A Ler

Um bom texto do João Teixeira Lopes sobre a falta das aulas físicas, porque as telecoisas são para mim exercícios sobre o quase vazio e outro do José Matias Alves que sublinha aspectos óbvios, mas que nem toda a gente parece entender acerca do novo contexto educativo. Ganharia em ter feito ali uma certa poda de passagens que resvalam para a velha enunciação de uma certa teologia da educação (desnecesssárias algumas referências aos dogmas em vigor nos pontos 8 e 9, por exemplo), mas os maiores nacos de prosa são de mero bom senso.

Finger

2 opiniões sobre “A Ler

  1. Tenho algumas coisas a dizer a propósito da ‘Carta abertaaos educadores ‘:

    Citação 1
    «Não estamos no tempo do classificar, do ordenar, do hierarquizar, do premiar e do sancionar. Estamos num tempo de uma avaliação para as aprendizagens relevantes para a vida. Esqueçam os programas. Centrem-se nas aprendizagens essenciais e no perfil desejável do aluno à saída da escolaridade obrigatória. Nos conhecimentos, nas atitudes, nos valores que é importante promover e desenvolver.»

    Aqui, a poda pedida pelo Paulo, é mesmo essencial:

    – Parece-me que a maioria dos professores vai basear a sua avaliação no conhecimento que tem da atividade dos alunos até março e não vai em dois meses tomar decisões ao nível da avaliação (descrita pelo autor, ainda por cima!, em termos algo maoístas). Confesse-se esse facto, ou não. Penso mesmo que deveria ser assim, mesmo que não houvesse confinamento…

    – O autor avança depois para um conceito muito na moda em alguns pedagogos que se assume na expressão ‘Aprendizagens relevantes para a vida’. O que quer que isto seja e como quer que isto possa ser compulsado!
    Pior, ainda! Fica subjacente a possibilidade esta aprendizagens serem avaliadas à distância. Avaliadas a partir de um momento fugaz numa plataforma qualquer de videoconferências.

    – Quanto ao enriquecedor ‘esquecimento dos programas’ proposto, eu, que também papei o ‘Il Maestro’, tenho a dizer que é bom não perder de vista que os programas são os esteios da nossa atividade. Cabe-nos, em todas as circunstâncias, moldá-los aos nossos alunos e, confessemo-lo sem rebuço, à nossa própria visão do mundo e à nossa atitude perante a realidade que nos confina…

    – Também é importante lembrar que só veiculamos e incutimos atitudes e valores aos nossos alunos no contacto que temos com eles no dia a dia. Dentro da sala de aula, mas, essencialmente, fora da sala de aula. Aquela coisa do currículo oculto de que nos falavam durante o estágio e que muitos colegas nossos fazem por esquecer a pretexto da liberdade de fazer opções de vida…
    Adiante:Peço desculpa, mas, ao nível da transmissão de valores, querer competir ciberneticamente com a novela da hora do jantar e/ou com os papás em tempo de confinamento, é das ideias mais limitadas que tenho ouvido.

    Vai daqui que o excerto citado anula o teor do artigo do colega José Matias.
    E depois, a parte que não é anulada pelo excerto, baseia-se em tergiversões da realidade que a mim me cansam e me mortificam. Veja-se a pérola:

    «Os pais não podem ser transformados em auxiliares da ação educativa dos professores e das escolas. Esqueçam o mais possível as notas. Promovam aprendizagens e requeiram evidências minimalistas que os alunos possam realizar (não os pais).»

    Afinal, somos nós, professores, quem transforma os paizinhos em auxiliares de educação?
    A infantilização dos miúdos e a inimputabilidade que a sociedade faz aos pais, chega ao ponto de fecharmos os olhos aos papás que se imiscuem abusivamente na relação entre professores e alunos?
    Se proponho uma atividade aos meus alunos quero saber como é que eles reagem a essa atividade para adequar o próximo trabalho ao seu ritmo e mesmo aos seu interesses. Esta é a base de qualquer relação sadia de ensino e de aprendizagem. Seja formal, seja informalmente.

    Pessoalmente, já fui confrontado com tudo:
    com papás a dizerem-me que estão cansados;
    com papás a exigirem-me que me deixe de Nearpodes, de Kahoots e do diabo a 4 e envie fichas para fazerem em casa com os filhos;
    com papás que recusam (esta até compreendo e aceito) que os pimpolhos liguem o video em conferencias e comuniquem por ‘chat’…
    Enfim!

    Os brasileiros dizem que a profissão mais difícil do mundo é ser treinador de futebol porque todos os brasileiros são treinadores de futebol. Eu digo que a profissão mais difícil do mundo é ser professor porque todos os portugueses são professores e ‘educadores de estampa’.

    E o pior de tudo é que nós, professores, temos muita culpa disso. Como diz o outro: ‘Quem mais se abaixa, mais mostra … o que não quer mostrar.’ E ficamos assim.

    E atenção: quando desabafo algumas desta mágoas, lembro-me sempre de um colega que se recusa a aceitar-se como funcionário público. O colega tem toda a razão.

    Saúde, bom confinamento para todos e muita santa paciênciazinha.

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  2. Muito bom, o texto de João Teixeira Lopes. Vejo-me retratado na descrição apaixonada do que é uma aula autêntica, que é tanto mais gratificante quanto exigente. Às vezes, chego à sala de professores, vindo de uma aula suada que me deixou um brilho nos olhos, assim como nos olhos dos alunos, e só encontro conversas banais, perguntas estéreis, comentários vazios. Sentado, pouco ou nada falando, pergunto-me como serão as aulas destes colegas, sobretudo daqueles que seguem sem pestanejar todos os imperativos dos pseudo-novos pseudo-paradigmas pedagógicos oficiais. Um pedido, para terminar: comparem o artigo do Teixeira Lopes com qualquer um dos textozecos testemunhais que vão sendo publicados no Blogue do Arlindo (vão sentir tanta vergonha alheia como eu).

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