono terá uso muito limitado e apenas a partir de uma certa idade.
        O que vale é que isto “é só uma gripezinha” e em breve todos poderão voltar aos relvados.

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  5. Até agora não usei nada que me pudesse levar a tribunal.

    O conjunto de problemas levantados pelo ensino à distância dá para um tratado, mas eu não saio deste: igualdade no acesso (net, computadores, nee, cei e por aí fora). E andamos a falar nisto há 3 semanas.

    O curioso é que alguns dos defensores acérrimos do 54 e 56 encolhem os ombros e respondem que não se pode chegar a todos.

    Como se viu desde os tempos da Lurdinhas, há muita vaidade e narcisismo na classe dos professores. Porém, tal a COVID-19 não escolhe ninguém em específico, a lei da morte também se aplica a 99,99999… % dos senhores professores.

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    1. É importante ter conhecimento destas cláusulas, desta espécie de contrato estabelecido entre os serviços da Google e os utilizadores. Mas agora pergunto:se eu fizer um contrato ilegal, contrário à lei portuguesa, que valor ele tem? Não tem, que eu saiba. Então, a Google pode agir como se não houvesse lei? Ah, já sei: não pode, mas… Pode. Há muita coisa assim por este mundo fora…

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      1. Pois… mas os contratos que temos em Portugal com as operadoras e tal e coisa respeitam a letra da Lei?

        O desconhecimento da Lei, por outro lado, não justifica o seu desrespeito.

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  6. Os professores nunca poderão ser responsabilizados por nada que seja relacionado com Proteção de Dados, já que o seu “patrão” (Diretor da Escola ou Ministro da Edu.) disse para eles usarem o que quiserem. Eles é que vão a tribunal.

    Agora só um alerta, se usarem alguma ferramenta de vídeo-conferencia DESATIVEM a possibilidade de ser gravada, isso nas DEFINIÇÕES do programa.

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    1. Caro pretor,

      As plataformas de e-learning têm de facto essas possibilidades. No entanto, não esquecer a possibilidade de a gravação ser possibilitada através do uso de software externo, que possibilitam a gravação do ambiente de trabalho. A tecnologia existe, depois a utilização que cada um faz dela é que nem sempre é utilizada para o bem! Ai, já entramos no domínio da imbecilidade humana.

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    2. O Pretor é meu chefe e manda-me ir roubar tecnologia ao concorrente. Assim sendo, só o Pretor é que terá problemas com a Justiça. É isto?

      No seu exemplo, ainda por cima temos o «usarem o que quiserem», ou seja, aí é que a culpa recairá mesmo nos professores, pois é deles a responsabilidade da escola. Poderiam perfeitamente ter optado por algo «legal».

      Digamos que este não foi o seu melhor momento.

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      1. Cláudia,

        Acho que estamos a confundir as coisas, não se trata de roubar tecnologia a ninguém. Praticamente todas as plataformas a nível mundial, disponibilizaram a sua tecnologia, que antes eram pagas, mas que devido à pandemia de covid-19, acharam por bem disponibilizá-las de forma gratuita, durante um período alargado de tempo.
        A questão que está a ser questionada e a levantar grande discussão, é o que fazem estas plataformas com os metadados que são gerados em todo o processo, desde o registo e durante a sua utilização.
        Neste momento, a nível mundial, existe uma espécie de coligação a favor de Educação nestes tempos de epidemia.
        Para ler quem está interessado.

        https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/noticias/unesco-lanca-coligacao-mundial-para-a-educacao

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      2. Peço desculpa, Hélder, pelo exemplo. Eu sei do que estamos a falar. O exemplo era uma resposta em abstrato ao que escreveu outro comentador.

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  7. Assustador.
    Apenas um apontamento, à laia de acrescento: não só há o risco de desrespeito pela propriedade intelectual dos alunos, como também pela dos professores, que produzem os mais variados documentos e os disponibilizam no Google Classroom aos seus alunos.

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      1. Viva a verdade translúcida e inquestionável!

        O que nos vale é que ainda não estamos no reino do pensamento único e anónimo.

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  8. Nós vivemos nesse mundo. Com ou sem vírus viveríamos cada vez mais adentro dele. A maior parte do caminho foi feito de ânimo leve, é certo, sem medir as consequências, é igualmente verdade, mas de moto-próprio. Ninguém visita grandes lojas sem estar constantemente a ser catalogado para futura análise.
    Por mim recomendo pastilha elástica. Cola em qualquer câmara ou microfone. Se o computador não for de uso pessoal, pega-elefantes ou um dos muitos tipos de fitas autocolantes. O anterior director do FBI era o que recomendava. De qualquer maneira o único espaço que os alunos frequentavam onde não havia videovigilância era a sala de aula.

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  9. Mas o diretor do FBI tinhas razões substanciais para ter esse tipo de cuidados. O mesmo disse o zuckerberg do facebook. Mas estas duas figuras tinham muita informação sensível que daria jeito a muita gente.

