A Circulatura Da Interpretação Única E Legítima

  1. Há umas conversas em circuito fechado acerca da melhor maneira de lidar com uma situação que não é de solução clara e evidente.
  2. O gabinete de um governante manda cá para fora, de modo discreto ou nem tanto, uma espécie de fuga de informação sobre a solução provisória pensada após esse “diálogo”, mas de maneira que possa ser sempre negada a sua autoria ou legitimidade.
  3. Conforme as reacções, acerta-se ligeiramente a proposta oficial que agora se torna recomendação/instrução e se envia, em primeira mão, aos canais de comunicação “certos”, tradicionais ou inovadores.
  4. O documento em causa aparece publicamente por fim com chancela mesmo oficial (mas nem sempre com assinatura clara) e só então chega aos directamente interessados.
  5. Percebe-se que o documento está mal redigido, porque é pouco claro numas passagens, omisso em outras ou apenas disparatado em aqueloutras. Surgem as críticas que se acusam de apenas colocarem “problemas” e não terem lido correctamente o que foi determinado por mentes reconhecidamente preocupadas com o bem comum da Nação.
  6. O tal governante vai à televisão apresentar a interpretação legítima do raio do documento, sempre que possível sem qualquer contraditório e com um@ pivô adequadamente compreensiv@ com o interesse nacional numa situação de crise como esta.

Circo2

(o processo reinicia-se as vezes que forem necessárias e conforme as mijinhas tidas como indispensáveis para ser possível limpar as mãos à parede dos inconseguimentos e incompetências)

5 opiniões sobre “A Circulatura Da Interpretação Única E Legítima

  1. Assertividade e precisão este texto do Paulo Guinote.
    No caso do E@D, a sua implementação decorreu assim:
    1 (13 Mar) A incompetência e o nepotismo da maioria dos diretores adotaram modelos de E@D, de ensino mitigado, estéreis na aprendizagem e ao arrepio da inclusão e da proteção dos dados.
    2 (27 Mar) Acompanhando a declaração do ministro “inclusivamente, as escolas já se adiantaram ao próprio ME”, são constituídos 8 princípios orientadores para a sua implementação, baseados no trabalho entretanto desenvolvido pelas escolas.
    3 (13 Abr) Transformado em força de lei, o conteúdo deste diploma remete para o Roteiro as suas principais linhas de intervenção, n.º 1, artigo 2.º, “… de acordo com as orientações do Ministério da Educação”.
    4 (17 Abr) O novo diploma legal obriga as escolas a elaborarem os seus Planos de E@D, orientados pelos princípios do Roteiro que, inspirado nos modelos de sua iniciativa, representam a incompetência e o nepotismo da maioria dos diretores.

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