A Componente Não Lectiva Dos Professores – Helena Fraga

Já lá vai o tempo em que os docentes só desempenhavam tarefas compatíveis com a docência…

No horário semanal dos docentes, o serviço distribuído na componente não letiva raramente aparece especificado, por escrito, de modo a que os respetivos destinatários fiquem com uma noção aproximada do trabalho que irão fazer: a função que irão ter.

No papel do horário, apenas se lêem palavras como “Biblioteca”, “Ludoteca”, etc..

Os docentes desconhecem ao que vão; desconhecem aquilo que, em cada momento, lhes estará destinado.

Excetuando os que conseguem saber tudo de antemão de uma forma informal (“pela porta do cavalo”), os restantes ficam à disposição da vontade e, até, dos caprichos dos colegas (ou funcionários) responsáveis pelo setor _ tornam-se serviçais de outros colegas.

Por exemplo, numa biblioteca, o professor bibliotecário faz de patrão dos colegas que aí têm horas da componente não letiva, ordenando-lhes, com mais ou menos cortesia, tarefas que podem ser muito díspares e dispersas.

Estará certo que assim seja?

Claro que os docentes mais espertos sugerem formas de contornar todas as aberrações. Mas os que aspiram a outra decência e transparência só podem indignar-se e reclamar.

Depois, também é muito difícil conhecer as diferentes ofertas de atividades não letivas em cada estabelecimento de ensino.

As melhores devem estar reservadas aos protegidos de sempre – os que estão a salvo de atropelos e arbitrariedades!

Cada vez se consegue ver e saber menos.

As escolas afastaram-se assustadoramente daquilo que dizem ensinar.

Helena Fraga, 4/12/2020

16 thoughts on “A Componente Não Lectiva Dos Professores – Helena Fraga

  1. Partindo do pressuposto que faz parte do quadro da escola/agrupamento e mesmo que esse pressuposto não se verifique, aqui vai uma sugestão para ultrapassar a situação que descreve. Previamente à distribuição do serviço docente sugerir a utilização das suas horas de componente não letiva para esta ou aquela finalidade, quer introduzindo ou sugerindo um projeto ou atividade, quer mostrando interesse em alinhar num curso ou que se vai iniciar. Se isto não tiver eco exigir aquando do conhecimento, por entrega do horário, que está aqui ou ali, a realização de reunião ou a informação detalhada sobre quais as tarefas/funções distribuídas nos “locais para onde foi enviada”.
    Quem cala consente como se costuma dizer e, por isso, o melhor é não ficar calada. Evitam-se assim suspeições, por vezes não fundamentadas, ou atropelos e arbitrariedades.

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      1. Mas funciona bastas vezes. Sem “conteúdo funcional” não há “função”.
        Resta ainda, face aos poderes internos de “requisição” ( se é que percebi o que queria dizer com isso), a estratégia do “fazer-se mula”.

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  2. Concordo! Há muita gente que quase não dá aulas e que ainda inventam tarefas para os outros colegas fazerem, normalmente os alvos costumam ser os diretores de turma. Acrescento uma outra autêntica perda de tempo e de horas que é o Apoio Tutorial Específico. A maioria dos alunos não é recetiva a isto e não podem abdicar dele, mesmo com a concordância dos encarregados de educação. Por vezes só têm isso porque chumbaram no 1º ciclo e na situação actual o que precisavam mesmo era de apoio em algumas disciplinas onde têm mais dificuldades, mas horas de apoio só para Português e Matemática!! Obriga-se a este apoio alunos cujo o maior problema está em casa, na família e na sua falta de acompanhamento! E os professores com essas horas mais valia estarem a dar apoio dentro ou fora da sala de aula.

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  3. Haverá escolas onde assim é mas talvez não seja a regra. O trabalho na biblioteca, por exemplo, implica um planeamento, formação aos novos professores que integram a equipa em cada ano letivo e um acompanhamento da parte do prof. bibliotecário. Não é suposto um professor sentir que trabalha’ às ordens’ de outro colega. E o conteúdo de cada atividade/ tarefa da CML deve ser do conhecimento de todos os docentes da escola.

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  4. A propósito da redução da componente lectiva e idade da reforma, e só a propósito disto, seria interessante abordar o tema das conquistas de abril…

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  5. De tanta reclamação oficial junto da inspeção, ano após ano, numa incomodidade sistemática para todos, em primeiro lugar para mim, eis que já não tenho nada disso.
    A mais recente foi com a minha integração na bolsa de avaliadores externos. Já vou na 3.ª reclamação à negação do meu pedido de escusa, sempre a subir em termos hierárquicos. Nunca me foi distribuído nenhum colega para avaliar. Ai deles…

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  6. Por falar em “inspecções”… não acham que desde que as escolas/diretores obedeçam a todas as directrizes do ME e não façam grandes ondas a inspecção não vem verificar o que se passa com outros procedimentos, mesmo que existam injustiças/ilegalidades gritantes? Por exemplo este ano letivo há horários de alunos muito diferentes conforme a escola, alguns poderiam ser considerados ilegais por terem muitas horas seguidas sem um grande intervalo, mas não se ouve nada…

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    1. Cara Francisca, à inspeção pouco, ou mesmo nada, lhe interessa da injustiça que se possa verificar numa qualquer escola. Interessa-lhes somente se alguém se queixar.

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  7. A componente não letiva foi decisiva para a proletarização da classe. São tarefas penosas, para encher horários… Já seria tempo de acabar com estas horas que, se avaliadas com rigor, concluir-se-á que são inúteis.
    A escola a tempo inteiro é um embuste. A questão é saber até quando continuará a sociedade a meter a cabeça na areia!

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