A Ter Em Atenção… 4/4

E os incomodados com este texto poderão ficar aliviados porque acaba, mas também porque faz um elogio ao ME (!) e traz sugestões de alternativas, algumas das quais, não tenho problemas em admiti-lo, desconhecia. Por se ter dedicado apenas às plataformas sugeridas nas escolas dos seus educandos, os autores deixaram de fora os aspectos igualmente leoninos das cláusulas da Microsoft, o lobby actualmente mais activo junto das escolas. O texto ainda continua, com mais alguns aspectos jurídicos que, por agora, não serão publicados.

BigBrother

IV. Incoerência, alienação e contradições:

É curioso que as próprias escolas, sempre que pretendem recolher dados pessoais dos alunos (e até o nome, como se viu, é um dado pessoal) – conforme recorrentemente acontece quanto à filmagem de alunos, ou quanto à participação dos mesmos nos mais variados eventos ou ainda no que toca aos exames em regime de educação especial, etc, – pedem (e muito bem), a respectiva autorização escrita. E isto em situações em que tais dados serão unicamente tratados por instituições públicas, do próprio Estado português.

Seria pois no mínimo estranho, no que toca ao facultar de todo o tipo de dados pessoais a empresas privadas, e estrangeiras, como a “Google LLC” e a “Zoom Video Communications, Inc.”, que essa disponibilização pudesse efectuar-se sem prévio consentimento escrito dos pais dos alunos, ou deles próprios (consoante a idade). Mas na realidade parece ser isso que algumas escolas, conscientemente ou levianamente, já fizeram ou prestam-se para fazer, indiferentes pois, ou alienadas, em relação às ditas responsabilidades de natureza criminal, contra-ordenacional e cível em que tal se traduziu/traduzirá.

Este tipo de situação chega a roçar o caricato: os pais dos alunos não podem participar ou observar as aulas, e muito menos filmá-las e aos seus intervenientes, ou efectuar qualquer tipo de gravação das mesmas. Mas a “Zoom Video Communications, Inc.”, por exemplo, já pode…

Os alunos, ou os respectivos pais, não podem ter acesso às fichas, trabalhos, etc, apresentados pelos colegas, mas a “Google LLC” e a “Zoom Video Communications, Inc.” podem…

E muitos mais exemplos do género se poderiam dar…

Enfim, e salvo o devido respeito, é a completa anarquia, desnorte e alienação.

Bem andou, sim, o nosso Ministério da Educação, no seu “Plano de Ensino à Distância” (8 Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino à Distância (E@D) nas Escolas), no qual remete para as “10 recomendações da UNESCO sobre ensino a distância devido ao novo coronavírus”.

Recomendações estas onde, designadamente, se pode ler o seguinte:
– “Escolha as tecnologias mais adequadas de acordo com os serviços de energia eléctrica e comunicações da sua área, bem como as capacidades dos alunos e professores.”;
– “Garanta que o uso destas plataformas e aplicações não violam a privacidade dos alunos.”.

V. A problemática dos emails género bilhetes-postais:

De notar ainda outra problemática:

Os contactos efectuados por email, entre alunos e os diversos professores, são, por via de regra, efectuados em texto aberto (plaintext). De igual modo, os documentos enviados em anexos não seguem, também por norma, encriptados.

Portanto, é como se se estivesse a trocar bilhetes postais (sem envelope)…

Isto é ainda mais grave pelo facto de, normalmente, se usar emails da Google, a qual, para além do muito já acima referido, reconhece, expressamente, ter acesso ao conteúdo dos mesmos e usar esse mesmo conteúdo…

Esta situação, agora que, devido a esta pandemia do coronavírus, se está a trabalhar à distância, ganha contornos muito mais relevantes.

Este modus faciendi tem contornos ainda mais sérios e críticos no que respeita a alunos em regimes como o da educação especial, naturalmente.

Assim, e como mais uma importante forma de proteger a privacidade e dados pessoais dos alunos, julgamos que as próprias escolas, nas suas comunicações recíprocas por email, deverão ser as primeiras a usar encriptação, e a exigir aos alunos que também o façam.

Encriptação esta, naturalmente em modo “peer-to-peer”, que, de resto, é muito simples de implementar, devendo usar-se, para o efeito, o padrão aberto de criptografia “OpenPGP”, o qual funciona através da geração de chaves assimétricas.

