Este Ano O Remendo Chegou Mais Cedo

Não se percebendo bem aquelas declarações, ali por Outubro, de que o ME tinha feito tudo e alguma coisa para que os alunos tivessem aulas. Entretanto, por muito que possa aparecer quem desgoste da minha opinião, também não se pode lançar mão a toda a gente para dar qualquer coisa nas vizinhanças da sua formação. Em especial em anos mais críticos e em disciplinas nas quais não basta mandar os alunos fazer pesquisas com os telemóveis e dizer que é pedagogia activa.

Quanto ao grupo 550 (Informática) é “divertido” ver como se fala tanto em Transição Digital quando nem meios humanos existem para assegurar o mínimo dos mínimos na área.

Poderia ainda elaborar sobre disciplinas que tiveram gente (nomeadamente na DGIDC) anos a fio a aumentar as horas no currículo às custas de outras, mas agora têm de ir a esses mesmos grupos buscar gente para assegurar o seu funcionamento. É o que dá lobbys muito fortes nos gabinetes, mas com pouca ligação à realidade terrena.

E, como se vê, é preciso recorrer aos “velhos”, porque nas condições actuais não há mesmo quem tenha suficiente espírito “missionário” para aguentar o brilhantismo da gestão dos recursos humanos que tem caracterizado a acção do ME nos últimos 15 anos.

Somos Péssimos Em Aritmética

Em 2019, os alunos do 4º ano que começaram a escolaridade em 2015, desceram pela primeira vez desde 1995 os resultados em Matemática. O actual Governo, sob cujo mandato estes alunos fizeram todo o 1º ciclo culpa o anterior e as “políticas de Nuno Crato” que tinham permitido em 2015 prosseguir os ganhos anteriores. Isto é um nível superior de desonestidade política. Ou apenas não saber contar de 4 em 4. Já sei que alguns irão dizer que eu estou a defender Crato. Neste caso, sim. Em outros, nem pouco mais ou menos como ficou devidamente registado em seu tempo. Agora, que com esta pandilha na Educação as coisas se começaram a desleixar, é uma evidência. E não são provas patetas no 2º ano que podem substituir as do 4º ano quanto a alguma responsabilização nisto tudo. Provas que não eram “exames” como alguns gostam de afirmar, sabendo que mentem. Mas que serviam para alguma coisa. Acabaram com ela… os resultados internacionais descem. E a culpa é dos outros?

Estes alunos são os “filhos” do Tiago a porta-voz e do João a mexer os cordelinhos da sonsice pedagógica (que tem muitos adeptos entre nós, eu sei… a malta que critica a “examocracia”). Este alunos foram os primeiros que “beneficiaram” do fim das provas finais do 4º ano; eram eles que estavam no 1º, quando elas foram eliminadas. Fizeram todo o primeiro ciclo sem essa sombra tenebrosa. Começa a perceber-se o que (não) valem as patacoadas requentadas de um nicho ideológico que foi moderno há 50 anos.

Quando foi da subida nos PISA, feitos com alunos que tinham feito quase todo o Básico em outros mandatos, apressaram-se a reclamar os louros. Agora, que são alunos que passaram o tempo todo com tão preclaros governantes, já sacodem a água da sebenta.

(se for preciso um desenho, eu faço… por exemplo, uma ficha de Português de 5º ano que há 4 anos eu aplicava em dois tempos no final do período, agora preciso de a aplicar em três e há quem não a consiga acabar… e nem sequer é com “matéria nova”… é apenas leitura, interpretação e os rudimentos da gramática e de alguma escrita)

A Transição Digital

Só por Gaia? E só no 1º ciclo?

O objetivo, num tempo em que há recurso frequente a aulas à distância [devido à pandemia da Covid-19] é dar aos professores as ferramentas necessárias para o seu trabalho. Fizemos um levantamento pelos agrupamentos e temos relatos de professores a comprar computadores em segunda mão, a dividir com o filho ou pedir emprestado ao marido”, contou o autarca.

Pelo Público

(…) E percebe-se que, para além de a pandemia nos ter revelado que o modelo de ensino presencial tradicional ainda é o melhor, também nos está a dizer que o modelo pedagógico do professor no alto do palanque, o mais longe possível de alunos que mal se relacionam entre si, é a realidade das escolas do século XXI. O que não é verdade. Mesmo se parece ser o mais adequado para que exista o tal ilusório “baixo risco de exposição”.

3ª Feira

Fora de qualquer contexto de pandemia, uma pequena pausa ao fim de 6-8 semanas de aulas não faria mal a ninguém, muito menos aos alunos. Há países que o fazem e são mais desenvolvidos que o nosso. Mas, depois, quem ficaria a tomar conta dos filhos dos nossos articulistas papás? É que se diz que os alunos passam muito tempo na escola, mas só querem dizer nas aulas, porque se fosse na escola, a economia que não pode parar organizar-se-ia de outro modo para que as famílias pudessem estar mais tempo juntas e isso não parecesse uma provação digna de Sísifo.