Terreno Escorregadio – 2

Gostava de acrescentar um ou dois detalhes ao post do fim de semana acerca da ideia de “premiar” ou “valorizar” as qualificações dos docentes. Porque não sei se serão as qualificações académicas, se aquelas que nos enfiam pelas goelas abaixo, em moldes quase obrigatórios, sob o manto de “formação contínua” certificada lá por Braga. Ou se, se forem académicas, teremos, como já se passa, aquelas que são aceites como virtuosas – com chancelas das doutoras arianas, do secretário costa ou do inclusivo professor rodrigues, só para exemplificar – e as que não são reconhecidas para nada? Eu exemplifico… um mestrado/doutoramento em Desenvolvimento Curricular ou Gestão Escolar no instituto ou faculdade certa dá direito a progressão e “bónus”, mas se for numa área disciplinar específica, de natureza mais científica, ficará a chuchar no dedo?

Porque me parece que o plano será recompensar os séquitos, a partir de uma definição muito estreita do que serão consideradas qualificações com “mérito” para a docência. Até porque já há por aí antecedentes… que devem muito às conveniências de passagem e muito pouco a qualquer critério de objectividade.

Se não é assim, serei o primeiro a reconhecer. Mas… se há gente em que não acredito na boa-fé em termos de definição de carreiras na administração pública é em quem se especializou na análise do modo como se alteram as circunstâncias de contratos estabelecidos pelo Estado.

10 thoughts on “Terreno Escorregadio – 2

  1. A notícia do JN de que parte o post refere-se à administração pública na totalidade e não apenas ou em particular à classe docente.
    Não se dará o caso de esta discussão ser estéril?

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    1. Jorge Mendes,
      Recomendo vivamente a (re)leitura da notícia.
      Em particular desta parte:

      “Cerca de um terço dos funcionários públicos tem mais de 55 anos e a classe docente, dos primeiros ciclos até ao Ensino Secundário, é uma das que apresentam maiores índices de envelhecimento. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) indicou, num relatório do ano passado, que “Portugal terá de substituir um em cada dois professores na próxima década”.
      https://www.jn.pt/nacional/governo-reforca-premios-e-incentiva-pre-reformas-dos-funcionarios-publicos–12718293.html

      Por uma questão de “fertilidade”.

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      1. O excerto que refere não muda em nada o que afirmei atrás. Não é necessária qualquer (re)leitura. Re(leia) o Paulo, se para aí estiver virado, a totalidade da notícia.

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    2. Jorge Mendes ,
      Há sempre sábios mal dispostos.
      Lá por se aplicar a toda a Administração Pública , não invalida que sejam alteradas as ” circunstâncias de contratos ( JÁ ) estabelecidos com o Estado “.
      Discussão estéril ? Essa agora .

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  2. O princípio da boa fé nos políticos não se pratica, logo em quem….vai por aí abaixo nos partidos. É uma figura de direito que se fala porque fica bem falar dele….o resto e tudo para eles e amigalhaços…

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  3. Caro Magalhães

    O excerto que o Paulo Guinote apresenta surge no texto da notícia a propósito da implementação ativa de uma política de pré-reformas. A dita política não será extensiva a todos os sectores da administração e o texto segue explicando porquê e referindo a classe docente como um dos sectores a ser abrangido por tais medidas. É nesse contexto que surge o tal excerto.
    Não é feita qualquer referência, a não ser no texto do Paulo Guinote, a premiar ou valorizar as qualificações dos docentes. Premiar e valorizar qualificações é outra das políticas a implementar em todos os sectores da administração (presume-se). Entender, da maneira que os posts do Paulo Guinote entendem, o texto da notícia, é possível mas, parece-me a mim, forçado. Ele há de facto sábios mal dispostos.

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    1. Jorge Mendes,
      Já li e percebi.
      O que diz e o que não diz.

      E depois há todo o contexto em que isto surge, o que já surgiu como proposta em blogues e outros escritos por aí, mas podemos esquecer isso tudo.

      O facto de ser a classe docente a usada como exemplo também deve ter sido um mero acaso.
      Nós podemos sempre entrar naquela de fingir que nada ouvimos, vemos ou sabemos.
      Em público ou privado.
      Sei porque escrevi o que escrevi nos dois posts.

      Eu prefiro, desde o início, colocar as linhas vermelhas à vista.
      Há quem prefira ir só pelo valor facial das coisas.
      São opções.

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      1. “”O Governo irá contribuir para o rejuvenescimento da administração pública, através de percursos profissionais com futuro, alteração da política de baixos salários, reposição da atualização anual dos salários e, valorização da remuneração dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do mérito”, refere o documento que seguiu para consulta dos parceiros sociais, depois de aprovado nesta última quinta-feira, em Conselho de Ministros.”

        Pode não ser para os docentes, especificamente.
        Mas também pode ser.

        Até porque já existem antecedentes.
        Penso que o Jorge Mendes desconhece aque já existe uma lista de mestrados/doutoramentos que dão direito a bónus na progressão e outros não. Desde 2008, com revisões posteriores.
        Link a partir daqui:
        http://www.ie.ulisboa.pt/alunos/progressao-carreira?fbclid=IwAR2iIfvpL-V9XS_YL04Px83K-m0royh14URU_injZhnYJTCTwIGCbMSNkbo

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  4. Eu sempre parti do princípio que o Paulo sabia porque escrevia o que escrevia e é por isso que fiz o reparo que fiz. Independentemente das razões que o justificam a escrever o que escreveu e que remetem para um “metatexto” da notícia, continuo a considerar que é abusivo o seu entendimento ( se nos ativermos, como procuro fazê-lo, ao texto) .
    A referência à classe docente tem um contexto, no texto, que procurei tornar claro no comentário que fiz ao Magalhães.
    Conheço a lista ( de qualquer modo agradeço a informação) e parece- me que ela já existia antes de 2008. Penso que não se deve perder de vista o facto de ser responsabilidade das instituições de ensino superior o requerer a inclusão de mestrados e doutoramentos na lista. O procedimento não exclui “compadrios”, mas pelo menos exclui a possibilidade de considerarmos que a lista, toda ela, é fruto de um “gigantesco compadrio”.

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