Não faltam ferramentas, livres, e para, basicamente, todos os programas de email, a providenciar essa encriptação, inclusivamente para dispositivos móveis, como é o caso do “OpenKeyChain”.

VI. Inconvenientes, riscos, limitações, possíveis ilegalidades e efeitos perversos do ensino à distância, ou de algumas das suas formas de implementação:

Na implementação do ensino à distância, é crucial evitar-se ao máximo todos estes factores negativos. Isso exige máxima cautela, ponderação, bom senso e total respeito pelos direitos dos alunos, bem como pelos princípios e normas plasmados na lei e na Constituição.

Assim, na escolha da forma, recursos e métodos a implementar, há que ter em conta circunstâncias como as seguintes:

1 – Nem todos os alunos pertencem a famílias com Internet e/ou computadores em casa, sendo que obrigar-se esse alunos a deslocarem-se a outros locais potenciaria o risco a que estão sujeitos (coronavírus), e deixá-los-ia numa situação de flagrante desigualdade para com os restantes, até por isso implicar não poderem beneficiar do apoio dos pais da mesma forma, e nos mesmos momentos, que os demais;

2 – Aulas por videoconferência são extremamente exigentes do ponto de vista do tráfego de dados, podendo desencadear congestionamentos e interrupções abruptas do serviço;

3 – Nem todos os alunos têm Internet rápida, ou sem restrições ao nível de consumo de dados, em sua casa (os nossos filhos, por exemplo, não vivem em zonas onde exista fibra, ou algum tipo de Internet minimamente rápida);

4 – A maioria das famílias só tem 1 ou 2 computadores, ou dispositivos do género, não chegando obviamente para todos, sobretudo se considerarmos famílias com pais em teletrabalho e/ou com vários filhos;5 – Por motivos óbvios, pelo menos para quem seja dotado de um mínimo de maturidade e conhecimentos técnicos, aulas por vídeo-conferência, embora passíveis de induzir algum deslumbramento inicial, raramente são pedagogicamente eficazes.

VII. Plataformas, sistemas e aplicações compatíveis com os direitos dos alunos e com o nosso sistema jurídico-legal. Software livre.

Face a tudo quanto se expôs, a implementação do ensino à distância deverá nortear-se, não só pelo recurso a soluções de software livre e aberto, como pela utilização, apenas e só, daquelas que obedeçam também aos seguintes requisitos mínimos:

a) Sejam susceptíveis de impedir, ou minorar ao máximo, os aspectos, factores e efeitos negativos a que se alude no anterior ponto VI, arranjando-se sempre, nos casos em que seja de todo impossível evitá–lo, soluções, ad hoc, que não deixem nenhum aluno prejudicado ou em situação de desigualdade;

b) Sejam integralmente respeitadoras da segurança e privacidade dos alunos;

c) Respeitem os direitos de personalidade dos alunos, assim como os de propriedade autoral;

d) Respeitem os direitos à protecção dos dados pessoais e à autodeterminação informativa;

e) Não obriguem (algo intoleravelmente ilegal, aliás) os alunos, ou respectivos pais (no caso de aqueles serem menores), à aceitação de cláusulas contratuais (e “termos de utilização”) impostas por terceiros, muitos menos se esses terceiros forem entidades privadas, e ainda por cima estrangeiras, ou aquelas sejam ilegais, abusivas, ou, de algum modo, conflituantes com os aludidos direitos dos alunos.

VIII. Sugestões de plataformas e/ou de sistemas/aplicações:

As sugestões seguintes respeitam os requisitos enunciados nas alíneas a) a e) do anterior ponto VII.

– Moodle

Trata-se de um sistemas de gestão de aprendizagem, em contexto de ensino à distância. É auto–hospedado, podendo e devendo sê-lo em servidor da escola, assim se garantindo protecção máxima da privacidade. Permite: gestão de salas de aula, cursos e conteúdos; ministrar lições, atribuir tarefas, gerar e gerir bases de dados; criar e gerir grupos, fóruns e wikis; criar e gerir salas de conversação; efectuar avaliações; etc.
https://moodle.org/

– Jitsi:

Plataforma e aplicações de vídeo-conferência, de código aberto.

Embora tenha a sua própria instância online, como o Zoom, cada escola pode, e deve, instalar o seu próprio servidor jitsi, assim maximizando a protecção dos dados e da privacidade dos seus alunos, pois as próprias vídeos-conferências ficarão alojadas no servidor da escola.

