Dia 36 – Os Entusiastas Da Epidemia

Podem bater-me o que entenderem, mas se não querem críticas, então não andem a dizer que o “espírito crítico” é essencial do “Perfil dos Alunos”, porque aquilo de que gostam é de carneirada. Se estivesse lá, faria melhor? Não sei, mas certamente não fugiria a críticas e justificaria as opções em vez de tentar calar quem não diz amén sem reservas como nas missas.

O que está a ser feito em pouco tempo é meritório, tem algumas qualidades, mas é uma solução de recurso, com evidentes fragilidades e, apesar de algum grafismo animado, dificilmente se pode considerar um grande (ou pequeno) avanço na forma de conceber a Pedagogia ou mesmo a Didática. Estamos num período de emergência, ao nível político foram definidas prioridades e tomadas decisões e eu compreendo isso. Mas é escusado estar a pensar que se fez alquimia, porque não.

Contudo, em nome de uma espécie de “união sagrada” parece ser proibido criticar seja o que for e, pelo contrário, abdicar de qualquer capacidade reflexiva. Como se tivéssemos dado um súbito salto para uma qualquer ditadura da opinião, os “entusiastas da epidemia” tratam como se fosse horrível meliante quem apontar falhas à metodologia das aulas síncronas por videoconferência, ao empilhamento de planificações diárias, semanais e mensais, bem como aos relatórios de presenças (mesmo se não se devem marcar faltas) e de monitorização e avaliação das aprendizagens (mesmo se criticam as visões limitadas da “avaliação”).

diario

24 thoughts on “Dia 36 – Os Entusiastas Da Epidemia

  1. Concordo que há alguma excitaçãozinha face ao admirável mundo novo aberto pela epidemia pandémica que assola o hemisfério norte e o Brasil e tudo, e tudo.
    Discordo é que esta êxtase seja local. Esta êxtase é já europeia e, calhando, universal:
    https://elpais.com/sociedad/2020-04-22/los-docentes-deberan-cambiar-su-forma-de-ensenar-en-septiembre.html

    O Aldous, pá, tava enganado quando achava que a guerra é que levaria ao totalitarismo. Alterem-se todas as ucronias. Ó u catanu! Pois.

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    1. A. Absolutamente. O grande preço que pagaremos pela crise não é apenas a perda de aprendizado, mas os jovens afetados pela insatisfação, decepção e que perderam a confiança no sistema educacional. Eles terão que ouvir mais, detectar a necessidade de cada um e projetar novas maneiras de aprender para se adequar aos diferentes contextos pessoais. Você não pode voltar como se nada tivesse acontecido.

      Confesso: não percebi puto do que o sujeito quis dizer! Ouvir, detectar, projetar, adequar… Já agora, por que motivo «detectar» mantém a consoante que não fala e «projetar» a mandou falar com o Schésché?

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      1. Não me custa reconhecer que o ensino mediatizado é melhor do que ensino nenhum.
        Não me custa reconhecer que os miúdos medianamente inteligentes (um conceito datado, não é? Pois!, pá!), em famílias funcionais (outra aberração de conceito! Fónix!) aprendem com os meios que hoje temos ao nosso dispor.

        A mim, o que mais me preocupa na excitação vigente é a crença quase doentia na possibilidade de avaliar os miúdos à distância.
        Reflictamos um pouco, um pouco muito poucochinho… sem gastar neurónios, qualquer um compreende por que é que havendo cursos à distancia há já largas décadas (serão já séculos?), não há nenhum curso à distância com prestígio. A pior das universidades é mais credível do que o melhor dos cursos por correspondência (lembram-se do termo?).

        Isto, pá! não se inventa nada, a estupidez é que vem sempre sendo renovada.
        Que é feito dos cursos da farinha Amparo, ou do Nestum?

