Será Que Já Posso Escrever Sobre O Assunto Sem Dar Muito Nas Vistas?

Há umas semanas recebi um “convite” para assistir a uma webinar sobre “desmaterialização dos manuais na sala de aula” ou algo assim. Os prelectores (uns 3 ou 4), todos juntos, deveriam dar perto de um século fora de uma sala de aula a tempo inteiro.

Uma Fantochada Só Possível Porque Temos Na Educação Umas Criaturas Que Só Navegam Com Vento Pela Popa

Contra todo o bom senso, continua a fingir-se que existe um modelo de avaliação do desempenho com um mínimo de sentido ou “rigor”. Continuam colegas a andar entre escolas e agrupamentos e a aceitar “observar”, enquanto a outr@s se exige que sejam “observad@s”. Tudo com recurso, pelo que vou sabendo, em “ferramentas de observação de aulas” que são, no mínimo, risíveis e intelectualmente deprimentes. De sul a norte, com naturais excepções.

Se tivéssemos na 5 de Outubro gente com as solanáceas no sítio e já teria sido pensado um modelo transitório para este período de pandemia. E poderia aproveitar-se a oportunidade para fazer alguma coisa de jeito na matéria mas, infelizmente, o pessoal político que anda por lá não prima pela coragem, preferindo refugiar-se em conversas de chacha saídas de sebentas mais do que encardidas. O que se passa é uma tristeza, criada para estrangular a progressão na carreira e mais nada. Que exista quem acha que assim é melhor do que nada e, portanto, colabora, desperta-me pensamentos que não gostaria de verbalizar agora por extenso, pois sei que gente amiga se sentiria ofendida.

Criam-se novas regras para tudo, há por aí uma emergência, mas há docentes a passear de um lado para o outro a cumprir procedimentos de uma estupidez assinalável. E repito… não me digam que não poderia ser de outro modo, porque poderia. Nem é a falta de coragem que me choca, porque não tenho esperança nas criaturas, é mesmo a aparente falta de entendimento que me demonstra o nível a que tudo isto desceu. E ainda há quem fale em “respeito” ou da falta dele.

(já agora… a excelentíssima senhora qualquer coisa da bolsa de avaliadores externos da minha zona comunicou ao meu agrupamento, semanas depois de lhe ter transmitido que aderia à greve ao sobre-trabalho e não cumpriria qualquer tarefa como avaliador externo, que “prescindia dos [meus] serviços”… tivesse a senhora dótôra enviado o mail directamente para mim e teria direito a uma resposta à altura do seu medíocre desplante… e quem entender que vá “bufar-lhe” o que aqui escrevi, a ver se me chateio…)

(segunda diatribe do entardecer… é penoso ver gente que nem uma acta consegue escrever sem erros ou fazer um relatório dos mais primários sem tropeçar nos parágrafos, a avaliar colegas e a atribuir-lhes classificações; já sei… são sublimes pedagogos do “saber fazer”…)

3ª Feira

Parece que houve quem acreditasse que o “milagre” se repetiria. Como as cigarras, cantaram no Verão e agora lamentam-se no Outono, quando o vento fica agreste. António Costa ontem disse que ninguém podia prever que ninguém podia prever uma 2ª vaga tão cedo. Se estivesse a ser entrevistado por um jornalista a sério e não por um partisan, talvez não escapasse a uma afirmação tão parva sem contraditório decente.