Não requer, por parte de alunos ou professores, o fornecimento de quaisquer dados (nem números de telefone ou contactos de email… enfim, absolutamente nada). Não exige sequer qualquer registo ou criação de conta.

As videoconferências são encriptadas e de acesso por password.

O acesso às aulas por videoconferência é possível através do simples uso de um web browser, embora também possa ser feito através de um aplicação (também ela livre e de código aberto) para telemóvel (disponível tanto para os sistemas Android como IOS).

Os alunos podem conversar em várias plataformas sem que os seus rostos sejam digitalizados por algoritmos de reconhecimento facial e a sua voz e texto sejam gravados.
https://jitsi.org/
https://jitsi.org/downloads/

– BigBlueButton:

Trata-se de um sistema de conferência via web, de código aberto e projectado para o ensino à distância.
https://bigbluebutton.org/

– LibreOffice:

Suite livre de escritório e produtividade.

Os documentos não são carregados para servidores de terceiros.

https://www.libreoffice.org/

– Etherpad:

Software de servidor, de código aberto, para edição colaborativa em tempo real, permitindo aos autores editar documentos, em simultâneo, usando o seu navegador web. Permite a visualização de todas as edições dos participantes, em tempo real, e possui caixa de conversações, para permitir a metacomunicação.

https://etherpad.org/

23 thoughts on “A Ter Em Atenção… 4/4

  1. O Paulo que não me leve a mal mas, os “8 Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino à Distância (E@D) nas Escolas”, não me parecem mais do que uma espécie de “lavar daqui as nossas mãos” (!!!), isto é, “peguem lá isto, amanhem-se, e depois não nos venham pedir contas porque nós até aconselhámos como deviam proceder”.
    Um abraço.

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    1. Concordo!
      Afinal, qual a razão para a existência de, entre outros, direcção-geral de planeamento e gestão financeira, direcção-geral dos estabelecimentos escolares, direcção-geral de estatísticas da educação e ciência, fundação para a ciência e tecnologia (IP), conselho nacional de ciência e tecnologia, … ???

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  2. Vim aqui para deixar um comentário e já vi, pelo comentário anterior, que não sou o único a pensar desta forma.
    Não concordo quando se diz: “Bem andou, sim, o nosso Ministério da Educação, no seu “Plano de Ensino à Distância” (8
    Princípios Orientadores para a Implementação do Ensino à Distância (E@D) nas Escolas), no qual remete para as “10 recomendações da UNESCO sobre ensino a distância devido ao novo coronavírus”.

    Recomendações estas onde, designadamente, se pode ler o seguinte:
    – “Escolha as tecnologias mais adequadas de acordo com os serviços de energia eléctrica e comunicações da sua área, bem como as capacidades dos alunos e professores.”;
    – “Garanta que o uso destas plataformas e aplicações não violam a privacidade dos alunos.”.

    Para isto não necessitamos de Ministério da Educação! Para estas e outras coisas que deviam ser centralizadas e padronizadas o ME sacode a água do capote e invoca a tão desejada “autonomia”… essa autonomia é um desperdício brutal de recursos, pois coloca milhares de professores a discutir (por vezes em reuniões infindáveis) quando uma equipa que se especializasse no assunto (decidir rumos implica recolha de informação, discussão, objetivos a longo prazo) e que tomasse decisões.
    Mesmo que se desse autonomia, deveria existir, sempre, uma lista de aplicações que cumprissem os pressupostos, tal como se faz no final do artigo.
    Não se preocupem os professores sedentos de uma autonomia que não mais é que a desresponsabilização do ME… dentro da sala de aula, tenho sempre muita autonomia…

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  3. Enquanto docente e pai, li, de forma atenta, as quatro partes desta carta que, de forma acertiva, revelam as referidas preocupações relativamente ao assunto exposto.

    Partilho das preocupações deste Encarregado de Educação. No entanto, não podemos cair em fundamentalismos. Já muitos o tentaram fazer, abdicando de todos os serviços dos chamados “Big 5” pois, quer queiramos, quer não, são eles que regem o mundo online. Acabaram numa situação pior há que vivemos, não apenas cofinados a um espaço mas, pior, alienados completamente do mundo em que vivemos.

    Da leitura da carta, fervilhava o meu cérebro de contra argumentos, os quais comecei a redigir. Rapidamente desisiti. Percebi que, da análise breve do conteúdo do texto, sobressairam duas palavras chave: “bom senso”.

