E O Próximo Ano Lectivo?

A crónica mensal, mais longa dos que os verbetes diários, com propostas que, já sei, os situacionistas dirão que não foram feitas. Ou que nem interessam a ninguém, porque o que lhes interessa é a encenação de uma pseudo-novo paradigma.

A multiplicação insana de novos mecanismos de controle do trabalho docente e de representação dos actos pedagógicos ganhou em algumas “unidades orgânicas” um nível inaudito de desvario. Ou as novas tecnologias servem a Educação e os seus agentes ou servem apenas para uma nova forma de servidão laboral, só que com o verniz da modernidade digital.

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Porque o modelo hierárquico de liderança, baseado na nomeação e fidelidade, aliado a esta forma de decidir tudo à distância, também acentuou o que de pior tinha a lógica neo-feudal de governação das escolas e agrupamentos. Também aqui a retórica das boas enunciações acerca do “trabalho colaborativo”, da “partilha dos materiais e métodos de trabalho”, da “cooperação” não tem qualquer correspondência na prática, porque o que tem acontecido é – com naturais, honrosas e admiráveis excepções – que grupos pequenos e cada vez mais estanques têm assumido o domínio total das decisões tomadas, raramente reagindo bem a críticas ou pedidos de “aclaramento” dos procedimentos. 

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Um “novo paradigma” não pode ser o mesmo de sempre em termos de procedimentos + computadores + sessões à distância em sincronia. Caso contrário é apenas o velho paradigma com roupagens novas.

pg contradit

Dia 42 – Sinais Confusos

Quanto às escolas, anuncia-se um regresso do Secundário nas disciplinas com exame do 11.º e 12.º ano, mas em regime “voluntário” por parte dos alunos. O que pode parecer razoável, mas levanta mais questões do que lhes responde. E quem optar por não regressar às aulas presenciais? 

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Há duas semanas para que tudo isto seja devidamente esclarecido. Porque definir datas deveria ser depois de o essencial estar devidamente preparado. Mas parece que o importante é fazer anúncios. O resto, logo se vê.

diario

No Blogue Da FFMS

A quarta e última crónica de Abril. Os testemunhos dos alunos que tenho recolhido são mais numerosos e alguns bastante interessantes, pelo que esta é apenas uma breve amostra.

E o que vivem e pensam os alunos?

Logo que começou o 3º período e se (re)estabeleceu o contacto com os alunos no modelo de “tele-ensino”, não me interessou muito a solicitação apressada de tarefas com base nos conteúdos programáticos ou tentar criar uma (impossível) sensação de “normalidade”.

Em vez disso, interessou-me saber como estavam, qual a sua experiência desde o início do confinamento, como ocuparam o seu tempo, como evoluiu o seu estado de espírito, o que mais lhes agradou ou desagradou em todo este novo contexto.

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Por França

Alguma confusão, entre a vontade de uma data clara para a “retoma” por parte do Presidente e uma maior prudência do governo.

Déconfinement : contraint par le choix présidentiel du 11 mai, le gouvernement a choisi d’écouter les avertissements du conseil scientifique

Le premier ministre a averti, mardi, qu’il allait falloir « vivre avec le virus » et souligné « le risque d’une seconde vague ».

Galo

Mas Que Raio De Contas São Estas?

O problema prioritário não é a doença ou morte das pessoas? Eu percebo a lógica relativa ao SNS, mas… há algo por aqui que me incomoda nestas análises de “risco”.

O regresso gradual e progressivo à realidade vai levar as pessoas para a rua e para o trabalho e, nessa fase, as autoridades de saúde vão acompanhar de perto um painel de indicadores que lhes permita perceber se a covid-19 está controlada. O número de internamentos é um desses indicadores. Se chegar a 4000 com a reabertura da economia significa que a capacidade de resposta dos serviços de saúde está muito mal. 

surprised