Deliberação Do Conselho Geral Do Agrupamento De Escolas Alberto Sampaio

O Conselho Geral do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, reunido em 12 de maio, de 2020, votou, por unanimidade, a seguinte posição relativamente ao retorno às aulas presenciais dos alunos dos 11º e 12º anos e à realização de exames nacionais no ano letivo de 2019/2020:
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  • Professores, assistentes operacionais, funcionários dos serviços de Administração Escolar, pais, alunos e repetivas famílias correm riscos com o regresso às aulas presenciais perante os quais as garantias de segurança dadas pela Tutela são manifestamente insuficientes, muito mais quando a relação “custo-benefício” se anuncia, no mínimo, duvidosa.
  • Persistem sérias dúvidas quanto à existência de recursos físicos e humanos suficientes para a necessária desinfeção dos espaços escolares, com especial relevo para as casas de banho (poucas e com ainda menos lavatórios para higienização das mãos);
  • A maioria das turmas é composta por 28 a 30 alunos, pelo que, e para manter a devida distância social recomendada, teremos dois tipos de situações que não trarão qualquer benefício nem para alunos, nem para professores: ou a turma, na sua totalidade, ocupa um grande espaço sem as condições acústicas necessárias à projeção de voz para que o docente, com máscara, e sem possibilidade de circular pelo espaço, seja ouvido, nomeadamente pelos alunos que se encontram mais longe do professor; ou a turma é dividida, no mínimo em dois turnos, pois cada sala não comportará mais do que 15 alunos, o que causa grandes limitações espaciais, assim como nos horários de alunos e de professores;
  • Os constrangimentos resultantes da divisão das turmas, aliados ao horário de funcionamento definido pela Tutela (das 10:00 às 17:00 horas) implicam que os alunos tenham apenas, em regime presencial, metade da carga horária a cada disciplina;
  • Em caso de infeção, mais do que previsível, não haverá equidade, na medida em que algumas turmas entrarão em quarentena, enquanto as outras continuarão presencialmente. Caso os professores sejam comuns, todas as suas turmas entram em quarentena.
  • A avaliação externa, garantida pelos exames nacionais, será tida em conta exclusivamente para o ingresso no Ensino Superior, no presente ano letivo, sendo o Diploma do Ensino Secundário atribuído com a Classificação Interna Final;
  • Não há uma solução equitativa para os casos de alunos com doenças graves que os impeçam de frequentar as aulas presenciais, muito menos para aqueles que, em situação de infeção ou de quarentena, ficam impedidos de realizar o exame nacional, pondo em causa, em particular no caso do 12.º ano, o acesso ao Ensino Superior na primeira fase, bem como o trabalho desenvolvido ao longo dos 3 anos.

Concluindo,

Os objetivos deste regresso não são explicitados pela Tutela com argumentos pedagógicos, mas antes como uma medida de desconfinamento, para se procurar “uma solução social e económica de equilíbrio”, escudando as orientações emitidas meramente em questões técnicas.

Situações inéditas, como a que vivemos, implicam medidas extraordinárias. A insistência na manutenção dos exames, quando o Diploma do Ensino Secundário será atribuído com a Classificação Interna Final, torna ainda mais patente que os exames nacionais mais não são do que pôr o Ensino Secundário ao serviço do Ensino Superior, visto que servirão exclusivamente para a ele aceder.

Tendo em conta estes condicionalismos, o Conselho Geral entende que o regresso às aulas e a realização de exames nacionais deverão ser suspensos.

AESAS

16 thoughts on “Deliberação Do Conselho Geral Do Agrupamento De Escolas Alberto Sampaio

  1. Aplaudo estas iniciativas, mas continuo a acreditar que teriam mais efeito se “tirassem o tapete” a alguns diretores emproados! Pelo menos ainda há quem esteja vertical no mundo da Educação.