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  2. A propósito da vitória construtivista, ela assenta numa matéria prima que alavanca qualquer escola pedagógica: bons alunos e pais presentes. Os miúdos com mais dificuldades, coerentemente, estão ainda com mais dificuldades.
    O trabalho de projecto tem virtudes tem necessidades: ao contrário do que muito caramelo pensa, o trabalho de projecto precisa muito da presença do professor. Muito.

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  3. Eu cruel e mesquinho critico me penitencio.
    Não percebo é porque é que o Dr. Costa em vez de responder às perguntas na Assembleia se limita a criticar o governo anterior ao anterior.

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      1. Paulo ,
        O Messias um bom central ?
        Essa agora … provocava ataques cardíacos no 3°anel . Um perigo constante.
        Quem o safava ? O Senhor Humberto Coelho .

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  4. Assisti a duas aulas de Matemática dos 5º e 6º anos. Para lá de não perceber muito bem este 2 em 1, preocupo-me muito com a qualidade pedagógica e didática das mesmas. As colegas, acredito, dão o seu melhor. Deslizes nas aulas todos os temos. Mas porquê uma coisa que se chama revisão e que ninguém fez (se fez, é muito pior do que eu pensava)? O patente nervosismo mostrado pelas colegas não justifica que se deixe passar alguns deslizes que seria possível evitar com uma simples revisão da aula por alguém de fora da equipa que a preparou,

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  5. Se a malta não pode dizer de forma livre o que pensa, mesmo confinada em casa, então só resta uma possibilidade: vamos para o quintal!
    (Esta até que não me saiu nada mal, mas podem criticar, naturalmente).

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  6. Estou contigo Paulo. Os colegas aceitaram o frete porque quiseram e sabiam perfeitamente que iam ser escrutinados e ainda bem que isso acontece. Nada me move pessoalmente contra os colegas que lá estão a dar a cara, questiono e discuto a sua pedagogia. Quanto ao Primeiro-ministro e ao Ministro do Desporto e da Comédia, só agora, quando lhes interessa, é que estão ao lado dos malandros dos professores. Viu-se no Plano de Ação para a Transição Digital o quão ao lado estão. Usai os vossos meios, usai a vossa internet, pagai as duplas rendas de casa, deslocai-vos que o subsídio é só para o tiaguinho e outros “necessitados”.

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  7. …essa gentalha faria melhor ao planeta ler livros que não esses…exemplos BD, culinária ou então livrinhos para colorir…é uma excelente terapia.(se se virassem para aqui não faziam ***********

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  8. Não tive alternativa! E só esta semana, alguns entusiastas que me criticaram por eu dizer que estávamos a entrar num exagero tal, começaram a dar-me razão. Estão (estamos) saturados e sobrecarregados de trabalho. Se, quando isto começou, tivéssemos parado para pensar e se nos uníssemos, mas não…embarca logo tudo e depois dá nisto. Se era necessário fazer alguma coisa? Sim, mas não esta loucura. Valha-me ao menos os alunos que me têm dito que tenho tido bom senso. No entanto, mal fazem ideia na quantidade de burocracia em que estou afogada. Tenho muitas turmas. Só irei até onde conseguir. Tenho filhos menores que precisam do meu acompanhamento e a loucura nas escolas deles é igual!

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    1. Ups! Peço imensa desculpa. Este confinamento é tanto grelhado e aulas síncronas deixaram–me sem capacidade para ler um artigo. Desculpem a confusão. Pensei que nos estávamos a referir só excesso de trabalho que anda pelas escolas. Desculpem. Para essas filmagens nem de arrasto. Agora na escola, tento minimizar as milhares de coisas que nos exigem, mas mesmo assim não conseguimos fugir a muita coisa. Uma vez mais, desculpem toda esta confusão. Já estou a ficar afetada com os grelhados.

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  9. O Guinote põe o dedo na ferida quando faz uma observação que poderia passar por incidental. Refiro-me à recomendação de leitura de um livro. De facto, do que os palermo-tiranetes visados no artigo carecem é de leituras. Têm um elevado défice intelectual, porventura maior do que o défice sexual de que também padecem.

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