    No entanto, sem me querer alongar, apenas quero deixar três pontos para reflexão.

    1º Nada, mas nada, nos garante que as clausulas de Privacidade são seguidas à risca por parte das empresas prestadoras dos serviços, em especial as open source. Tudo é muito transparente no papel mas existe uma fronteira para além da qual o utlizador comum não tem conhecimento. Mesmo open source, ninguém, ou quase ninguém, verifica o código fonte a fim de confirmar se realmente não se estará a ocultar algo e, para tal, são necessários conhecimentos na área.

    2º A História das TIC mostra-nos o contrário: roubo, divulgação, e venda de dados sobrepõe-se, largamente, à sua segurança. É das fontes mais rentáveis, atualmente. Cabe, a cada um de nós, agir de forma informada, cuidada, responsável e com bom senso, garantindo, dentro do possível, a segurança e privacidade de cada um.

    3º Será viável regredirmos cem anos na História, no que toca à evolução das tecnologia de informação e comunicação?

    É o mundo em que vivemos. Devemos agir com bom senso.

    Numa nota pessoal, não queria acabar sem comentar uma passagem na carta que me pareceu ofensiva e, por muitas vezes, ultizadada de forma leviana, quando refere: “…raramente são pedagogicamente eficazes.”
    Pergunto ao Encarregado de Educação, quais os seus conhecimentos e experiência no domínio da pedagogia, que modelos e que autores de referência conhece para proferir tal afirmação?
    Nesta área, sinto-me confortável para responder: é legítimo o levantamento de recursos que faz mas, como docente e dados os conhecimentos pedagógicos e experiência que tenho na área, qualquer uma das plataformas referidas é pedagógica e didáticamente inaplicável. Se tivesse um mínimo de conhecimentos de pedagogia, didática ou até de psicologia do desenvovimento, perceberia que a sua proposta vai no sentido oposto àquilo que é, de acordo como conhecimento atual, a construção do conhecimento e da aprendizagem. Ainda mais no contexto em que nos encontramos. Aconselho umas leituras, profundas, antes de pisar um terreno que não é, claramente, da sua área de especialização.

    Como diria o meu avô, “cada macaco no seu galho”.

    Para terminar, vivemos num mundo em que a cada segundo que passa nos tornamos cada vez mais ignorantes, é uma das imposições da sociedade de informação. Devemos ser cautelosos, sim, mas agir de forma informada e com bom senso.

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    1. Magalhães,

      O Secretário de Estado é um cínico!

      Por um lado, o ME “sugere” o Teams – Office 365, por outro, envia “Princípios orientadores…” e finge estar a apoiar tudo e todos!

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  4. A discussão é pertinente, mas as ferramentas digitais apresentadas são muito mais vulneráveis e pouco seguras. Apesar de tudo a Google e Microsoft são mais seguras as outras qualquer um, com alguns conhecimentos informáticos poderá ter acesso a dados privados e aí sim não sabemos quem são e qual a finalidade.

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    1. Além de que não estão preparadas para um aumento inusitado de tráfego, a curva de aprendizagem do moodle ser complicada, etc, etc.

      Uma coisa é argumentar que não temos de dar dinheiro a X ou a Y. Outra bem diferente é dizer que o servidor da avózinha é mais seguro e melhor, que o moodle é coisa fina, ou que esses sistemas todos demoram mais de 10 minutos a rebentar a um puto de 16 anos na Rússia ou em Israel.

      De qualquer forma eu desconfiaria mais das orais por telefone. Toda a gente já terá tido a oportunidade de escutar o nível de intimidade na conversa média dos adolescentes quando usam esses meios e aí é certo que estarão a ser escutados por algoritmos de 3 ou 4 serviços de informações a tempo inteiro. Apesar dos contratos com as operadoras serem omissos a esse respeito …

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  5. O roteiro para o ensino à distância desenhado pelo ME é uma mão cheia de coisa nenhuma.
    Vacuidades, mentiras, incoerência, algumas delas, mesmo antagónicas, são tudo coisas que lá poderemos encontrar.
    Para toda e qualquer situação existe aquilo que se denomina como NÍVEIS DE DECISÃO. O roteiro do ME tem, obrigatoriamente, que espelhar a sua decisão. E não a tem. Muitos dos problemas que se levantam (privacidade, inclusão, equidade, entre outros) só são susceptíveis de resolução por decisão do ME. A exemplo, o tratamento com equidade dos alunos deve ser uma preocupação nacional. O que nos poderá interessar se uma escola consegue garantir para todos os seus alunos o tratamento com equidade? Deve-se deixar ao critério (decisão) de cada escola tudo aquilo que venha depois disso. Deixar à escola a tomada de decisões que competem ao ME corresponderá ao CAOS. O nepotismo reinante nas escolas em breve tratarão de transformar esse CAOS no RIDÍCULO e no BIZARRO.

