Coisas Que (Não) Batem Certo

Mais mortes, os casos de infecção a não descerem, o fim das reuniões de políticos com especialistas (depois da birra do PM na anterior), os principais “fornecedores” do nosso turismo a colocarem-nos na lista negra dos destinos, as demissões na área da estatística da DGS.

Tudo parece não bater certo com o discurso oficial da direcção política do governo e de algumas das âncora da actual estratégia na comunicação social. Mas bate certo com algumas previsões pessimistas e com alguma desconfiança acerca da transparência de tudo isto.

E é engraçado quando se diz que é tudo em Lisboa e se sabe que existem surtos por todo o país e só em Reguengos há 16 mortes.

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Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego

 

As “Migalhas”

Ontem, já fora de tempo útil para publicações, tomei conhecimento por diversas pessoas, curiosamente, a maioria de “esquerda”, deste texto do Malomil sobre a nomeação de Rita Rato para directora do Museu do Aljube.

A nomeação não me espanta, como não me espantaria qualquer outra, mais ou menos disparatada, porque sei há muito tempo como estas coisas funcionam.

A diferença é que, até há algum tempo, as cliques e clientelas ainda procuravam disfarçar um pouco este tipo de tachos (não há outra forma de colocar as coisas) com uma aparência de adequação ao cargo. Claro que há muitos exemplos, mais ou menos pretéritos, de casos absolutamente escandalosos, mesmo se na área da História as coisas sempre mantiveram algum decoro. Sabe-se que a pessoa foi nomeada por pertencer a este ou aquele grupo maioritário ou “alternativo”, ter dado esta ou aquela queca em dada altura da “carreira” ou ser apenas @ idiota certa no lugar adequado para servir de porta de entrada para todo o resto.

No caso de um museu, é a porta para quem organiza e comissaria exposições, para quem desenvolve lá actividades como formações para professores (é o caso do Aljube), quem coordena e participa em ciclos de conferências. As coisas são assim há muito tempo e  duvido que alguma vez tenham sido de outro modo.

Mas havia uma aparência de decoro. Conheço nomeações políticas e clientelares puras e duras, mas as pessoas em causa ainda tinham algum currículo. Agora já não existe tal tentativa de encobrir as coisas e só recuam em casos extremos. Vitalino Canas no Constitucional? Foi travado, mas duvido que Assis seja parado para o Conselho Económico e Social, pois o PSD e o CDS adoram aquele tipo de banha política com escassa forma. Sim, eu lembro-me de Armando Vara e Celeste Cardona na CGD, mas não eram entidades de regulação, coordenação ou supervisão do estado.

A nomeação de Rita Rato é uma das compensações para que o PCOP se oponha quando não há perigo de complicação e se abstenha quando há. Ou vote a favor. Há outras,e m outros quadrantes, não é qualquer novidade, excepto no facto de muitas posições estratégicas relacionadas com a preservação da Memória Histórica estarem a ser entregues a gente que lá está com o papel de a distorcer e truncar. Não por ignorância ou falta de qualquer competência (e é aqui que divirjo do António Araújo), mas porque é esse o seu papel.

Não tenho qualquer dúvida que existirão no Aljube imensas iniciativas interessantes a partir de agora. Como também tenho a certeza que existirão tantas outras que nunca poderão acontecer. Porque iriam contra a pseudo-verdade histórica que Rita Rato subscreve naquelas declarações em que declara não conhecer situações como os gulag ou os atropelos aos Direitos Humanos na China.

Alguém acredita que com Rita Rato possa existir uma exposição ou ciclo de conferências plural sobre os totalitarismos no século XX?

Repito… nada disto é novo.

Mas disfarçavam-se melhor as dádivas e tenças. Os quid pro quo do regime. Agora é às escancaras.

Mind

(escrevi isto há quase 15 anos... mantém-se, assim como isto sobre os “constritores da memória”)