Mas O Que Há Mais Por Aí São Idiotas Que Lhe Bebem Os Números Como Dogmas

Os 6,5% de redução do PIB por mês é mais uma daquelas patacoadas sem qualquer lógica (em menos de ano e meio teríamos economia “negativa”) que muita gente usa para justificar a “retoma” apressada, quase a mesma que acreditou nos números absolutamente ficcionais da reposição do tempo de serviço docente.

Bar aberto no Novo Banco

Centeno sobre Novo Banco: “Pode ter havido uma falha de comunicação mas não houve falha financeira”

Centeno King

Sobre A Literacia Digital

Depoimento para a peça do Educare sobre o tema, embora esteja lá a transcrição praticamente total.

Antes de mais, dizer que toda esta situação é inédita, não tanto pelo ensino à distância (que existe no formato MOOC e e-learning ou mesmo b-learning há vários anos com resultados interessantes), mas pelo motivo que obrigou ao seu recurso generalizado nos moldes em que aconteceu e as faixas etárias que está a envolver.
.
Quanto às questões “centrais”.
Os alunos estão ou não preparados e focados para este ensino à distância que requer a utilização de tecnologias e novas plataformas?
.
A resposta é tão variada quanto são diversas as situações desde os meios disponíveis à motivação, passando pelos equipamentos disponíveis. É muitas vezes dito que as gerações mais novas “já trazem o chip” dos suportes digitais e que são nativos de um mundo já dominado pela tecnologia quando nasceram. Isso só é parcialmente verdade, por duas razões principais: a primeira é que uma competência para determinados procedimentos não nasce do facto de convivermos com eles em nosso redor. A sua aprendizagem é necessária e mesmo que seja mais rápida entre quem já nasce rodeado por aparatos tecnológicos não significa que tenha sempre sucesso ou que se transforme em verdadeira mestria. A segunda razão é que o acesso aos meios tecnológicos é muito desigual na sociedade, como sempre aconteceu com a generalidade das inovações ao longo dos tempos. A História ensina-nos que os grandes avanços tiveram sempre “vencedores” e “perdedores”. Os que ficaram na vanguarda graças ao domínio das novas técnicas (do fogo ou da roda à imprensa, à máquina a vapor, à biotecnologia) e os que foram deixados para trás. Veja-se o caso da vacinação que há mais de meio século se generalizou no mundo desenvolvido, mas ainda hoje tem dificuldades em impor-se em várias zonas do mundo. E o mesmo é válido para as novas tecnologias.
.
Por outro lado, os alunos até podem ter acesso a alguns equipamentos, mas nem sempre têm a capacidade ou a disciplina necessárias para gerir uma nova situação que vai além do uso de redes sociais ou a exploração de jogos na perspectiva do utilizador. Algo tão simples como regras de segurança para gerir os nomes de utilizador e palavras-passe em diferentes equipamentos pode tornar-se um quebra-cabeças. Mesmo no Ensino Secundário, algo tão elementar como um registo na Escola Virtual pode provocar um avalanche de mails ou mensagens por incapacidade em perceber procedimentos muito simples. E em reter as informações para a sua exploração.
.
Pelo que a literacia digital (e não é caso exclusivo português) é muito heterogénea, desigual e muitas vezes superficial.
.
E os professores?  
.
Aos professores aplica-se parte do que foi dito para os alunos, mas não necessariamente pelas mesmas razões. A adaptação às novas tecnologias foi gradual, foi uma imersão progressiva desde, como no meu caso, os finais dos anos 80 e por vezes o problema é a capacidade para acumular mais informação nova e ir acompanhando a sucessão de ferramentas, dos suportes físicos (eu continuo a desgostar dos formatos miniaturizados ao máximo, mesmo se muito portáveis) às plataformas. Para quem nasceu no tempo do trabalho manuscrito ou da tecla batida e da tira correctora, o que mudou em cerca de três décadas foi imenso e nem sempre é fácil acompanhar o “estado da arte” em matérias digitais.
.
A isso acresce o facto de existir uma enorme pressão por parte de alguns grupos mais dedicados a estas novas ferramentas para que todos adiram a elas, embora nem sempre com as melhores metodologias. Ou seja, os suportes digitais deveriam servir para um aligeiramento dos procedimentos, para a chamada “desmaterialização” da burocracia e da documentação e não para a sua replicação. E isso não tem acontecido. Em muitas escolas, as ferramentas digitais não substituem as analógicas, apenas se sobrepondo a elas e criando uma nova camada de trabalho hiper-burocrático. E com isso, os problemas têm tido dificuldade em lidar. E não necessariamente apenas os mais velhos. Também os mais novos protestam com a irracionalidade de múltiplas grelhas de monitorização e registo de actividades que replicam o que as próprias plataformas já fazem de forma automática.
Computer2

O Problema Não É O Prazo

Para resolver isso, bastaria começarem os procedimentos de contratação no início desta semana. Só que os horários ainda estão por definir na maioria das escolas. O grande problema é o interesse em ir leccionar mês e meio de aulas, com encargos que mal compensam os rendimentos (haverá horários completos?), em situação que acumula os riscos de saúde à precariedade. Para além da responsabilidade de se irem leccionar disciplinas com exame final do Secundário.

E o problema mesmo, mesmo, complicado é que tudo pode acabar numa chuva de recursos.

Ministério encurta prazos de contratação de professores para tentar garantir aulas

peaners