A Lusitânia Já Foi Toda Tomada?

É uma página rodeada de sete outras, em tons de cor de rosa, de loas e elogios à solução encontrada, à bondade de tudo e mais alguma coisa e auto-congratulação do seu principal mentor no JL/Educação deste mês. Um tipo olha à volta e sente-se quase tão solitário quanto nos tempos dos primeiros artigos para o Público em 2008.

Mas enquanto puder, vão ter de me aturar.

(…)

Quem cometeu o erro de usar grupos do WhatsApp para estabelecer uma linha imediata e rápida de comunicação com os alunos, viu-se obrigado a desativar o som das notificações ao fim de pouco tempo, ao perceber que os “horários” para enviar dúvidas ou comentários, nem sempre muito propositados, não respeitam nenhuma parte do dia ou noite. Para quem fez isso com duas ou mais três turmas começou a amaldiçoar o momento em que comprou o smartphone. Pelo que uma das prioridades deveria ter sido a da inclusão de aulas para desenvolver as competências dos alunos em ambientes ditais de tipo educativo, não chegando aceder à primeira página do doutor google ou à página da doutora wikipédia.

(…)

A forma como a área artística das Expressões volta a ser menorizada é coerente com o modo como o currículo, que se afirma pretender que os alunos desenvolvam competências estéticas e humanistas, tem maltratado em todas as mais recentes reformas as disciplinas ligadas às Artes e Humanidades, como se fossem uma espécie de resquício de um passado arcaico, sem interesse para o futuro digital e cibernético.

A Filosofia foi truncada no Ensino Secundário, a História e a Geografia passaram a ser servidas, por quem assim entende, em fatias semestrais no 3º ciclo do Ensino Básico. A Educação Musical está reduzida a dois tempos semanais e restrita ao 2º ciclo do Ensino Básico e quem a quiser explorar terá de recorrer a instituições exteriores ao ensino público. A Educação Visual e Tecnológica foi desmembrada no 2º ciclo e agora as suas componentes desaparecem, enquanto disciplinas autónomas, da versão televisiva/digital do currículo do Ensino Básico.

Se estes são sinais do que será um futuro currículo para os tempos digitais, são péssimos sinais para todos os que querem uma verdadeira Educação Integral das novas gerações.

JL 22Abr20

17 thoughts on “A Lusitânia Já Foi Toda Tomada?

    1. Tem 150′ na última revisão. 180 anteriormente. É a disciplina com menos carga horária no currículo, situação que partilha com o inglês e a educação física. Situação única na história do ensino, com exceção da primeira reforma do século X X, em que com o predomínio de uma visão positivista e utilitária do ensino à situação era semelhante à atual. A história é longa, mas deixo este apontamento.

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      1. Tem 150′? Não necessariamente. Depende das escolas. Aliás, antes de ter 180′, coisa que devemos à MLR, se não me falha a memória, teve (e aí generalizadamente) 150′.
        A história é, de facto, longa.

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    2. Também não percebo a inclusão da filosofia nas disciplinas sacrificadas. Passou toda a década de 90 com 150 minutos semanais, a par de Português e Inglês. No início deste século passou para 180 minutos. Hoje oscila entre os 150 e os 180 minutos.

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  1. O blogue do Arlindo parece um bando de ofendidos.

    Não se pode criticar, só bater palmas e apoiar. Se alguém põe o Pitágoras às voltas na tumba, foi apenas uma questão de nervosismo.

    E há também os seguidores do Rio: não se pode criticar, porque estamos numa emergência e é anti-patriota.

    E depois temos os da argumentação inatacável: só pode falar quem for para lá e fizer melhor.

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  2. Por falar em Lusitânia… na aula de Português de 9º ano do Estudo em Casa a professora refere que o termo Lusíadas vem de Lus (Lusitanos) e Olimpíadas, é mesmo assim?

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    1. Bom, normalmente costuma ligar-se a origem de «lusíadas» a Luso, filho de Líber ou companheiro de Baco, que teria povoado e fundado um reino na PI, a que deu o nome de Lusitânia. Parece adquirido atribuir-se a André de Resende o uso do termo para designar os portugueses, no século XVI.

      Relativamente ao sufixo «-ada», este tem origem grega e três valores: formação de numerais (olimpíada = período de 4 anos) ou formação de títulos épicos e afins, daí o título da obra de Camões.

      Se a professora disse algo como «A palavra “lusíadas” tem na sua formação o sufixo “-ada”, que também está presente na palavra “olimpíadas”», parece-me uma afirmação correta.

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      1. Pode ter sido essa a ideia da professora mas não foi assim que verbalizou. Falou mesmo Olimpíada por ser onde só vão os melhores. Mas pode ver a aula está no RTP play. Por não ter encontrado uma explicação parecida com a da professora é que questionei aqui…

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