Domingo

Há assuntos que o são apenas porque é paupérrimo o cenário noticioso por estas bandas. É por isso que me espanta que Pacheco Pereira – que tanto gosta de criticar epifenómenos mediáticos fabricados – se (pre)ocupe tanto com o livro em que Cristina Ferreira se queixa das ofensas que lhe são dirigidas nas redes sociais, apresentando-o como acto de coragem por replicar nas suas páginas essas mesmas ofensas. O livro não é extenso e isso até ajuda a preenchê-lo. Quanto à “covardia” que PP identifica nos ofensores anónimos nas redes sociais, nada a a dizer, apenas acrescentando que é equivalente à de outros que, de modo anónimo, a partir de gabinetes oficiais fizeram e fazem espalhar frequentemente para as redacções da comunicação social “séria” insinuações mais ou menos difamatórias, quartos de verdades truncadas e outras habilidades assim para desacreditar quem lhes desagrada. Por vezes, a partir do recurso a informações a que só de forma muito peculiar teriam acesso. Nada disso parou com a saída do engenheiro, o desfalecer dos “corporativos” ou outros avençados ou apenas “amigos”. Já por aqui escrevi que quanto a identidades falsas há as que existem a partir de meios oficiais a lançarem isco. Não falo do assunto por ouvir dizer. Quanto á Cristina Ferreira, infelizmente, é o mundo que temos e não é apenas em quem surge todas as semanas na capa de 2 ou 3 revistas e nem sempre contra a sua estratégia de comunicação e promoção.

Já o assunto da presença de Ljubomir Stanisic naquela greve da fome dos representantes da restauração diante do Parlamento em que o autarca Medina serviu de intermediário com o Governo, apenas acho curioso o facto de ter ouvido a gente que se diz da esquerda tolerante e multicultural coisas como “isto aqui não é a Bósnia”. O que me parece uma variante do “e se voltasses para a Guiné”. Independentemente de o homem ter sido mais ou menos bruto com o Chicão que agora já é um símbolo da democracia depois de lhe terem chamado de forma mais ou menos explícita fascista.

One thought on “Domingo

  1. Há sempre variantes de esquerda para a reacionária ‘os comunistas comem criancinhas.’
    Recordo, por exemplo, que um dos cavalheiros do FMI que periodicamente vêm pôr ordem nas contas das governações dos nossos grandes homens de esquerda foi apodado de ‘escurinho’.
    Calhando, ‘escurinho’ foi um carinhoso diminutivo.
    A cegueira, a propósito, é constante. Ainda há dois ou três dias, na última página do Público, um rapaz a quem a Joacine fez passar por parvo, falando de parvos, se deixou entusiasmar nas suas diatribes antifascistas. Vai daí, anotou o governo húngaro como uma estrutura para os amigos e não se esqueceu de referir que os húngaros e os polacos mexem à maluca nos tribunais.
    Tendo em atenção que o pessoal do PS faz o mesmo por aqui, é possível concordar com pertinência da denúncia, mas é impossível não perceber a capciosidade da observação…

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