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    1. Não sei como é com os outros, mas comigo há sempre uma data de gente na sala a olhar quando me assoo. Na net inclino a tampa do portátil para cima e ficam literalmente a olhar para o tecto.

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      1. Mas depois escreves nas tuas 30 926 redes sociais: “Acabei de me assoar «on-line», mas enganei-me: em vez de inclinar a tampa do PC, inclinei a cabeça e engoli ranho.

        Agora, o vídeo já está no Vimeo e conta onze visualizações, só nos últimos 300 dias.”.

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  6. Não desvaloriza. Pelo contrário. Foi assim que o Boris subiu na carreira.
    De facto corre-se esse risco, não por uso profissional da coisa ou por desvalorizar as questões de segurança e privacidade, mas pelo facto de a introdução de AI na clonagem de som e imagem começar a tornar possível tudo e mais alguma coisa. Dito de outro modo, ninguém precisa de ficar mal na foto para correr mundo porque é cada vez mais fácil fabricar a foto. Moral da história: a “vacinação da manada” acabará por desvalorizar esta questão. De qualquer forma os primeiros “suspeitos” dos algoritmos, e consequentemente os mais vigiados, são os que se tentam furtar à vigilância.
    Quando ouço certo tipo de discussões costumo perguntar à cabeça se há abertura para colocar bloqueadores para os telemóveis nas escolas. Parece que em França há qualquer coisa sobre isso.

