Números Pedidos

As declarações da nova (e quase desconhecida) secretária de Estado que sucedeu à anterior (e quase inexistente) secretária de Estado sobre a recusa de horários pelos professores no regime de reserva de recrutamento e contratação de escola até foram razoáveis, pois admitiu que “neste momento de pandemia [de covid-19], os docentes fazem escolhas cada vez mais seletivas relativamente à aceitação. Mas a verdade é que os números surgem à medida da necessidade de desresponsabilização da tutela sobre este assunto. A coragem política é algo que desertou há muito da 5 de Outubro, restando apenas aquela conversa mole e sedução de uma corte alargada através de uma hábil estratégia de “colocação” dos fiéis em posições-chave na “formação” que por aí anda, a oficial e a oficiosa.

Seria importante sabermos a média de horas dos horários recusados e a deslocação que implicava a quem os recusou. Embora tenha algumas críticas à forma como, por vezes, há quem aceite e desaceite horários em poucos dias, é importante que se perceba que muitos horários a concurso não compensam uma deslocação que implique centenas de euros de encargos mensais. Realmente, mais vale fazer biscates de proximidade em grandes superfícies, declarando ter o 12º ano, do que aceitar horários incompletos, de poucos meses, com um saldo mensal inferior ao ordenado mínimo. Não basta dizer que houve mais horários a concurso ou que houve 700 (não eram 12.000?) docentes a colocar atestados por motivos de risco (abaixo de 1% do corpo docente dos quadros). Importa esclarecer as coisas, em especial porque o governo e o ME não criaram um regime especial para estes tempos de pandemia. E não adianta virem uns dizer que os velhos ganham mais e trabalham menos horas, se depois também não aceitam que os mais novos ganhem por inteiro um horário com essas mesmas horas, sabendo-se que um contratado receberá sempre menos do que um docente do quadro. Porque há malta que acha sempre mal tudo (não, não sou eu, que há muito defendo que pelo menos horários de 16-18 horas devem ser completados e ter remuneração por inteiro) e está sempre pronta para apontar o dedo para os outros, sem se ver ao espelho.

Mas, resumindo, o ME deveria disponibilizar todas as informações relevantes que obriga as escolas a carregar em mil e uma plataformas. Porque, então, para que servem tantos dados acumulados? Só para disponibilizar a investigadores devidamente “certificados”?

3 thoughts on “Números Pedidos

  1. Continuo a dizer, necessidades CONSTANTES anuais deveriam ser efetivadas ao quadro.

    Os contratados não o são, no fundo são escravos do quadro.

    ps- subsidio de alojamento ou transporte por onde anda?

    Gostar

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