Uma Fantochada Só Possível Porque Temos Na Educação Umas Criaturas Que Só Navegam Com Vento Pela Popa

Contra todo o bom senso, continua a fingir-se que existe um modelo de avaliação do desempenho com um mínimo de sentido ou “rigor”. Continuam colegas a andar entre escolas e agrupamentos e a aceitar “observar”, enquanto a outr@s se exige que sejam “observad@s”. Tudo com recurso, pelo que vou sabendo, em “ferramentas de observação de aulas” que são, no mínimo, risíveis e intelectualmente deprimentes. De sul a norte, com naturais excepções.

Se tivéssemos na 5 de Outubro gente com as solanáceas no sítio e já teria sido pensado um modelo transitório para este período de pandemia. E poderia aproveitar-se a oportunidade para fazer alguma coisa de jeito na matéria mas, infelizmente, o pessoal político que anda por lá não prima pela coragem, preferindo refugiar-se em conversas de chacha saídas de sebentas mais do que encardidas. O que se passa é uma tristeza, criada para estrangular a progressão na carreira e mais nada. Que exista quem acha que assim é melhor do que nada e, portanto, colabora, desperta-me pensamentos que não gostaria de verbalizar agora por extenso, pois sei que gente amiga se sentiria ofendida.

Criam-se novas regras para tudo, há por aí uma emergência, mas há docentes a passear de um lado para o outro a cumprir procedimentos de uma estupidez assinalável. E repito… não me digam que não poderia ser de outro modo, porque poderia. Nem é a falta de coragem que me choca, porque não tenho esperança nas criaturas, é mesmo a aparente falta de entendimento que me demonstra o nível a que tudo isto desceu. E ainda há quem fale em “respeito” ou da falta dele.

(já agora… a excelentíssima senhora qualquer coisa da bolsa de avaliadores externos da minha zona comunicou ao meu agrupamento, semanas depois de lhe ter transmitido que aderia à greve ao sobre-trabalho e não cumpriria qualquer tarefa como avaliador externo, que “prescindia dos [meus] serviços”… tivesse a senhora dótôra enviado o mail directamente para mim e teria direito a uma resposta à altura do seu medíocre desplante… e quem entender que vá “bufar-lhe” o que aqui escrevi, a ver se me chateio…)

(segunda diatribe do entardecer… é penoso ver gente que nem uma acta consegue escrever sem erros ou fazer um relatório dos mais primários sem tropeçar nos parágrafos, a avaliar colegas e a atribuir-lhes classificações; já sei… são sublimes pedagogos do “saber fazer”…)

17 thoughts on “Uma Fantochada Só Possível Porque Temos Na Educação Umas Criaturas Que Só Navegam Com Vento Pela Popa

  1. Isto não tem emenda, Paulo… Infelizmente…
    Para se corrigir tanto defeito, que vêm sendo acentuados ano após ano por culpa de governos sucessivos e de sindicatos que nada fazem, era necessário também mandar para o desemprego muitas pessoas que estão na classe… Sei que é muito feio dizer isto, mas a nossa classe é mesmo muito medíocre.

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  2. Bolas! O Paulo está a ficar cada vez mais erudito: solanáceas? Tive que ir a vários dicionários para saber o significado. A propósito, para haver uma “coligação” entre o PPD/PSD e o Chega o André Ventura está disposto a cortar só um tomate aos pedófilos e violadores e a laquear só uma trompa às mulheres que interrompem a gravidez.

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  3. Depois de 2 anos a avaliar as colegas, por imposição do cargo de coordenação, fui-.me abaixo…achava surreal, tinha medo de cometer injustiças, enfim, custou-me uma baixa de 15 meses….

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      1. Paulo : ironia, certamente. Ora cá estaria o nivelamento por baixo. Todos iguais, mesmo não o sendo. Que tal um professor “aplicar” o mesmo princípio na turma?

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  4. Ai jasus! Veio-me à memória o filme deprimente da minha avaliação no 4.º escalão… filme feito de gente medíocre que se sujeita a cada papelório!!

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  5. De facto, este modelo de avaliação é totalmente absurdo .
    Se quisermos avaliar alguma coisa de concreto , de palpável, com alguma objectividade, sei lá, só com uma prova de conhecimentos . Aí – de algum modo – separar-se -ia o trigo do joio , quer relativamente às “competências” científicas de cada docente, quer em relação a outras competências “transversais”. E teríamos muitas surpresas!
    Quem recearia submeter – se a uma prova destas. O caro Paulo Guinote , e outros, não receariam ! Assim, tal como está, muita coisa fica encoberta e quem lucra são os incompetentes que no fim são “premiados” à mesma. É o nivelamento por baixo. Inconcebível.

    (leiam o último parágrafo do post, pf )

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    1. O último parágrafo do post não é escrita nova. Não é algo que afirme pela primeira vez.
      E talvez fosse bom lembrar o que eu defendi com clareza quanto a modelo de avaliação… que seria muito pouco popular.
      Mas evitaria certas tristezas.

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    2. “Separar o trigo do Joio”… mas não andamos aqui todos a trabalhar para o mesmo, não somos todos licenciados com estágio profissionalizante, não temos todos competências científicas, nem merecemos todos subir de escalão?? Ainda por cima numa situação de pandemia como esta em que estamos a dar o corpo ao manifesto, sem qualquer proteção para além da máscara e do desinfectante? Esta preocupação com uma avaliação como se o facto de se ser avaliado melhorasse por artes mágicas o desempenho de cada um. Esta avaliação estúpida e de fantochada só avança porque apela ao que de mais mesquinho existe no ser humano, sobretudo aquela ideia de “eu sou muito bom, os outros é que são ou podem ser maus!” Uma avaliação que tem quotas para a atribuição de nota não é nem nunca será avaliação! Ainda por cima permite toda a forma de falcatrua possível! Devia ser tudo impugnado! Deveria começar-se por exigir que os resultados fossem públicos! … Já agora que razões se podem invocar para se recorrer de uma avaliação de desempenho?

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      1. Mónica

        A metáfora “separar o trigo do joio ” significa, neste caso , distinguir. Distinguir os excepcionais dos bons, distinguir os bons dos medianos, distinguir os medianos dos péssimos. Acredito que esteja entre os primeiros.

        O argumento de que somos todos licenciados … Bem , é necessário saber se é uma licenciatura ou uma “licenciatura” ( entendeu, como diz o brasileiro? ) Mesmo numa licenciatura a sério ,nada nos garante que não haja graves lacunas (cala-te boca, como soe dizer-se) .
        O escrutínio é sempre necessário . E desejável, para o bem dos alunos e da … justiça.

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      2. Muitas são as razões pelas quais se pode impugnar uma avaliação, mas sem as conexões certas no pedagógico dá em nada. Recorre-se para o CG e há uma espécie de tribunal arbitral que umas vez funciona, outra serve de eco. Este modelo cheira mal desde o início, mas há quem prefira o mau cheiro desde que lhes permita um lugar assim em bicos de pés.

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  6. Maria… nivelamento “por alto”, por favor.
    Quanto aos alunos, há já quem o faça com palmadinhas nas costas da tutela.
    Vamos lá ser sinceros… só chumba mesmo quem é um “caso perdido” (coloquei aspas, ok?). Podemos fingir que não… mas é a realidade.
    E ainda mais o ano que passou.
    E este será o mesmo.
    E ainda se espalhará o costume de não contar parte das perguntas erradas.

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