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  7. Bom, em primeiro lugar gostaria de salvaguardar que sou um utilizador de software proprietário, bem como de software livre. Desde há muitos anos, que utilizo nos computadores que vou comprando duas partições que correm o linux- software livre e windows – software proprietário. Utilizo o melhor dos dois mundos. Não tenho qualquer ideologia pré-concebida de que um é que é bom e o outro é mau. Já estou um pouco farto da conversa deste casal. Faz-me lembrar a história de quando algum de nós vai ao médico, é-lhe receitado um medicamento, depois chega a casa lé a bula e fica assustado com todos os efeitos secundários de que pode padecer, a interação com outros medicamentos, limites à condução, etc, etc. Resultado, se levássemos aquilo à letra, nenhum de nós tomaria aquele medicamento. Ora, quando lemos as clausulas dos contratos de utilização de um qualquer software/plataformas que correm software, ficamos também um pouco assustados, como aliás este casal parece ter ficado há muito. Na teoria concordo, na sua implementação prática (implementação de algum software livre, irando o moodle) já me carece de algumas questões que gostaria aqui de poder desmistificar. Eu, noutro comentário, já tinha referido que a proteção de dados dos utilizadores nas plataformas de e-learning, deixam muito a desejar, embora com graus de “intrusão” no que respeita às politicas de privacidade com algumas diferenças. Umas com politicas de proteção, ou não proteção de dados mais evidentes do que outras. Da mesma forma, também penso que há aqui um exagero e diabolização, já o referi em outro comentário, sobre aquilo que estas empresas fazem com os dados que estas recolhem. Eu já aqui expliquei, que na sua maioria estes dados são sobretudo utilizados para a melhoria do próprio sistema, ou seja, mediante o perfil de utilização, os erros que a plataforma gera, em que países está a ser mais utilizada (acondicionamento regional). Tudo isso é utilizado de forma benigna, na maioria das vezes de forma a beneficiar o próprio utilizador, quer na melhor utilização do sistema, seja da forma cada vez mais intuitiva e facilitadora na sua utilização. Depois, a “menos” benigna, os emails, sim podem ser vendidos a terceiros para a publicitação de outros produtos ou serviços. Agora, acharem que a recolha de ip e afins é algo importante. Existem milhentos sites que indicam automaticamente o ip de cada um de nós. Caso não estejamos de certa forma ” camuflados”, utilizando para isso um servidor proxy, por exemplo. Mas isso são situações que o normal usuário da internet não sabe. Temos que perceber que os dados que são gerados numa plataforma de e-learning não são dados que se possam considerar de interesse relevante, a não ser para os próprios intervenientes dentro da plataforma. Se esse fosse o caso, as plataformas já teriam todas elas sido motivo de interesse por parte de hackers de todo o mundo. Isto em relação à necessidade de utilização cifrada de comunicação, aludida no post. Eu acho que também seria benéfica, no entanto, isto requer, implementação de boas práticas nas escolas, falo ao nível dos servidos escolares. As escolas não têm técnicos, realmente habilitados a trabalharem apenas com essa função. Depois não chega implementar, é necessário fazer manutenção quase diária dos servidores, com configurações de segurança, adaptadas a acada ambiente e updates necessários quando são identificados exploits no software. Nós sabemos, como está o parque de software e hardware nas escolas portuguesas. A escola portuguesa não é o pentagono! E mesmo estes sofrem com quebras de segurança. Já agora, o que possibilitou o escandalo dos “Panama papers” foi a utilização de software livre, que depois de implementado foi esquecida a sua manutenção com os importantes updates do software que corria nos servidores de email. Explorada esta vulnerabilidade, foi possível aceder ao servidor de correio eletrónico. Isto contado de uma forma simplista. Hoje em dia, a grande maioria desses servidores de bases de dados, servidores de correio… utilizam o my sql ou o Apache, entre outros, são softwares livres, portanto de código aberto.
    Para este casal, que parecem ser apenas utilizadores de software livre (acho bem que o façam), que tem inúmeras vantagens, mas que muitas vezes sofre de alguns problemas de segurança, tal como acontece no software proprietário. Para mim, a grande diferença, é que o software proprietário tem equipas a trabalhar diariamente, apenas com o objetivo de melhorar (na opinião deles), e ter um produto seguro, e resolver problemas quando estes ocorrem, sejam eles quais forem, de forma rápida. Pois o nome da empresa está em cheque. No caso do software livre, cujo código é disponibilizado, resulta da boa vontade de programadores que se envolvem em determinados projetos, mas que não trabalham diariamente no desenvolvimeto do produto. E também ,nada garante que no meio dessa boa vontade, não seja injetado código malicioso por um programador mais “voluntarioso”, no meio das milhares de linhas de código que pode ter um determinado software. Os “perigos” deste software, quando utilizado por organizações, portanto mais interessadas na segurança e fiabilidade diária do seu funcionamento, como seria o caso das escolas, não vêem com bons olhos, estarem depois dependentes de uma equipa de programadores, que não têm número de telefone disponível, para o diretor da escola, quando se vir apertado poder ligar. No caso do utilizador doméstico, estes problemas não se colocam com o mesmo grau de importância. Este é um dos grandes problemas que, quanto a mim, independentemente, de algum lobby que empresas como a microsoft ou google possam fazer, contra a implementação de software livre nas escolas, estas sentem-se melhor servidas, pois sabem a que porta bater quando algo corre mal. Enquanto que na utilização do software livre a responsabilidade fica muito mais diluída. Por exemplo, eu, como aliás já referi, também sou utilizador de linux, existem disponíveis várias distribuições gratuitas deste sistema operativo, cada uma voltada para uma utilização mais especifica. Este software, aquando do último plano tecnológico para as escolas, foi adotado, ele corre em muitos dos computadores de algumas salas de aulas deste pais, mas depois deixou de ser atualizado na grande maioria das escolas.
    Conclusão, tanto o software livre como o software proprietário têm aspetos positivos e negativos. Não devemos é achar que num é só vantagens e no outro só pontos negativos. Ambos devem ser utilizados com critério, racionalidade e inteligência.

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    1. Caro Hélder, nada a obstar em relação ao seu comentário, concordo com tudo. Aliás, antecipando que as escolas não têm capacidade para fazer a devida manutenção ao sistema, aparentemente será preferível optar por algo que ofereça a mínima garantia de acompanhamento. No entanto, mais uma vez se justifica que seja o Ministério a definir o que quer que se use, até porque não faz sentido que cada escola/ cada professor, opte pelo que prefere… no limite, caso se deixe “à vontade do freguês”, o aluno A pode ter que se habituar ao que os professores A, B, C, D desejam, e cada um dos professores pode querer uma plataforma diferente… não pode ser! Por outro lado, com software indicado pelo ME, caso existam “reclamações”, certamente que será mais fácil ao ME providenciar a defesa da sua medida do que uma escola ou, em ultimo caso, do próprio professor.

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