E Mais Um Desabafo

Os casos vão chegando. Uns publicáveis, outros nem por isso. Mas, para que conste, o maravilhoso mundo das oportunidades pandémicas começa a assumir, à aproximação da recta final, a sua faceta menos transparente.

(…)

Sou professora e mãe de uma aluna do 11° ano que frequentou a primeira semana de aulas presenciais e a seguir desistiu, até por conselho do médico que a acompanha, pois tem problemas de ansiedade. Podia ter colocado atestado, mas não, por opção meti a declaração de desistência devido às situação de pandemia.

As aulas de FQA estão a ser transmitidas online e claro achei que [ela] poderia continuar a assistir. Qual não é o meu espanto quando a DT e a professora lhe disseram que não podia continuar a assistir às aulas, ordens da direção, pois estava impedida, pela lei, de continuar a ter acompanhamento às aulas presenciais.

Fiquei furiosa e disse que a minha filha ia continuar a assistir até que o diretor da escola me informasse e justificasse o porquê desta medida. Na manhã de sexta-feira recebi um e-mail do diretor a informar que não podia assistir e anexa o doc sobre a legislação existente.

Vivo em [entre o Douro e o Minho]; fiquei furiosa, porque apenas pedi para que continuasse a assistir às aulas dadas online pela professora, que está em casa, não pedi apoio a mais nenhuma disciplina. E sei que a professora em causa teria todo o gosto em que minha filha assistisse às aulas.

Liguei para a DGESTE, norte; depois de várias tentativas lá consegui falar com alguém, uma pessoa muito receptiva e que achou que eu tinha razão. Queria que eu ligasse para a escola a falar pessoalmente com o diretor, disse que não, uma vez que este foi recém-colocado, e havia dedo de outras pessoas, subdiretora, uma pessoa muito arrogante. Disse.me que conhecia a situação da escola, e que sabia das questões pela qual passava.

Ficou ela de falar com o diretor a ver se resolve a questão. Eu disse lhe que a lei era omissa [e] que dizia que os alunos não podiam assistir presencialmente a umas disciplinas e a outras não, mas neste caso trata se apenas de aceder a um link que tem instalado no computador para aceder à aula. Disse-lhe também, que na próxima aula iria entrar e que queria ver o que é que a escola ia fazer! Perguntei se a iam bloquear!!

Enfim, ficou espantada, tal como eu; a minha filha é uma boa aluna, desistiu porque foi o melhor para ela e agora parece que se estão a vingar. Este artigo, desta mãe, que acabaste de publicar, veio dar ainda mais sentido a todo este processo de reclamação que iniciei, esta colega coloca a questão de uma forma bem mais exigente, e muito bem! Afinal estão a querer, deliberadamente, marginalizar estes alunos.

(…)

exclama

11 thoughts on “E Mais Um Desabafo

  1. Tudo isto , todo este processo é um perfeito disparate.
    Pobres alunos e pobres professores.
    “Casa em que não há pão , todos ralham e ninguém tem razão.”
    Estas diferenças entre escolas / alunos / regras não dão para acreditar.
    É inacreditável e profundamente enervante e triste.

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  2. Mais uma prova de que uma das primeiras vítimas do vírus foi o bom senso.
    O ME manda alunos e professores regressar porque reconhece que o ensino presencial tem mais qualidade e que esse acréscimo de qualidade vale o risco acrescido de se regressar às escolas. Mas, se por motivos de saúde, um professor não pode dar aulas presenciais, qual o sentido de estar a dar as aulas pela net, com os alunos na escola? Qual a diferença se os alunos estivessem em casa? E não serve o argumento de que está na sala outro professor porque na minha escola esses professores são de outras disciplinas, estão lá só para “tomar conta”.

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  3. Se esta senhora é professora deveria saber que o problema não está na escola, nem na direção (que só cumprem ordens), mas no Tiaguinho, no Costa e nos outros acólitos do ME, que não sabem o que é uma escola e só produzem verborreia. Casa onde não há pão…

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      1. Porque neste país “cada cabeça, sua sentença”, o que só origina falta de equidade e tratamentos discriminatórios.
        Também podia perguntar:

        Por que razão há escolas com inflacionamento de notas (e, não, não é só nas privadas)?

        Por que há escolas onde os pais é que mandam, põem e dispõem?

        Por que razão há escolas e conselhos gerais que tomaran posição frontal contra este absurdo de regressar à escola, e outras não?

        Por que há escolas onde os alunos do 11 e 12 têm metade do tempo da matriz nas aulas presenciais e outras um terço ou até menos? Não vão todos fazer o mesmo exame?

        Por que razão o ministro e o SE (a outra é um erro de casting) não se entendem sobre nada? Porque não se suportam e querem o mesmo poleiro.

        As perguntas poderiam continuar. Casa onde não há pão…

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      2. “Manuel” todos esses erros não justificam mais um.
        A verdadeira razão é que a esmagadora maioria dos diretores só quer agradar ao dono ( leia-se ME) e como é isto que o dono quer, estão-se nas tintas para alunos e professores.
        Até estão à espera que quando regressarem os congelamentos, que a “leitona”(avolumou-se mas continua “leitona”…) hoje pré-anunciou, voltem a ter 100% de aumento como lhes ofereceu a criatura rodrigues, no auge da crise.
        Será novamente o prémio pelo amordaçar e perseguir dos professores.

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  4. Desabafo
    Foi com um misto de desprezo e revolta que ouvi esta manhã uma senhora ministra dizer que “o governo, como sabem, não privilegia o corte de rendimentos” quando ainda não há muitos meses até o direito à contagem do tempo de serviço dos PROFESSORES negou (e a consequente reposição nos escalões da carreira)….

    Quem assim fala não pensa no que diz, ou não tem vergonha na cara. Desprezo! Por quem deixou o Ensino no estado miserável em que ficou depois da sua miserável actuação

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    1. Pardal,
      Acabei de ouvir agora.
      Disse não serem previsíveis aumentos na administração pública em 2021 , mas … ignorou ou desvalorizou os aumentos previsíveis de tudo. A fazer figura de boazinha .
      Muita lata é o que é.

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  5. Uma toda poderosa. O que lhe sobra em arrogância, falta-lhe e sentido de justiça. Como se a não contagem do tempo de serviço ( uma injustiça gritante…) não se traduzisse em corte de rendimentos para toda a vida, incluindo os anos de aposentação!
    Desprezível!!!

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