As Transformações Do Medo

Apesar de ser um claro simpatizante de alguns teorizadores do medo como estratégia de dominação das sociedades pelas elites políticas e económicas, acho que a generalidade dos que agora escrevem sobre o “medo da covid” ou “medo do vírus” se andam a enganar no diagnóstico da situação.

Em resumo, simplificando com o risco natural da caricatura, entre os vários núcleos que denunciam o “medo da covid” (dos que acham que uma futura vacina inserirá um chip subsutâneo destinado ao controlo das mentes aos que consideram que este “medo” é a forma de anestesiar a sociedade perante uma ameaça externa omnipresente e obsidiante de que só o Estado nos pode salvar) há um ponto comum que é o de acharem que é a ameaça da doença que está em presença, quando desde Maio que se acena com outro tipo de medo.

Desde finais de Abril que a ameaça é a do “medo da economia parar”, em especial quando, de um modo com muito de cruel (mas inegável) muita gente achou que, final, quem morria eram “outros” e, em especial, aqueles que já morreriam de qualquer modo (os “velhos”, os que “já tinham patologias mórbidas pré-existentes). E há uma união perversa entre os que acham que qualquer confinamento lhes reduz os lucros, pelo que devem ameaçar a malta com despedimentos, com os que consideram que, no fundo, morrem os mais fracos e que não merecerão tanto investimento para a esperança de vida que apresentam e com aqueles que, de um ponto de vista mais intelectualizado, receiam a extensão dos poderes de controlo dos indivíduos pelo Estado, como se a NSA (ou equivalentes) precisasse de um novo pretexto para devassar a privacidade de quem bem entender.

Se reparem com alguma atenção, há meses que a tónica maior do discurso político (e não é apenas no Brasil ou nos E.U.A. é que a “Economia não aguenta outro confinamento”, em especial se do outro lado da balança tivermos a morte de uns velhotes ou doentes que até custam muito dinheiro e trabalho ao S,N.S. e/ou à Segurança Social.

E, de repente, o número de um milhão de mortes a nível mundial torna-se uma abstracção, porque quase nenhum caso foi perto do nosso quintal e até há este ou aquele, mas era gente rija que se curou num instante, foi como se fosse uma gripe.

O medo económico substituiu o medo pandémico nuns sectores, enquanto em outro se ergueu o medo do grande irmão… como se fosse necessária uma pandemia para já nos andarem a remexer em tudo o que escrevemos, enviamos, fotografamos, vemos ou mesmo defecamos.

(ahhhh… dizem que a dona Gertrudes morreu de covid, mas ela já estava toda entrevadinha e era diabética desde pequenina. E o senhor Tibúrcio já era asmático e só respirava com uma bomba de encher pneus; já não durava muito, aquilo da covid foi só um empurrãozinho para a cova…)

 

Um Pouquinho De Ciência…

… e um pouco menos de crença nos poderes imensos do “pensamento positivo”. Deixo uma longa citação, para quem tiver preguiça em ler o original.

Lessons learnt from easing COVID-19 restrictions: an analysis of countries and regions in Asia Pacific and Europe

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Discussion

There is increasing realisation that removing COVID-19 restrictions is not about returning to the prepandemic normal but about gradually and cautiously transitioning to a new normal, while being ready to reimpose measures if, and when, necessary. Nonetheless, countries have diverged in terms of the speed, scale, and intensity at which they have implemented similar interventions, and differences can be observed between Asia and Europe in this regard. For example, many Asian countries, except Japan, promptly did extensive testing, tracing, and isolating of all cases (ie, not just severe cases) from the start of the outbreak, strengthened by innovative surveillance technology, whereas these processes have been considerably delayed in most of Europe, except Germany. Furthermore, confirmed cases are mostly isolated at institutions in Asia rather than at home, such as in Europe.

Wearing of face coverings to protect others has also been adopted to a much greater extent in Asia than in Europe. These differences should be regarded against the background of experiences with past pandemics and economic policies adopted in the years leading up to this current crisis. In Europe, more than a decade of austerity measures have substantially weakened health systems and social protection in many countries. By contrast, major epidemics, such as SARS in 2003 and MERS in 2015, drove many Asian countries to invest in building robust health-care and public-health infrastructure that would be well equipped to handle the next outbreak. The public has also been better conditioned to cooperate with strict rules and invasive surveillance in times of crisis compared with the public in countries without experience of major epidemics, with most people accepting a trade-off between their personal rights and the public good.

