6ª Feira

Como a semana está a terminar vou-vos aqui contar uma história sobre o modo como na “nova normalidade” se pode fazer tudo e mais alguma coisa, ignorando todo e qualquer resquício de democracia interna.

A coordenadora de departamento dessa colega colocou atestado médico no início do ano por causa da covid por ser manifestamente de risco. Sendo necessário substituí-la no cargo – até porque a situação que levou ao atestado está longe de ter resolução à vista – deveria ser feita a tal eleição entre três elementos designados pela direcção.

Só que o director, cada vez mais habituado a um regime feudal de fidelidades, decide nomear para o cargo um colega, sem qualquer consulta do departamento e muito menos eleição, parece que com o argumento de ser tudo “temporário”. Só que o colega em causa, apesar de vassalo fidelíssimo, nem sequer poderia entrar na referida eleição, a ser cumpridas as regras mínimas que estão na lei. Ou seja, é das pessoas em posição mais baixa na carreira. E, em boa verdade, vai ser coordenar (temporariamente, claro) pessoas que poderiam ser na larga maioria suas avaliadoras. E exercer uma posição de superioridade hierárquica formal em relação a delegad@s de disciplina um ou mais escalões acima deste “temporário” coordenador.

Mas tudo acontece “naturalmente”, sem contestação, sem prestação de contas e com muita sensação de impunidade porque, a bem dizer, há quem tenha chegado há tanto tempo ao topo e sentindo que pode fazer o que entende sem qualquer risco, até porque se por hipótese surgisse alguma questão, poderia sair sem perda material nenhuma.

A colega contou-me a história, pediu anonimato, claro, e sabe que esta é a “nova normalidade”, pelo que nem estranhou que eu lhe tivesse respondido o que respondi, o que por agora não vou partilhar, excepto que tem muito a ver com o que chamo “xalência de largo espectro”.

7 thoughts on “6ª Feira

  1. Esta descrição é incómoda, mas outras situações ainda o são mais, como nomearem pessoas para elaborarem documentos que devem ser aprovados ou validados por órgãos de quem fazem parte.
    Nos últimos tempos “passei para o outro lado do muro” e deixei de dar o benefício da dúvida a quem se acha muito, mas sempre fez apenas suficiente, mesmo que envernizado.

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    1. Bem vindo, Paulo.
      Mas se acontecem “coisas”, que o levaram “passar para outro lado”, numa escola em que existem professores com “voz” pública e publicada, imagine o que acontecerá noutras…
      Os diretores comportam-se como “kapos” ao serviço da administração.
      Sabem que têm a proteção TOTAL da igec e da tutela para os desvarios, ilegalidades e perseguições.
      Isto não acontece em virtude da pandemia, acontece há muito tempo e não há exceções.
      Eles perceberam que nunca serão sujeitos a escrutínio (eleições) e que por isso pedem continuar, “ad eterno”, com comportamentos execráveis.
      Nota: vejam como foram distribuídos os créditos das escolas no presente ano letivo… então onde há plebiscito é vergonhoso…

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      1. Ui… então não vejo? Até dói… há quem ande ali o roçar o rabo pelas cadeiras e ainda cante de galo na capoeira.
        Vem de trás, mas agravou-se com esta situação, em especial quando nem há as chamadas “inspecções ordinárias”.

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  2. E a minha voz pública é de dois gumes… há aquelas pessoas que gostam muito de fazer ao contrário só para demonstrar que eu não percebo nada dos assuntos a quem fez carreira sempre de olhos postos no muro mais próximo.

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  3. Essa gente é a prova do princípio de Peter, mas à administração convém a acefalia diretiva reinante.
    Estão tão deslumbrados com a sua incompetência, que até se julgam valorizados.
    A única valorização são os 750€ com que “suplementam” a sua acefalia.

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  4. Pensava ser só por cá, mas parece ser mais regra que exceção; quando o coordenador falta, substitui-se por quem dá mais jeito!!! A história fica para depois, mas parece-me ainda mais grave que a aqui relatada.

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