Dia 40 – Níveis De Retorno

Ainda não saiu no Educare, mas fica aqui no dia certo.

Tenho 4 turmas, entre os 21 e os 28 alunos, a que lecciono entre 1 a 3 disciplinas (História, H.G.P., Português, Cidadania e Desenvolvimento e Formação Pessoal e Social), o que na prática significa que tenho o equivalente a 8 turmas (7 se descontar F.P.S., que não conta para a avaliação final) e perto de 200 alunos (c. 175 sem F.P.S.). Se já é complicado desenvolver actividades com todos e conseguir que a maioria as cumpra em regime presencial, à distância isso torna-se muito mais problemático.

A experiência das duas primeiras semanas do 3º período é sintomática a este respeito. Embora com o esforço d@s director@s de turma se tenham conseguido obter os contactos digitais da maioria (entre os 85% e os 95%), a verdade é que isso não corresponde a uma verdadeira disponibilidade funcional de meios para acompanhar sessões síncronas ou realizar um conjunto de tarefas à distância de múltiplas disciplinas. Ou sequer à vontade de o fazer.

O balanço actual é desigual e moderadamente desanimador. Se a sessão por videoconferência inicial com a minha direcção de turma para acertarmos detalhes sobre o trabalho a desenvolver teve a adesão de 90% dos elementos da turma, já a realização das tarefas seguintes raramente passou os 60% em qualquer das turmas e ficou-se mesmo muito abaixo disso na concretização das propostas para Cidadania e Desenvolvimentos em duas das turmas (num caso de apenas 25%). Isto mesmo com tarefas propostas para serem realizadas muito rapidamente (questionários de resposta múltipla com 10 questões) ou ao longo de duas semanas (um breve relato dos dias de quarentena) e sempre tendo em conta que as minhas disciplinas não são as únicas em presença.

Durante esta semana, em que será lançarei um novo mini-questionário sobre a leitura de uma obra na turma de Português e outro sobre um conteúdo de História acerca do qual foram fornecidos os materiais logo no início do período, será possível aferir se a tendência será de crescimento do retorno (porque se começaram a dominar melhor estas ferramentas) ou de decréscimo (ao verificarem como tudo isto é muito frágil e as consequências do incumprimento potencialmente nulas, conforme as justificações). Não quero fazer prognósticos, mas confesso que me admiro muito com aquelas pessoas que afirmam ter sempre as turmas todas perfiladas, motivadas e concretizadoras. Só pode ser falha minha, por certo, não conseguir esses níveis extraordinários de adesão.

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Dia 39 – Os Algoritmos Do Vírus

O verbete de ontem, que saiu apenas hoje.

Porque a propagação de um vírus não se faz de forma ideal, como se fosse em laboratório, num espaço neutro de influências externas. Um vírus propaga-se com base nas suas características em combinação com as dos organismos humanos que atinge, que não são todos iguais, mas também com as práticas culturais e sociais de cada região, com a forma de distribuição da população e mesmo com a geografia. A propagação de uma infecção é um fenómeno de saúde pública, algo que se pode compreender na base das Ciências da Saúde, a que ajuda muito o conhecimento dos aspectos humanos da vida das populações e não tanto da destreza dos matemáticos com as suas fórmulas.

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