Although the future of COVID-19 is unknown at present, countries should plan and prepare for the worst-case scenario. It is not too late for the following lessons to be learnt and applied now. First, as described here, countries can move forward mainly on the basis of the epidemiology or on the epidemiology in combination with other considerations; however, a clear and transparent plan that describes which factors are being taken into account is essential. Ideally, these plans should explicitly state the levels or phases of easing restrictions, the criteria for moving to the next level or phase, and the containment measures that each level or phase entails.
Second, countries should not ease restrictions until they have robust systems in place to closely monitor the infection situation. Although much has been said about the use of R as a decision-making indicator, it requires data of high quality in real time (eg, use of R in Hong Kong) and it needs to be interpreted in the context of a good understanding of the epidemiology.
For example, a small localised outbreak can increase the R value for the whole country, but it does not necessitate a nationwide lockdown.

Third, continued measures to reduce transmission will be needed for some time. For example, decreasing interactions to a few repeated contacts to create social bubbles, as pioneered by New Zealand, can allow interaction while reducing transmission. It is now accepted that cloth face coverings can significantly reduce person-to-person transmission, with one German study reporting that the use of face coverings reduced the daily growth rate of reported COVID-19 infections by 40–60%.

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Crucially, governments should educate, engage, and empower all members of society, especially the most vulnerable, to participate in the pandemic response. Rather than crafting these measures on the basis of assumptions about what communities can or cannot accept, citizens should be directly involved in the process of coproducing tailored solutions appropriate for the local context.
Fourth, each country should have an effective find, test, trace, isolate, and support system in place. Preliminary data for testing suggests that identifying and isolating mild and asymptomatic cases can significantly reduce R, health-care burden, and overall fatality.

The novel drive-through and walk-through screening models in South Korea that encourage proactive testing of potential case contacts offer a safe and efficient way to expand and enhance case finding.

A modelling study has also suggested that institution-based isolation, as adopted by some Asian countries, is more effective than is home-based isolation at reducing household and community transmission.

On contact tracing, app-based tracing is estimated to stop transmission if there is a 56% uptake rate in the population, and can be effective at slowing transmission at lower uptake rates.However, digital tracing cannot replace traditional manual tracing. As more evidence becomes available, some of these strategies might be able to aid countries in maintaining viral suppression and avoiding return to a full lockdown.

Fundamentally, this find, test, trace, isolate, and support system needs to be supported by sustained investment in public-health capacity and health-system capacity in terms of facilities, supplies, and workforce. WHO and the International Monetary Fund have jointly appealed for governments to prioritise health expenditures, which should go hand in hand with training and retaining skilled workers to fuel economic recovery.

Finally, the argument is strong for countries adopting a so-called zero-COVID strategy, which aims to eliminate domestic transmission. The New Zealand experience shows that this strategy is challenging but is an important aspiration, not least as the growing burden of so-called long COVID becomes apparent in people who have survived COVID-19 but continue to have symptoms for longer than expected.

As more countries start to reopen their borders, screening tools and quarantine measures become essential to identify potential cases and prevent further transmission in the community. To ensure that control measures are adequate, it is important for countries to review and optimise these processes regularly.

Entradas No Ensino Superior

Subiram médias, subiu o número de entradas, até parece que a pandemia trouxe um bodo generalizado, sem ser necessário fazer mais do que retocar vagas e descontar as perguntas erradas nos exames do Secundário. Se este ano for o mesmo, aposto que já ninguém fala em “mudar o paradigma de acesso ao Ensino Superior”. Ontem à noite, um senhor que lamento não ter reconhecido (mas mudei rapidamente, porque era monocórdico na forma e chato no conteúdo) revelava apenas que o modelo remoto tinha vindo para ficar no Ensino Superior. Até ao 12º ano parece que é horrível, mas é só chegar à Universidade e torna-se maravilhoso. É bem verdade que se torna mais barato para as instituições…

 

Por França (E Mais Além…)

Muito interessante. Porque revela o que é uma “elite anti-elites”. No EUA, temos casos, no peculiar movimento anti-vacinas, de médicos políticos como Ben Carlson ou Rand Paul, para não falar nos casos mais extremos, com formação superior em outras áreas, de Michelle Bachmann ou Sarah Palin. O que não significa que também não existam casos do outro lado do espectro político.

L’inquiétante galaxie des anti-masques

Ils refusent de porter cet « étouffoir » au nom de la défense de la liberté. Les plus radicaux doutent même de la réalité du Covid. Né aux Etats-Unis, le mouvement anti-masques recrute tous ceux qui rejettent le système. En France, il a conquis une bonne partie des « gilets jaunes », quelques intellectuels mais aussi des médecins.

Les anti-masques français, « une sphère étonnamment emplie de cadres et de CSP + »

Plus diplômé que la moyenne, âgé, féminin… Le profil surprenant des « anti-masques »