Terreno Escorregadio

Cerca de um terço dos funcionários públicos tem mais de 55 anos e a classe docente, dos primeiros ciclos até ao Ensino Secundário, é uma das que apresentam maiores índices de envelhecimento. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) indicou, num relatório do ano passado, que “Portugal terá de substituir um em cada dois professores na próxima década”.

MAIS JOVENS E PRÉMIOS

O objetivo é rejuvenescer o pessoal, não só através do incentivo às pré-reformas com renovação dos quadros, mas também com os salários de acordo com a formação e a qualificação.

“O Governo irá contribuir para o rejuvenescimento da Administração Pública, através de percursos profissionais com futuro, alteração da política de baixos salários, reposição da atualização anual dos salários e, valorização da remuneração dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do mérito”, refere o documento que seguiu para consulta dos parceiros sociais.

Há por aqui terrenos sinuosos para serem trilhados com aquela “elegância” a que Alexandra Leitão nos habituou. O que está na notícia, não é bem o que o Arlindo “ensaiou” há uns tempos, naquela polémica novos/velhos. Embora a lógica do aplainamento deva ser uma das linhas orientadoras.

A minha curiosidade está naquela da valorização das “qualificações”. O que quererá dizer? Que se terão em conta os graus académicos, pois a malta mais nova já sai toda com mestrado e ainda não há muito se negou a equivalência das velhas licenciaturas com profissionalização a esse grau?

(mas quase aposto que depois há graus “bons”, que dão bónus, e graus “maus”, que não interessam à tutela domesticadora…)

Quanto aos “prémios”… ui… nas escolas, a avaliar pelo “circo” instalado nos últimos tempos e reforçado com as circunstâncias da pandemia, nem quero ver como será feita a recompensa de métodos “inovadores” de gestão. Em especial, quando depender de gente que está nos cadeirões desde o tempo da pedra mal polida e que acham que o cúmulo da inovação é forrar as almofadas e colocar cortinas com florzinhas.

(já agora… desculpem-me a “lembrança”, a talhe de foice romba, mas se as provas do Desporto Escolar estão suspensas, o que vão coordenar os coordenadores do dito que, em algumas escolas, têm mais reduções à pala do crédito respectivo do que o mais matusalém dos colegas?)

14 thoughts on “Terreno Escorregadio

  1. O terreno é escorregadio. E é mais escorregadio ainda porque o argumento de valorizar salarialmente os professores é muito gosmento. É até seboso.
    Ao fim e ao cabo, para que é aquela treta de dizer-se todos os anos que os professores portugueses são assim uma espécie de príncipes do renascimento da docência, se depois se reconhece que os salários dos professores são uma miséria e não cativam nenhum miúdo com um QI acima de troglodita que hesite entre a docência e a contabilidade agrícola.

    Como dizia o outro: a mentira tem sempre uma perna muito curtinha.

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    1. E quando o ME substituir todos os “velhos”, vai substituir por velhos como eu, que andaram 20 anos contratados e andarão outros vinte a tentar estar perto de casa. Contas feitas… Lá para os meus 60s…

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  2. E também não percebo como este ano não se reformulou o PNL e os destacamentos nas bibliotecas escolares. (era preciso desdobrar turmas de salas pequenas na minha opinião) O meu agrupamento não tem secundário. Mesmo assim tem 4 professores nas bibliotecas. De referir que 2 são professores com ausência de componente letiva por doença.

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  3. E com o encerramento do ludopédio dentro de algum tempo (a não ser que se reveja a regra que impõe um número mínimo de jogadores em cada equipa para que os encontros se possam realizar), restará o campeonato entre o público e o privado para ver que aguenta mais dias. Nos hospitais já se viu que o público ganhou por falta de comparência. Nas escolas a equipa das particulares parece estar em aquecimento com encerramentos parciais, primeiro de algumas turmas, depois de anos de escolaridade por inteiro.

    PS: A vaidade de alguns! Há quem pense que se não estivesse no desempenho de cargos de relevo seria, mesmo assim, convidado para comissões de honra.

    PC: A competição entre as duas maiores confissões em Portugal continua acesa. Ambos precisam de vender cromos para aliviar a tesouraria. O Fé Esperança e Caridade ganhou ao Abril Sindicatos e Geringonças por 70 000 a 16 000. Mas o VAR ainda está a analisar os números do COVID.

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  4. ADSE: UM ESPANTO! COMPARTICIPAÇÕES ABAIXO DE UM TERÇO EM TRATAMENTOS DE PRIMEIRA NECESSIDADE NO REGIME LIVRE. E ISTON QUANDO ESSES SERVIÇOS RARAMENTE ESTÃO DISPONÍVEIS NO SNS. Pouco a pouco a malta irá perceber como a saúde é só para os ricos e a velhice só para os super-ricos. E estava-se mesmo a ver!

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  5. Ui , ui …
    … ” Valorização da remuneração dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do mérito ” …
    Nem é preciso dizer mais nada.
    Terrenos escorregadios ? Escorregadios , perigosíssimos , propícios a todo o tipo de golpadas .
    Lá iremos voltar a ver “colegas” tão aplicados e interessados que até combinam fazer a limpeza da escola sábados e domingos.
    Que tristeza !

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  6. Os alunos adoram, amam a Escola, o que não gostam é das aulas.
    Agora , sem convívio, sem conversa, sem brincadeira, como irão ser as aulas? A Escola vai transformar-se numa autentica prisão, um inferno para professores, funcionários e alunos.
    De máscara o tempo todo, limitados a espaços apertadíssimos, qual o aluno com resiliência para aguentar um dia, quanto mais um ano escolar!
    Preferia ter o meu filho em casa, livre para se poder movimentar à sua vontade, com acesso às aulas à distância, podendo gerir o seu estudo sem stress, do que enviá-lo para a prisão em que estão transformadas a maioria das nossas escolas.
    Isto sou eu, que coloco a saúde do meu filho à frente de qualquer interesse económico.

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  7. O Paulo não gosta que se diga isto mas a carreira remuneratória sempre esteve errada quando se fundamenta na verticalidade etária; nunca incomodou porque todos tinham expetativa de a percorrer na totalidade. Quando se criaram barreiras orçamentais e administrativas que levam a uma geração ficar impedida de percorrer a carreira até ao topo, gerou-se uma frustração que fez evidenciar o incómodo de vários executarem a mesma função mas receberem salários diferentes porque nasceram em datas diferentes.

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