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  10. São questões muito interessantes se não estivéssemos num estado de excepção…assim são concerteza questões menores, os alunos não estão sozinhos em casa…os Encarregados de Educação estão com eles…
    A google concerteza que terá que respeitar a lei de cada estado…

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  11. Não tendo lido os comentários todos só vou dizer mais isto: os e-mails institucionais podem ser utilizados pela pessoa que os gere. A escola, pode usar como entender. Em quem delega, dá direito a ler e ver tudo. Acima disso, é exactamente como está escrito pelos Pais informados. Estou com eles. Parabéns.
    Mais outra coisa, gente do nosso tempo, consegue dar aulas aos alunos sem invadir nem trespassar qualquer direito. Isso é que lixa muita gente. Assim sendo, da min ha parte, não vou colaborar, a não ser que em estado comatoso. A estes pais, parabéns, não exagerem, reservem o nome. Fiz 50 anos ontem, o texto deve estar bom ….

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  12. Têm razão no que se diz aqui… a ZOOM tem o mesmo problema, a calibri é da ZOOM, ETC…mas acham que qualquer plataforma que tudo é grátis não queiram tirar algum partido disso.
    Quantos AGRUPAMENTOS usam o G-SUITE… não posso afirmar… mas talvez mais de 50%… logo os mails… as reuniões, a DRIVE, tudo está à merecê da Google. As escolas estão expostas com toda a informação que passa por essa via. Mas eles querem essa informação para quê?????
    Eles querem é número de utilizadores para nos carregarem com publicidade e ganharem rios de dinheiro com o número de visualizações…
    Alguma plataforma é perfeita???
    Nem o Office 365 que é a pagar… eles fazem o mesmo para depois nos carregarem com publicidade.
    Só uma plataforma feita exclusivamente para o ME, mas não há tempo para isso.
    A nível digital não te deixam instalar nenhum programa sem dares acesso… a isto ou aquilo…
    Mas todos nós estamos expostos ao ter Facebook, MAIL, etc… mas se não tiveres fazes o quê…nada.

    E que tal, o ME criar uma única plataforma de Sumário (livro de ponto), para colocar os níveis, fazer as atas, e-mails, matriculas, transferências… etc… teriam acesso a toda a informação.
    Teriam os dados de todos os alunos, notas, faltas, comportamentos… toda a estatística a nível nacional…

    Isso custaria muito dinheiro, é verdade… mas o dinheiro que é gasto por todos os agrupamentos do país, não daria para isso…

    Pelo contrário, o ME que descentralizar, quer passar as escolas para autarquias…
    Um país pequeno em todos os aspetos… pouco organizado e cheio de interesses e chico espertismo.

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  13. Têm a noção de nenhuma plataforma é segura? Sabem que algumas escolas apenas têm um professor de informática para gerir tudo e ainda dá aulas! As escolas recorrem a essas plataformas porque são gratuitas e de fácil gestão. Têm problemas de segurança, sim têm, existe tempo e pessoas nas escolas para tratar disso, não há! É tão fácil atirar pedras… tão difícil resolver problemas.

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    1. Então as escolas não têm Engenheiros e tal a quem pagam? Aquelas que conheço, têm. E depois, nem sequer concordo com o facto de um colega meu ter acesso a dados confidenciais sendo professor, como eu. Mas …outro lado, pagam imenso por plataformas escusadas quando poderiam ter outras mais baratas e porque se socorrem de amigos e favoritos. Ser um, geralmente, é por conveniência dos próprios, por interesses muito específicos e pouco transparentes (mas isso hoje em dia não é requisito para nada, muito pelo contrário).

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      1. Não sei que escolas conhece. Eu, das 50 e tal que conheço, têm uma ou duas pessoas que são professores a tempo inteiro e ainda têm a tarefa de dar suporte à direção, secretaria, colegas, carregar plataformas do ministério, fazer cartões para os alunos, fazer horários, configurar computadores para as salas de TIC, gerir a rede, etc… Em relação a dados pessoais, nem vale a pena discutirmos, pois qualquer funcionário que preste serviços de limpeza numa escola pode muito bem fotografar um processo da secretaria e levar. Menciona que: “pagam imenso por plataformas escusadas quando poderiam ter outras mais baratas e porque se socorrem de amigos e favoritos”, seja, entre terem que ter um servidor, que custa milhares de euros, tem manutenção e gasta luz e ter o Google Apps, é então preferível pagar pelo servidor? Aí não, aqui estamos a pagar a “amigos”, então vamos para o serviço gratuito da Google, ai não, aqui temos os problemas presentes nos termos de utilização. É mesmo fácil atirar pedras….

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  14. Deixem-se de merdas! Vamos deixar de formar as nossas crianças por causa de supostas violações do direito á privacidade? Esse crime ainda não foi cometido e quando a google ou alguma entidade interveniente violar as leis aí estaremos para os punir independentemente dos termos aceites ou não porque se violam a lei geral nunca terão força judicial!!!! Comparo a um medicamento que nos cura de uma doença mortal mas com danos colaterais e que nos deixa viver! O que pretendem? Acionar mecanismos de punitivos pela administração dessa terapia e obrigar as pessoas a morrer ou aceitam a colateralidade ? Vamos , para já leccionar e depois resolvemos as questões legais!

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