A Componente Não Lectiva Dos Professores – Helena Fraga

Já lá vai o tempo em que os docentes só desempenhavam tarefas compatíveis com a docência…

No horário semanal dos docentes, o serviço distribuído na componente não letiva raramente aparece especificado, por escrito, de modo a que os respetivos destinatários fiquem com uma noção aproximada do trabalho que irão fazer: a função que irão ter.

No papel do horário, apenas se lêem palavras como “Biblioteca”, “Ludoteca”, etc..

Os docentes desconhecem ao que vão; desconhecem aquilo que, em cada momento, lhes estará destinado.

Excetuando os que conseguem saber tudo de antemão de uma forma informal (“pela porta do cavalo”), os restantes ficam à disposição da vontade e, até, dos caprichos dos colegas (ou funcionários) responsáveis pelo setor _ tornam-se serviçais de outros colegas.

Por exemplo, numa biblioteca, o professor bibliotecário faz de patrão dos colegas que aí têm horas da componente não letiva, ordenando-lhes, com mais ou menos cortesia, tarefas que podem ser muito díspares e dispersas.

Estará certo que assim seja?

Claro que os docentes mais espertos sugerem formas de contornar todas as aberrações. Mas os que aspiram a outra decência e transparência só podem indignar-se e reclamar.

Depois, também é muito difícil conhecer as diferentes ofertas de atividades não letivas em cada estabelecimento de ensino.

As melhores devem estar reservadas aos protegidos de sempre – os que estão a salvo de atropelos e arbitrariedades!

Cada vez se consegue ver e saber menos.

As escolas afastaram-se assustadoramente daquilo que dizem ensinar.

Helena Fraga, 4/12/2020

Como Transmitir Uma Sensação De “Segurança”?

Alunos que testem positivo por contacto com alguém “em ambiente familiar” vai para casa. E vão alunos em seu redor numas escolas, a turma toda em outras, ninguém ainda em aqueloutras. Uma coisa curiosa é que os que vão para casa por contacto directo com o colega positivo, em regra ficam à espera para serem testados até que passa o tempo e é altura de voltarem às aulas. Ou se as famílias, com natural receio, perdem a paciência e tomam a iniciativa de mandar fazer o teste, já passaram os dias suficientes para a carga viral ser muito baixa. E assim se impede, por via de esperteza saloia, que se registem “surtos”. Vamos acreditar que isto que escrevi é apenas uma suposição.

Sábado

É sempre complicado quando encontram@s alunos que vivem sob uma pressão imensa por parte da família, sendo que esta ou nem tem noção do que faz ou opta por alijar responsabilidades pelas consequências para quem nada tem a ver com o assunto. A projecção de aspirações próprias não realizadas (ou que parecem indispensáveis para manter um estatuto) na descendência ou, no outro extremo, a necessidade doentia de a amesquinhar sem razão aceitável são atitudes do mais lamentável que um@ professor@ em algumas horas por semana não tem forma de minorar. O bullying familiar é o parente pobre dos estudos sobre este tipo de temas. Fala-se em violência doméstica, sim, mas não é bem o mesmo. É algo mais insidioso.

(quantas vezes a miudagem acaba por arranjar esta ou aquela “desculpa” apenas para não enfrentar a fúria de um progenitor ou ver-lhe o olhar de desilusão… e nem sempre apenas o olhar?)