O Faroeste Do Secundário

Os relatos que me chegam de muitos conselhos de turma desta semana são pavorosos, como se a situação de pandemia justificasse tudo e mais alguma coisa. A casta que já antes estava instalada, de gente que acha que sabe muito porque até fez esta ou aquela formação oficial em estudos bíblicos, tomou o gosto pelo poder e decide o que bem entende, atropelando qualquer critério ou procedimento em vigor, sempre “em nome do interesse dos alunos”. Quem antes não fazia nada passou a ter direito a 10 automático; quem pouco ou nada fez, apenas demonstrando existir passou a ter direito a 14, porque certas auto-proclamad@s madresteresas ou mandelas de agrupamento ou escola não agrupada passaram a ter poder de mando sobre quase tudo e não hesitam em atropelar o que lhes parece a mais ténue desconformidade em relação às suas crenças míopes e tantas vezes medíocres. Que conseguem fazer vencer na base de uma variante nada soft de bullying.

Ainda bem que sou “básico”.

E isto é já o futuro.

Shame

 

24 thoughts on “O Faroeste Do Secundário

  1. Devagar, devagarinho, a transição “automática” de ano no EB está a ser replicada no Ensino Secundário!
    Iisto” não é favorecer os alunos; “isto”, embora não pareça, é roubar-lhes o futuro.

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    1. maria,
      É mesmo !
      ” Isto ” é roubar – lhes o futuro.
      E as diferenças acentuados ?
      Quem tem ” unhas ” consegue pagar umas boas explicações … e os restantes?
      Tudo cheio de diplomas mas a ” ver navios “.

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    2. É verdade! O que se passa é escandaloso! As parvoíces do básico passaram para o secundário. Estão a enganar os alunos e as famílias. Mas, parece, todos gostam de ser enganados. Ignorância a rodos premiada com positivas altas. Alunos que não sabem redigir um parágrafo agraciados com 14 porque sim! Alunos com equipamentos XPTO, que nem se dignaram a ligar o computador durante o terceiro período, mas que mesmo assim não só tiveram todas as faltas justificadas (não pelo encarregado de educação, que nem se dignou a responder aos emails da escola, mas pelo próprio dt!) quando a situação se configurava de abandono escolar, como ainda transitam com brutas notas. Equidade? Nunca houve tão pouca entre as escolas deste país.

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  2. Confesso que estive 100% do lado dos meus alunos. Cada caso foi um caso. A desorientação que foi este 3º período, permitiu muitos laxantes… de todas as partes. Só tinha 8º anos, alunos que conhecia e que fiquei a conhecer de outro modo com o E@D. Por isso não me fez fez espécie alguma advogar, com conhecimento de causa, a transição de alguns deles para o ano seguinte.

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  3. Nada de novo. No básico e no superior também já era e é assim. A escola passou de depósito a contentor: impede os futuros jovens desempregados de começarem já a causar problemas.

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  4. A mobilidade social é uma cenoura. A razão da ascensão da classe média nunca foi o mérito. A lógica é a mesma do sorteio da Santa Casa. E quanto às classes mais baixas continua a ser a criminalidade a única via de ascensão. Felizmente esta via vai estar em expansão.

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      1. Chamam-se confidências e acasos. Uma minoria explícita. Há ciência feita e publicada.
        Na minha Wikipédia não consta o vocábulo “Fafista”. Queria dizer fadista?

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  5. Guinote… De há uns tempos para cá as reuniões no secundário são sempre assim. Lamento informar mas este ano a coisa está simplesmente IGUAL.
    Usa-se a retórica do E&D mas nada mudou desde há uns anos para cá.

    Só quero relembrar um pormenor para os mais esquecidos. Num ano letivo normal, um aluno que tenha frequentado o 1° e 2° períodos e no 3° tenha faltado a todas as aulas justificadamente, por lei VAI TER A NOTA DO 2° PERÍODO.

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      1. Infelizmente desde a entrada deste governo tenho visto esse aumento nos 3° períodos de uma forma regular.
        A promoção para o sucesso tem muita força nos gráficos internacionais.

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  6. Pode-se culpar o vírus tanto quanto as notícias sobre rankings, por exemplo. Até o cálculo de probabilidades podemos culpar. Se todas sobem só são inspeccionadas umas quantas, é capaz de compensar. Quantas mais subirem menor é a percentagem das que são apanhadas. É só vantagens. Parece-me que haveria algumas escolas que ainda resistiam e usam agora o vírus como desculpa para alinhar na manobra.

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  7. Ele há casos e casos. Alguns dos comentários sugerem, pela forma e até por vezes pelo conteúdo, que é assim em todos os casos. Estive em 4 reuniões. Numa delas não transitaram 10 de 26 alunos, o que não impediu que em dois outros casos tenham sido votadas pelo conselho de turma duas classificações possibilitando uma transição e uma progressão. Assisti à atribuição fundamentada de classificações mais baixas no terceiro período.
    Madresteresas e Mandelas de agrupamento sempre existiram. Pelo menos desde as últimas duas décadas do século passado. Não são novidade nem exclusivo deste governo. Se podem ou não sentir-se mais ” respaldadas” é uma questão que muitas vezes tem a ver com os conselhos de turma.

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  8. Nada é novo, a pandemia apenas deu azo a argumentos (vamos chamar-lhes assim) tão “pandémicos” que exigiam uma cerca sanitária para conter mais esta vaga de certificação da ignorância. Um dia saberemos a sua dimensão…

    Não seria mais honesto instituir a passagem automática? Devo dizer que a ideia nunca me agradou, mas sou forçada a concluir que seria, pelo menos, mais transparente. Ganhava-se, portanto, em transparência, o que seria um grande avanço num país que tão pouco a cultiva, com a vantagem de ainda se poupar tempo.

    Niilismo, não! Realismo pois, olhando para trás, não posso deixar de concluir que os conselhos de turma se têm vindo a transformar, cada vez mais, em simulacros!

    Mas a ignorância é atrevida e tem um efeito boomerang! Será que alguém se estará a esquecer desta parte? A nossa história é rica em exemplos… Por isso vamos falhando as sucessivas oportunidades.

    Na cauda vamos ficando, ficando, apesar de uns simulacros de progresso, que a pandemia já se encarregou de rebentar, tal balão da criança que ignora, alegremente, a sua fragilidade.

    Ilhas há de excelência, mas sempre ilhas… Parece fado…mas não é! Esta história é escrita por todos nós!

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