2ª Feira

Aquele “sentido profundo do dever cívico” está em clara erosão. Não falo apenas por mim, que o sinto a diminuir à medida que observo a sua ausência ou o manifesto “sentido profundo de desenrascar a vidinha à custa dos outros”. Sobre isso há articulistas que se deveriam informar e escrever e não andarem sempre a chatear os mesmo.

(eu percebo que as condições são más e já escrevi sobre isso, mas o que dizer de quem concorre, aceita horários, mete atestado no primeiro ou segundo dia e depois, ao fim de umas semanas, renuncia, deixando turmas ao deus-dará, incluindo algumas com exame nacional? deve ser uma “ética dos novos”, que a dos velhos está fora de moda)

12 thoughts on “2ª Feira

  1. Só quem anda metido nestes ” caldinhos ” é que saberá.
    Andar nisto ano após ano … deve ser horrível. As pessoas têm família , filhos nas escolas ,vida minimamente organizada.
    E quantas vezes ainda gastam mais do que o que recebem.
    Os alunos acabam por ser às vítimas .

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  2. Facilidades / Facilitismos/ Sencillez

    A dona Laura – presidente do Conselho Geral do AE de Traseiras de Judas – ouviu no telediário das 9 que os alunos nuestros hermanos ” não podem ser prejudicados no seu percurso escolar devido à pandemia” E que o Congresso madrileno meteu mãos à obra decretando a passagem de ano de todos os muchachos ” com qualquer número de negativas” .

    Arrebatada, considera a dona Laura que, afinal, os lusos 54 e 55 andam perto de tão fulgurante e eficaz decisão congressista, apenas com a nefasta diferença de arrastarem uma enorme tralha burocrática e consequente trabalheira, nada compatível com os ritmos em voga na planície.
    E assim, com o intuito de mimetizar os rasgos da vizinhança, convoca o CG para uma reunião a efectuar no Dia de S.Martinho – logo a seguir ao magusto – tendo já alinhavada a proposta que levará aos fiéis conselheiros :

    “Digníssimos: fazendo uso das prerrogativas que a autonomia gentilmente nos concede, e fortalecidos pelos tratados de Tordesilhas, Zamora e Alcanices, vamos erradicar os malditos “documentos” em má hora engendrados pelos engenheiros de Lisboa!
    Sigamos as doutas pisadas do Congresso castelhano!
    Benefícios? Porra! Para a nossa promissora rapaziada, o conhecimento passa a ser facultativo, aliviando-os ; Os nossos destemidos professores poderão prescindir ou adiar a pré -reforma”

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  3. Quando se começa a falar assim dos “novos” é porque se está a ficar mesmo “velho”. As condições de trabalho mudaram radicalmente e os “novos” aprenderam a lidar com isso. O resultado é este. Não se trata de ética, trata-se de sobrevivência.

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    1. Olá Ana Luísa,

      Sim, estou velho como o do Restelo ou mesmo o Matusalém.
      Ao ponto de, quando era jovem, se recusasse um horário depois de a ele ter concorrido e aceite ir para o fim da lista e não ter direito a subsídio de desemprego quando acabasse.
      Não é por isso que acho que agora deve ser pior.
      Mas não é, acredite. As coisas já foram piores e há quem saiba disso.
      Como disse, quando nem o cheiro de um subsídio de desemprego existia, fosse o contrato qual fosse. E os horários também eram contados à hora… tive um durante 10,5 meses com 21 horas e perdi o tempo de serviço correspondente, porque a CDirectivo (ainda se chamava assim) não esticou a hora em “falta”.
      Sim, Ana Luísa, estou velho.
      E sobrevivi.
      Mas não me armo em pseudo-novo ou velho gaiteiro.

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      1. É mau para os alunos as coisas serem assim. Não consigo é encontrar diferenças entre ética de novos e velhos. O problema não é dos professores mas das regras de substituição de professores, só a pensar na poupança aparente. E sobre a comparação entre os anos 80 e a atualidade, há que avaliar tudo. É diferente, por exemplo, andar um ano ou dois a ser lixado ou andar 20 anos. Tenho uma colega daqui do norte que concorreu e aceitou um horário a contrato aí no sul, já em gravidez avançada, sabendo que teria de meter baixa, e mais tarde licença. Não vejo o menor beliscão na ética. Penso que o “dever cívico” deve ser o mesmo, seja “novo”, “velho”, do quadro ou contratado.

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  4. Quem não tem cão caça com gato.
    É o acontece a quem deveria ser do quadro e anda contratado a ganhar €€€€€ migalhas.

    Claro que quem paga é o aluno mexilhão…

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  5. Tutela, pais, alunos, direções e sociedade em geral tratam os professores abaixo de cão e depois admiram-se. É bem feito. Lamento, mas a sociedade está a colher o que plantou.

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