A Malta Mexer-se, Mexeu-se, E Até Pagou Para Isso

O recibo relativo ao primeiro parecer que foi pedido ao jurista Garcia Pereira em finais de 2008 e que nos chegou em Fevereiro de 2009. Houve mais dois, felizmente menos avultados, mas dá para ter uma ideia – para quem se esqueceu, não viveu isso ou estava a defender outros castelos – do que foi preciso mobilizar em termos materiais e de confiança junto de milhares de colegas.

Recibo Gp_LI

Há toda uma história por fazer, que não se esgota na da manifestação de 8 de Março ou nas que lhe sucederam (ou antecederam), sobre a capacidade de mobilização dos professores e de ainda ter esperança em “movimentos” que escapavam às torres controleiras. Os “peões” lançados para o tabuleiro foram-se descaindo com o passar das peripécias, mas estes ainda eram os tempos em que eu a Reb/Helena Bastos e a Olinda tínhamos de assinar os cheques e assumir as responsabilidades, chegando mesmo a certa altura de avançar pessoalmente o dinheirinho para que existisse “movimento”.

Eram outros tempos. A vários níveis. Até os “monos” apoiavam ou, pelo menos, não estorvavam muito.

Deu em pouco ou mesmo nada? Poisssss……. um gajo aprende………

(claro que, pelo meio de muita boa vontade, houve daquelas “criaturas” a quem apetecia dar um par de galhetas bem arrefinfadas, que se aproveitaram do nib para tentarem pagar contas suas, fazendo com que eu levasse meses a fio a ir ao banco anular movimentos… incluindo uma senhora que decidiu que lhe deveríamos pagar a assinatura da Deco ou o simpático que tentou fazer passar a conta do telemóvel…)

(este é o período que prima pela falta de comparência de alguns dos cromos que agora andam por aí a webinar como se fossem os melhores amigos dos professores, mas então até se borravam só de pensar em por a cabecinha fora da casota… ou do gabinete… mas não gostam nada que se lhes aponte as falhas de carácter… )

10 thoughts on “A Malta Mexer-se, Mexeu-se, E Até Pagou Para Isso

  1. Mesmo! Bons dias! Esses!
    Como é possível passarem assim os anos!
    Tem jeito para escrever , quando tiver o tempo a rodos vai ter de ser algo sobre ” o tempo da nossa história” ….ou “a memória do nosso tempo ou a história da nossa memória ” 🙈🤯😵🤧🤦
    UFA …MELGA 👏

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  2. Bons tempos. Boas opções em qualquer ponto de vista. A força da razão nem sempre vence, mas não era a mesma coisa. Aquele abraço a todos (e sim; concordo; história por fazer).

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  3. As lutas de professores, os “lutadores oficiais” e a capacidade que estes têm de torpedear tudo o que lhes escape ao controle… É ou não verdade que os comunistas, marxistas-leninistas-estalinistas sempre encararam a classe docente como um ramo da burguesia, e por isso como uma força anti-revolucionaria (na lógica de merda que formata aquelas cabeceiras idiotas…..”Comunismo, o que só idiotas sabem o que é” Fernando Pessoa)? Na autobiografia, Richard Kapushinski (o nome lê-se assim mas escreve-se doutra maneira) diz que os pais dele sofreram no período revolucionário por serem professores, e por isso encarados como potenciais contra-revolucionarios. Ora em Portugal o que é que, durante décadas, um grupo de dirigentes de um partido comunista ortodoxos que se reivindicam do estalinismo, faz à frente de um sindicato de professores?

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  4. Valeu a pena! Pelo menos não fomos pêra! Em tudo é preciso tentar e avançar, senão ficamos sem saber o que se poderia ou não conseguir. Baixar os braços? Nunca!

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  5. Bastou uma estratégia das ditaduras, colocar um comissário político em cada escola, pago ( não se esqueçam que, no auge da crise e dos cortes, tiveram um AUMENTO de 100%) para disponibilizar fidelidade canina ao dono, para amordaçarem e espezinharem todos (ou quase) os professores e apagarem todas as lutas.
    Hoje continua assim e os comissários políticos instalados vitaliciamente e naturalmente impunes.

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  6. Tanto sofrimento para … nada.
    Fomos traídos, espoliados, saneados … precisamente por aqueles que nos deviam defender.

    Nunca mais esquecerei o Presidente Marcelo, que opina sobre tudo e mais alguma coisa, mas não foi capaz de proferir uma palavra sobre os professores quando o primeiro-ministro ameaçou fazer cair o governo do país (!) à nossa conta.

    Bem pelo contrário, Marcelo alinhou com todo o enxovalho feito aos professores. Têm memória curta? Não se esqueçam disso nas eleições!

    Por esses motivos, deixei de ser professor. Assumo-me como entertainer e o país tem aquilo que merece: gerações de analfabetos funcionais. Se preferirem, a vingança serve-se fria com uma bofetada de luva branca!

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  7. Vá lá, parece que ao menos ainda há uma franja de professores que percebe o “modus operandis” de quem está na luta, não para ganhar as lutas, mas para viver e se alimentar delas. Diz muito bem o colega que refere que isto, e não só, devia ter assumido pelos comedores de pizzas, pois só em autocarros e bandeiras e autocolantes gastam mais. E se não chegar, há sempre umas ações de formação (a pagar pelos crentes) sobre a melhor forma de preencher os objetivos individuais…

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  8. E tens razão Paulo, a malta mexeu-se! Eu até acho, agora à distância, que, no meu caso, me mexi demais para o ganho que tivemos… a quantidade de escolas que eu percorri a convite de colegas para sessões de luta sobre o modo de congelar/suspender o modelo de avaliação… a quantidade de vezes que fui às Caldas, a Lisboa, a Leiria, a Almada, etc, etc, etc, a quantidade de reuniões que ajudei a organizar na minha escola, muitas vezes pela madrugada dentro, etc. etc., todas as despesas, gasolina, tlm, etc, sempre do meu bolso, sem nenhum outro objetivo que não fosse unir o meu esforço ao de outros, foi realmente uma luta de que me orgulho, até pela força coletiva que emanou nesses momentos. Tenho pena que não tivesse ido mais além, nomeadamente, no tal problema que se mantém… o modelo de gestão! Enfim… por mim, não perco a esperança que algo ainda se possa fazer. E, por acaso, ter um advogado disponível (de preferência mais barato) seria muito importante agora para levar a tribunal certos diretores que por aí andam a infernizar a vida dos colegas e a aplicar a lei como bem lhes apetece e dá na gana, atropelando direitos essenciais dos professores!

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