Opiniões – Lia E António Ribeiro

Sete razões que demonstram que o regresso a esta modalidade de aulas presenciais vai, objetivamente, prejudicar a aprendizagem dos alunos.

Como está a ser concretizado o ensino à distância:

  1. Até à data os alunos da turma do 12º ano estavam «presentes», através do google meet na plataforma Classroom, nos seis tempos letivos semanais (desde a interrupção letiva que foram lecionados em interação síncrona a totalidade dos tempos letivos com a presença de todos os alunos);
  2. tinham acesso a um conjunto de recursos através de aplicações PowerPoint partilhadas (textos, mapas, gráficos, esquemas …);
  3. era possível observar vídeos educativos e realizar a posterior análise com os alunos; 4. existiu sempre uma participação ativa da maioria dos alunos da turma em todas as aulas;
  4. realizaram, com raras falhas, as tarefas propostas no final de cada sessão, para trabalho autónomo.

Com esta modalidade das aulas presenciais teremos esta «nova realidade»:

  1. não está garantido, por vários motivos, que a totalidade dos alunos compareçam no estabelecimento escolar, criando desigualdades no acesso às aprendizagens que não existiam;
  2. como a turma vai ser dividida por turnos, os alunos deixam de frequentar de 6 tempos letivos semanais para passarem a frequentar apenas 3 tempos letivos (50% de redução), sendo os restantes 3 tempos letivos na escola dedicados a trabalho autónomo que poderia perfeitamente ser realizado em casa (para se perceber melhor, os alunos vão estar todos na escola ao mesmo tempo, mas em salas diferentes, estando um turno em aula com o professor durante quarenta e cinco minutos enquanto o outro turno está a realizar trabalho autónomo, passado este tempo, o professor troca de sala e repete a aula ao outro turno ficando o primeiro em trabalho autónomo);
  3. As interações com os alunos, interpretação de documentos vários, debates, etc…, irão decorrer de forma diversa nos diferentes turnos, impedindo momentos importantes de aprendizagem que eram possíveis com todos os alunos presentes simultaneamente;
  4. Respeitando as «orientações para o regresso às aulas em regime presencial (11º e 12º anos de escolaridade e 2.º e 3.º anos dos cursos de dupla certificação do ensino secundário)», publicadas pela DGEstE, as salas de aula terão de permanecer arejadas (pontos 5 e 17, págs 2 e 4), o que não vai permitir o escurecimento parcial, impedindo a utilização eficaz do videoprojector, retirando aos alunos o acesso a um conjunto de recursos essenciais para o desenvolvimento da aula;
  5. Respeitando as referidas normas publicadas pela DGEstE, não vai ser possível distribuir recursos em suporte papel ou recolher trabalhos escritos pelos alunos (ponto 10, pág. 7 «Evitar tocar em bens comuns e em superfícies»), o que impede a distribuição de recursos ou a realização de fichas de avaliação em suporte escrito;
  6. Respeitando as referidas normas publicadas pela DGEstE, os alunos não poderão realizar atividades em grupo ou mesmo a pares (ponto 5, pág. 2 «um aluno por secretária. As mesas devem estar dispostas com a mesma orientação, evitando uma disposição que implique ter alunos de frente uns para os outros»);
  7. Respeitando as referidas normas publicadas pela DGEstE, o professor e os alunos terão de utilizar as máscaras no interior da escola e sala de aula (ponto 1, pág. 6), com todas as dificuldades inerentes para uma eficaz para a comunicação oral.

É motivo para se ficar perplexo com esta medida que não tem qualquer racionalidade económica, pelo contrário, vai implicar um enorme investimento do dinheiro dos contribuintes em material de proteção individual e na higienização dos edifícios escolares.

Este seria um momento óbvio para que as decisões pudessem ser ponderadas no âmbito da autonomia escolar. Cada escola, analisando o caso específico de cada turma em colaboração com o professor da disciplina, alunos, pais e encarregados de educação, verificaria qual a melhor solução para a continuidade das atividades letivas.

Uma medida interessante seria abrir o espaço escolar para os alunos que podem ter dificuldades, por falta de meios tecnológicos, em aceder ao ensino à distância. No recinto escolar poderiam ter acesso a esses meios e participar nas atividades.

Em conclusão, em alguns casos, o regresso a esta modalidade de atividades presenciais é contraproducente, isto é, um risco para a saúde que para além de desnecessário apenas vai dificultar o processo de ensino-aprendizagem que estava a decorrer. O regime presencial tem evidentes vantagens relativamente ao ensino à distância, mas esta modalidade, estou a referir concretamente esta modalidade de regime presencial, é extremamente limitativa.

Lia Ribeiro e António Ribeiro

Finger

8 thoughts on “Opiniões – Lia E António Ribeiro

  1. isto é tudo tão mau… concordo, em absoluto com a Lia e o António. Não há uma vantagem em regressar nestas condições. A não ser levar avante uma teimosia do ME e, claro, fingir que se está a preparar melhor os alunos para os sacrossantos exames.,,,

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  2. Eu não sou assim tão crítico do regresso (e sou dos que vão regressar…), mas há uma grande falta de bom senso em muitas coisas (do Ministério e de muitos Diretores). Gosto especialmente duma périola constante das “Alterações ao Decreto-Lei n.º 14-G/2020” e relativa aos cursos profissionais. Passo a transcrever:

    “Nos cursos profissionais são oferecidas em regime presencial todas as disciplinas, no respetivo ano terminal,cujos conteúdos ou designação sejam semelhantes às das disciplinas dos cursos científico-humanísticos com oferta de exame final nacional”.

    Cujos conteúdos OU designação. Isto é, se uma disciplina se chama, por exemplo, Economia, mesmo que, como de facto acontece, os conteúdos lecionados não tenham qualquer relação com os do exame, tem que haver aulas dessa disciplina, apenas e só por causa do nome!
    Para que conste, eu não sou professor de Economia, mas a única coisa que espero é que nenhum aluno apareça nestas aulas absurdas.

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    1. Eu não sou crítica do regresso…pelo contrário! (e também vou regressar)… sou crítica do regresso nestas condições. vai ser um arremedo de aulas. pior do que as que estão a ter. e com muito menos proveito…

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  3. Objectivamente e Obviamente. Mas ninguém é demitido. O reino da Dinamarca apodrece à vista de todos. Só ganham os abutres e eles são muitos. Espreitam os vampiros, à espera de vez.
    Olha, vou costurar máscaras. Enquanto enfio a agulha, acerto a bobine, escolho o tecido, vejo no youtube como se faz.. Sempre me distraio de tanta coisa que me faz mal aos “nerbos”. Ainda a procissão não saiu do adro… O que vale é que ainda podemos vir aqui ao quintal, quanto mais não seja para carpir mágoas..

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  4. Por um ínfimo mês que pouca ou nenhuma repercussão vai ter nas nossas avaliações, não se justifica todo o processo, todas as complicações, o risco e o sofrimento de alunos e professores. E ainda temos de gramar com declarações abjectas de secretários de estado (que já não sabem há muito tempo o que é se quer a escola) a dizer que se deve combater o medo, provocando eles próprios o medo em alguns alunos, o medo de faltar às aulas por opção do encarregado de educação, esse medo sim não devia se quer existir durante uma pandemia. Somos alunos, sem alunos não há escola e não entendo porque ninguém nos auscultou sobre este regresso.

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