Pelo Público

Há falta de professores?

(…)

Agora só se podem completar horários, na própria escola, quando aparecem necessidades “lectivas” que encaixem no horário ou os professores têm de andar de escola em escola em busca das horas em falta, chegando a ter de leccionar em dois ou mais estabelecimentos. O que, para além de ter uma parcela de indignidade profissional, é profundamente desgastante.

(…)

É estranho que o senhor ministro desconheça estas circunstâncias, pois vai a caminho de ser o titular mais tempo no cargo desde 1974. Era tempo de acelerar a sua curva de aprendizagem. Ou de resolver o problema, em vez de lançar acusações despropositadas, apenas para se livrar de qualquer responsabilidade política perante a opinião pública.

16 thoughts on “Pelo Público

  1. Olhando para as 4 últimas listas semanais RR, verificamos que abundam os horários (temporários) de 14 horas, ou menos, horários resultantes das baixas médicas e outras razões a que professores com sessenta ou mais anos de idade recorrem .
    Pelas razões sobejamente apontadas, poucos candidatos estão dispostos a ocupar esse diminuto horário em localidades afastadas . Daí haver muitas escolas com falta de professores. Mais que sabido.
    Ora, se em todos os concursos anuais de contratados ficam por colocar cerca de 30. 000 docentes, é um bocadinho exagerado dizer-se que há em Portugal uma escassez de professores, como por aí se propala . O motivo é outro. Solução:

    a) deitar dinheiro para cima do problema, pagando o vencimento “por inteiro” a quem lecciona pouco mais de metade do horário.

    b) voltarmos ao antigamente : contratar “professores” com “habilitação suficiente” ( como eram designados) , isto é , sem habilitação ?
    Venha o diabo e escolha…

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    1. maria ,
      Os professores que estão no topo da carreira , têm os melhores vencimentos e 14 horas lectivas.
      Daí esta perseguição … querem e chateiam o máximo para ver se resolvem aposentar – se.
      Mas aposentar – se com grandes cortes no vencimento. Por isso … estamos nisto . Nem entram os mais novos e continuam os já cansados que preferiam sair.

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      1. O completar horário em duas ou mais escolas, por vezes distanciadas de mais de 30 km, para além de indigno, é estar a pagar para trabalhar, para já não falar da dispersão de horários letivos, e respetivas reuniões.
        Mas, nesta fase do campeonato, o pior mesmo será transformar esses professores em potenciais contaminadores, tal é a rotatividade a que estão sujeitos, e sujeitam as turmas e as escolas onde completam horário.
        Claro que, para o ME e para a SNS e DGS, está forte exposição não interessa nada.

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    2. O “deitar dinheiro” em cima do problema é solução de milhares de milhões para outras “causas”.
      Se lançar 300 euros por mês, alguns meses por ano ou mesmo um ano inteiro, a 5.000 professores dá algo a rondar os 15 milhões de euros.
      Não me parece muito.

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      1. Caro Paulo

        Embora me pareça um poucochinho imoral, não disse o contrário.
        Em tempo de guerra, perdão, de covid, não se limpam armas, diria. Se bem que o “deposto” presidente do TdC pagou por se opor a esta máxima (entre outras coisinhas) .

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  2. “O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, vai receber um subsídio de alojamento de cerca de 750 euros mensais por ter a sua residência permanente a mais de 150 quilómetros de Lisboa, tal como sucedera na legislatura anterior. O despacho do gabinete da Presidência do Conselho de Ministros, com data de 11 de março , foi publicado nesta segunda-feira em Diário da República e tem efeitos a partir da tomada de posse do XXII Governo Constitucional, a 26 de outubro de 2019.”

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  3. Trata-se, obviamente, de um incentivo. E são necessários estes incentivos para que a escolha das palavras seja cuidadosa como dizia/sugeria a presidente do conselho geral da Rainha D. Amélia.
    Não há negligência nem desconhecimento ou ignorância. Há intencionalidade e ocultação. Há lealdades institucionais que não são esquecidas.

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  4. Escapa-me a razão pela qual alguém possa querer enveredar por esta profissão num momento em que todos deveríamos estar focados no assalto aos fundos europeus.
    As novas gerações devem mostrar que têm recursos para se desenrascar neste domínio tão bem como as anteriores. Afinal de contas têm estudos para quê? Nada os deve demover.
    A cultura em regadio nas terras de sequeiro está fora de questão por falta de água no Alqueva? Aposte-se na dessalinização para o golfe no Algarve. Já não há monte onde se possa plantar mais ventoínhas? Produza-se hidrogénio em pó com chancela da região demarcada da Parvónia. As rolhas não têm tanta procura como outrora? Invente-se o preservativo em cortiça biológica. O azeite está martelado pelos espanhóis? Aposte-se na produção de óleo de cetáceo dado à costa. A vespa asiática inviabiliza a apicultura? Invente-se uma culinária capaz de acomodar estas migrantes capaz de atrair o turismo gastronómico.
    Que diabo, saiam da vossa zona de conforto, pá! Ou pensam que as pensões de reforma vão durar sempre’

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  5. A propósito do dia mundial do professor, li algures:
    “Nesta m@rd@ de país (sem respeito, sem dignidade da profissão, sem democracia nas escolas) os professores NADA têm para comemorar ( nem vale a pena falar das remunerações de miséria que nem para pagar a renda de casa chegam!!!!).
    Apenas deviam ser colocadas faixas negras em tudo quanto são “instituições”(blogs, sindicatos, associações..,) ligados à classe docente.”
    Concordo.

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    1. Posso não me “queixar” muito – principalmente este ano – dos atestados a que recorrem os docentes que estão mesmo, mesmo, no fim da carreira. Relativamente aos restantes, na semana passada , a propósito da RR 4 , “queixei-me” bastante no blog Dearlindo.

      “imorais são outras coisas”. Também. Mas uma imoralidade não pode justificar outra, ou outras.

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      1. Para mim, imoral não é quem tem idade e tempo de serviço ter reduções de horário.
        Ou quem precisa, ter baixa. “Este ano” parece que as suas previsões de há uns meses não se confirmaram.
        Acontece.
        Imoral não é estabilizar um colega contratado, garantindo-lhe um salário.

        “Imoral” é – quiçá – ter gente com a mesma idade e tempo de serviço a trabalhar metade ou menos, porque têm “crédito”, oferecido em troca de serviços de centurião arreganhado.
        De rabo sentado manhãs quase inteiras, enquanto os outros bulem…

        E descanse que de quem eu faço certamente sabe já do que penso.
        Mas a vergonha na cara anda cara… (que raio de falta de trocadilho…)

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  6. Cara Maria, o colega Magalhães apontou a solução. Permitam a aposentação dos docentes sexagenário, atribuindo-lhes uma reforma condigna, de acordo com as quase quatro décadas de trabalho e de descontos que temos. Damos lugar aos novos, rejuvenesce-se a classe e, se fizerem as contas, até o erário público fica a ganhar!

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