É Para Cumprir Sempre (Que Possível)!

Mail amigo fez-me chegar este resumo a partir das orientações da parceria DGEstE/DGE/DGS, que publiquei há um par de dias, para o próximo ano lectivo:

A direção de cada agrupamento de escolas é responsável… sempre!

Devem manter-se as janelas e/ou portas abertas, de modo a permitir uma melhor circulação do ar… sempre que possível!

Deverá ser acautelada formação adequada ao pessoal não docente responsável pela limpeza e desinfeção do edifício escolar… sempre que possível!

O estabelecimento deve criar espaços “sujos” e espaços “limpos” e estabelecer diferentes circuitos de entrada e de saída, bem como de acesso às salas… sempre que possível!

Desenvolver as atividades, preferencialmente, em pequenos grupos ou individualmente… sempre que possível!

Privilegiar atividades em espaços abertos (pátios, logradouros, jardins)… sempre que possível!

Assegurar que os objetos partilhados entre crianças são devidamente desinfetados entre utilizações… sempre que possível!

Privilegiar o contacto com as famílias à entrada da instituição, mantendo o distanciamento físico recomendado… sempre que possível!

Os grupos/turmas devem ter horários de aulas, intervalos e período de refeições organizados de forma a evitar o contacto com outros grupos/turmas… sempre que possível!

As aulas de cada turma devem decorrer na mesma sala e com lugar/secretária fixo por aluno… sempre que possível!

As mesas devem ser dispostas junto das paredes e janelas… sempre que possível!

Deve garantir-se um distanciamento físico entre os alunos e alunos/docentes de, pelo menos, 1 metro… sempre que possível!

Períodos de almoço desfasados entre turmas, de forma a respeitar as regras de distanciamento e evitando a concentração de alunos… sempre que possível!

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(e há 2 “sempre que aplicável”…)

11 thoughts on “É Para Cumprir Sempre (Que Possível)!

  1. “Sempre que possível “é sinónimo de “seja o que Deus quiser “ou de “salve -se quem puder “, se se infetou o problema é seu, não é de quem está no gabinete ministerial ou quem sabe, em teletrabalho!

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  2. “sempre que possível” é um ato de fé que denuncia incompetência e cujo objetivo é demasiado simples: antecipar a culpa dos outros.

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  3. Um país de uma zona remota de um continente subdesenvolvido deve ter um Ministro da Educação, sempre que possível, embora em caso de pandemia fosse recomendável que isso se tornasse eventualmente obrigatório. Só em casos devidamente justificados se poderá considerar a hipótese de se prescindir dessa figura de estilo, podendo nesse caso as suas competências serem delegadas, quase de certeza, nas direcções escolares, nos presidentes das Juntas ou nalguma personalidade que esteja de passagem a caminho de casa. Foi o que me aconteceu, faz agora uma meia hora, quando o Coxa desviou o olhar do monitor, para tentar perceber quem era o imprevidente que lhe vinha fazer sombra à porta da venda nesta hora em que a canícula aperta.
    — Ó compadre, ainda bem que o vejo! — exultou o comerciante, atingindo com um valente perdigoto a mosca que lhe roubava a pouca paciência sobejante de tão árida leitura — Estava aqui a tratar da correspondência e verifiquei que tenho a caixa do email cheia de mensagens de um tal senhor Rodrigues. Tem vagar para me me dar uma ajuda?
    — Com certeza amigo Coxa. Qual é a aflição?
    — Preciso de nomear homem de confiança para gerir a educação em Traseiras. O negócio não me deixa tempo para responder a tanta mensagem e vejo-me obrigado a delegar a minha pouca competência.
    — E quais seriam as minhas funções?
    — Compadre, no essencial consistem em desenrascar-se. Acha que me pode apresentar um plano?
    — Amigo Coxa, permita-me que o contrarie, mas não conheço engenheiro ou filósofo que para se desenrascar tenha feito um plano!
    — Maneira de dizer. O que eu quero é que me desenrasque um plano para pôr os catraios novamente na escola, porque este que o Rodrigues me mandou não bate a bota com a perdigota!
    Meditei uns momentos para o encorajar a convidar-me para uma amarguinha gelada. Quando vi o copo meio cheio decorado com vestígios de condensação na parte de fora, decidi-me a aliviar o Coxa das suas atribulações metafísicas.
    — Parece-me, antes de mais, que é preciso desenvolver uma estratégia de comunicação. Como os recursos são escassos, apenas lhe peço que me forneça um saco de serradura para confinar o gato, e penso ter a solução para o seu problema.
    O Coxa arregalou os olhos suplicando uma explicação.
    — Se colocarmos numa caixa de serradura esse tablete que os chineses lhe ofereceram, estou certo de que em breve deixaremos de receber mensagens do senhor Rodrigues. Mas o sucesso da manobra depende de convencermos o vadio do Trivela a circunscrever o fluxo à área onde ele produzirá maior efeito. Como não tenho tempo para o treinar, teremos que o confinar à força.
    — O compadre devia dedicar-se a política. Para si tudo se resume a uma estratégia de comunicação. Mas e o plano?
    — Não há-de ser difícil. Faremos um ensino misto de presencial e a distância. Presencial porque a professora irá à escola dar as aulas. Mas em vez de a colocarmos em perigo pela presença dos miúdos, usaremos manequins na sala para tornar o cenário mais realista. Os miúdos poderão continuar a seguir as aulas à distância.
    — Quer o compadre dizer pela internet?
    — Não amigo Coxa, do lado de fora da sala. O senhor Rodrigues não pede para se manterem as portas e janelas abertas e os miúdos sentados junto a elas? Ora então aí tem a solução para o seu problema.
    Quase convencido, o Coxa sorveu dois golinhos de amarguinha.
    — Morgado, não acha que se perde algo da interacção entre mestre e discípulo se implementarmos esse plano?
    — Não é certo que assim seja. Basta que aumentemos em meio metro o comprimento da vara.

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  4. Morgado, os meus sinceros parabéns. Por este andar ainda o vão convidar para substituir, com ganhos que não têm só a ver com a estratégia de comunicação, o Rodrigues. Bem haja.
    E vai uma amarguinha gelada que tão bem sabe nestes tempos de canícula.

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  5. Mesmo assim, e para variar um pouco, prefiro este “sempre que possível” a ordens quadradas e obtusas muitas vezes sem possibilidade de aplicação prática.
    É certo que aumenta a responsabilidade de cada escola, mas também permite que cada instituição possa aplicar as medidas da melhor maneira (poder que tanto, por aqui, nos fartamos de reclamar).

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