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  2. Será que o ME vai ter reação? Que reação tem tido a outras posições já manifestadas? Estamos com um governo de surdos, cegos e incompetentes. Algumas escolas estão a tentar soluções mistas, soluções de compromisso em que todos perdem. Para manter as aparências. Ninguém diz que o rei vai nu ou que fede. Os que falam, falam baixo e não conseguem uma voz. Uns falam para outros que falam para outros numa corrente que se dissemina, mas não engrossa.
    Os ditos órgãos de gestão na maioria das escolas são ecos da voz do dono receando… Receando… Muito medo se tem neste Portugal nascido de abril! E o silêncio das Associações de Pais tão céleres em emitir opiniões em ocasiões em que deviam estar calados nada têm a dizer? Onde estão os seus filhos? Vão à caminho da escola na próxima segunda? Vão apanhar transporte? Vão ter aulas presenciais a 50 por cento e não presenciais a 100 por cento? Ou não vão, porque podem ficar em casa e frequentar os explicadores do costume? E perante a fantochada dos militares e ministros nas escolas para, veja-se a grandiosidade do gesto, deixarem gel desinfectante e máscaras para todos. Ainda pensei que fosse alguma brigada para arranjar as salas que têm janelas avariadas que não abrem ou, quiçá, algum militar engenheiro capaz de vir a suprir as falhas de docentes que o ministério vem dizer que se podem contratar. É tudo muito mau, mesmo muito mau.
    Gostava de ouvir alguém rebater os argumentos que têm sido apresentados. A sério que gostava. Alguém conhece quem defenda este retorno à escola? E que explique tudo muito bem explicadinho?

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    1. Muito bem, Margarida MF.
      Só quero deixar aqui uma achega com poucas palavras. De facto, isto é um barco muito grande. Toda a comunidade escolar a nível nacional é imensa, e tem que haver respeito por toda a comunidade. Está-se a pôr o carro à frente dos bois. Felizmente, uma escola não é uma industria, onde trabalham pessoas sim, mas, há sempre uma forma de reestruturar espaços adequados ao seu funcionamento. Mais uma divisória, mais uma barreira, mais ou menos uma mascara e as coisa funcionam. Uma escola, tem muitas ligações interpessoais, com diversos conceitos. No meio desta azafama e discussão, tudo é problemático, mas os alunos, são os mais usados. Por isso, como já foi dito por alguém, os senhores encarregados de educação, através da comissão de pais, a que devem por-se em bico de pés, com todo o direito a ser ouvidos, e que nunca a voz lhe doa, para falar alto em defesa dos seus filhos que são a mais valia de uma escola; porque é da escola que sai o futuro do nosso país. A Bem da educação, a bem do ensino, os Conselhos Gerais nas escolas têm que ser preponderantes, assertivos, e trabalhar em prol escolas, mas sempre na defesa do interesse dos alunos.

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  3. Bem hajam pelo discernimento, pela coragem e coerência nessa vossa tomada de posição. Lamentável é existirem muitos outros docentes a pensar o mesmo, mas sem haver uma tomada de posição conjunta. Refiro-me a muitos outros agrupamentos que apenas executam o que lhes mandam.

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    1. A maioria dos agrupamentos é liderado por diretores-lacaios que julgam ainda irão chegar a secretários de estado.
      São tão acéfalos que nem sequer perceberam que a fila já conta com mais de MIL candidatos!
      Nota: temos um SE que potencia este comportamento todos os dias…até faz de conta que os conhece pessoalmente e que, com eles, tem uma relação de amizade …. tem o mesmo comportamento com todos, só que cada um acha-se único, e o primeiro da dita fila!!!!!!!

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  4. Um enorme parabens para a tomada de posição racional.
    Esperemos q na pratica tomem medidas para q os alunos e todo o grupo docente seja o mais protegido possivel por toda ssta situação, e que para alem de dividir as turmas por turnos, criem solucoes p quem estiver de alguma forma impedido de ir às aula, nome adamente, mantendo ainda uma solucao mista de aulas presenciais e por internet para q nenhum aluno fique prejudicado.evitando ainda focos de contagios maiores.
    Outros agrupamentos q lhes sigam o exemplo e talvez o ministro da educação reveja a sua posição e pense mais na proteção dos alunos e grupo docente e menos em politiquices para q os nossos alunos possam continuar com a aprendizagem até final do ano, de forma segura e igual como aconteceu neste ultimo mês.
    Um bem haja a todo o grupo da direção e q continuem a tomar decisões inteligente.
    Paula Pereira

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  5. O governo só atende às “famílias”, nomeadamente as do pai ascenção, espécime apurado do pai albino, que está no bolso dos governantes como o outro também estava. Porque sem apoio institucional, aquilo definha e a “disponibilidade” mirra para fazer fretes em tudo o que são debates e aparições por encomenda.

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  6. Muitos parabéns.
    Regresso às aulas presenciais vai servir para “treinar o próximo ano letivo”, diz António Costa.
    Cá estão os professores e alunos do ensino secundário a servir de cobaias…
    Tentaram fazer isso com o ensino superior, mas o ensino superior respondeu: não há segurança. Só.
    O ensino secundário ajoelhou-se (quase todo). Não querem passar do nível onde estão.
    Mas, ainda bem! Há sempre alguém que diz não!!!
    Sigamos o exemplo desta ESCOLA. Ainda estamos a tempo!

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