O (Anti-)Racismo É Uma Moda?

Porque dá a sensação que sim e que há quem se sinta muito bem no papel que escolheu nesta espécie de triste circo. Os que, finalmente, parecem querer sair da casca sem tantos preconceitos e aqueles que, nunca os tendo visto fazer seja o que for em tal matéria, agora batem no peito do anti-racismo. E tudo me parece encenado, dando corpo a uma estratégia mediática para ocupar o pouco espaço que o vírus e os perseguidores do Cavanni deixam livre.

E fazem-me lembrar aquele vulto do esquerdismo nacional com que contactei alguns anos e que, mal teve dinheiro de obra bem paga, mudou de casa e como critério básico só tinha o não querer ciganos por perto. Ainda bem que o recente manifesto não chegou aos 40 ou a criatura ainda por ali aparecia.

O problema do racismo merece muito mais do que estátuas degoladas ou condenações de desfiles de máscaras.

janus

8 thoughts on “O (Anti-)Racismo É Uma Moda?

  1. Há tantas coisas em relação às quais devíamos ser anti….por exemplo: anti-salários baixos, anti-falta de cuidados de saúde básicos, anti-especulação nas rendas de casa, anti-subsídios a quem vende nas feiras e não paga impostos, anti-canalizadores e eletricistas e outros que tais que não passam recibos e que declaram ao Estado o ordenado mínimo, anti….bom, acho que já perceberam a ideia!
    Agora vêm com esta coisa toda do racismo num país onde as misturas raciais estão à vista de todos! Pelo menos na zona metropolitana de Lisboa há gente de todas as cores e tonalidades. Racismo?!

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  2. Sim, é uma fina camada de verniz, mesmo em gente bem intencionada. E depois há aqueles que vemos fazer profissão de fé nas redes sociais mas cuja prática está cheia de preconceitos e iniquidades de toda a ordem. O que me espanta mais é a necessidade vaga de fazer alguma coisa inconsequente, tipo ativismo de Twitter e Facebook, e depois pensar que se está a alterar alguma coisa de substancial. Claro que é para esquecer quando outro #assunto começar a ser mais apetecível. E para as pessoas que acham que devemos seguir o caminho psicologista americano e gritar mea culpa, somos todos racistas, a qualquer oportunidade, professar uma história simplista de opressores e oprimidos (reverso da história simplista dos navegadores e exploradores), isso serve para quê e resolve o quê? Ameaças de morte ou assassinatos são puníveis por lei mas o que fazer em relação à fantochada a macaquear os neo-nazis americanos – proibir, reprimir, prender, interrogar? Sei que existem e não percebo a mentalidade num país de emigração. Mas os seres humanos são complicados. Não vivo em Portugal e é comum imigrantes (de várias origens) resmungarem contra a chegada de mais imigrantes. A resposta que se segue é “sim, também sou imigrante mas é diferente”. Como combater esta irracionalidade? O caminho americano pode servir algumas auto-estimas e tendências sado-masoquistas mas é socialmente destrutivo, o ativismo de rede social é inconsequente e um joguete no negócio da venda de dados e de publicidade dos gigantes de Silicon Valley. Resposta não tenho mas parece-me que parte estará no trabalho lento mas discreto que, por exemplo, os sistemas de ensino públicos têm vindo a fazer (apesar das acusações pontuais de racismo) de educação de todos (seja qual for a origem). Em Portugal vê-se hoje surgir na cena cultural (música, literatura, política) portugueses com ascendências noutras paragens*. Acredito que também em áreas menos públicas e menos celebradas. Isso não é bom nem mau. É consequência natural de viverem no retângulo.

    *Não são tão pioneiros como nos querem fazer querer mas trazem algo de novo, resultante da mistura de influências de um novo mundo, mais ligado.

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  3. Como se a vida de uma mulher alguma vez tivesse sido fácil! Aturar os maridos das outras às tantas da manhã, trabalhar sem horários e sem direito a subsídio de isenção do dito, atender a todo o tipo de taras sem subsídio de risco, e agora, como se tudo isso não bastasse, não poder recorrer aos subsídios da Segurança Social e ao lay-off. Santa Maria Madalena lhes valha.
    Para cúmulo, vem agora uma bastonária fustigar-lhes os costados e deixá-las sem os jeitinhos do contabilista recomendado pelo subgerente da agência bancária!
    Foram cinco anos e uma reconversão empresarial que só encontra paralelo na transformação em SADs dessas grandes lavadeiras chamadas clubes de futebol. Cinco anos a declarar ordenado mínimo à Berta Coxa e à Lina Maluca, mais os respetivos descontos para a reforma. Cinco anos de uma contabilidade tão organizada que nem o Pinto Pirata conseguiria descobrir-lhe alguma tramóia. E comissões bancárias pagas a propósito de nada, todos os meses, sonegadas aos proventos que as colaboradoras da empresa angariaram, fruto de um intenso trabalho de relações públicas e de um tratamento personalizado prodigalizado a todos os clientes, como aliás recomendam os mais modernos manuais de gestão empresarial. E agora népia! Nem um jeitinho! Quando se sabe que a quebra dos rendimentos neste sector foi maior que o de um qualquer Furo de Resolução algaliado por um velho santo travestido de novo branco nova iorquino com os pêlos das ventas cheios de pó.
    Alegam as entidades que uma certa quantia proveniente teria sido depositada na conta da empresa, desequilibrando a frágil relação entre o deve muito e o parco haver. Ora acontece que a quantia que se encontra, apenas provisoriamente, albergada no nosso porco mealheiro — Deus me perdoe mas não há outra maneira de classificar esta entidade bancária —, pertence a um tal de Zé Neves e provém do peditório de uma missa em França. Trata-se de um contributo dos nossos emigrantes e é destinado ao alargamento do Centro de Dia para a Terceira Idade de Traseiras de Judas. O dito Neves, não querendo vaguear na animada noite traseirense com tanto dinheiro na algibeira, pediu à Lina Maluca que lhe lambesse o envelope e depositasse a quantia na greta da agência, para crédito da conta da empresa atrás referida. Após a abertura de conta em nome da Associação para o Adiamento do Além (AAA), entidade que tem como único propósito evitar que este se torne no último inverno dos nossos clientes mais idosos, a Lina realizaria uma transferência bancária e a empresa voltaria à miséria.
    Os poucos dias em que a contabilidade da empresa sinalizou um excedente, seguidos de uma brusca quebra de liquidez quando a Lina devolveu o dinheiro que lhe confiaram, foram suficientes para a empresa passar a ser considerada negócio sólido e mais respaldado que um espírito novo num banco santo. Sendo assim não dá jeito que seja apoiado.
    Pena é que a bastonária não encontre nas contas dos grandes outro defeito que não seja o de, por gratidão de um funcionário pelo carinho que uma mãe solteira lhe vendeu com o profissionalismo de quem parece estar a oferecer, eles por vezes se distraírem e ajudarem os pequenos.

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  4. “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.”
    Nos tempos de vacas gordas, não há racismo. Nos tempos de vacas magras, porque a manta não chega para todos, há racismo, xenofobia, elitismo, discriminação, radicalismo e fundamentalismo de todo o tipo. Ao de cima vem o pior do ser humano. Novidade? Não. Vimos isso em todas as guerras.

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