Phosga-se – Série “As Presenciais”

Vou recebendo respostas, reservando a identificação dos locais para outra ocasião, preferindo por agora seleccionar apenas algumas das situações descritas, destacando aquelas que acontecem em zonas de risco extremo ou muito elevado de acordo com a lista oficial em vigor à data de hoje. E chamo a atenção para os casos em que se realizam por pressão de colegas que acham que nada como fingir normalidade.

Caso 1 (concelho com risco extremo) – Então e a Transição Digital?

“No agrupamento(…) as reuniões estavam inicialmente marcadas para serem online, contudo, houve um levantamento considerável contra as reuniões online, por vários motivos, a internet em casa é lenta, o computador é velho, se o computador avariar não tem tempo para arranjar, não se sentem confiantes com a reunião online, não percebem nada de transição digital, etc,etc… Resumindo, todas as reuniões do pré ao 9 ano serão presenciais.

Caso 2 (concelho com risco muito elevado) – Tau-tau n@s menin@s rabin@s!

“Vamos ter reuniões presenciais porque, durante as intercalares, tivemos colegas a fazer as vídeoconferências a partir dos telemóveis, durante as viagens de regresso a casa. Reuniões de avaliação presenciais são o puxão de orelhas da nossa diretora! Relembro que estamos a falar (…), que está há semanas no risco muito elevado!”

Caso 3 (concelho com risco “apenas” elevado) – As meninas e meninos queriam ficar à roda da fogueira!

“(…) na minha escola (…) finalmente decidiram fazer as reuniões on-line. Sempre propus isso mas nunca acontecia. O que mais me espantou foi que vários colegas ficaram muito contrariados porque, já que damos aulas no meio dos alunos todos… e o melhor : as reuniões presenciais são muito mais “solidárias “ e “ coletivas”, porque os “os papéis vão passando entre todos”…enfim, envio- lhe esta curiosidade.”

Caso 4 (concelho com risco muito elevado) – Dizem que é ilegal!

“Na Escola Secundária (…), os conselhos de turma de final de período (como todas as reuniões na escola, desde junho) serão presenciais. A Diretora segue à risca o que a tutela sugeriu, porque a convenceram de que é ilegal convocar reuniões ‘on-line’ (justificação dada em Conselho Pedagógico aos conselheiros que sugeriram reuniões por videoconferência).

Pedido

Se necessário por mail (guinote3@gmail.com) ou mensagem privada no fbook, etc, gostaria que me fossem dados exemplos de escolas/agrupamentos com reuniões presenciais marcadas e qual a fundamentação dada. Não o peço em comentário, porque isso pode ser problemático. Já tenho conhecimento de um punhado, com fundamentações tão “boas” como aquela que o Arlindo publicou, mas gostava de ter uma noção sobre se a coisa é residual (como me foi garantido por quem tem mais contactos do que eu) ou mais do que isso.

‘Brigados.

A História Está Cheia De Maus Exemplos De “Empenho E Dedicação”

Depois daquele post sobre o despacho shôr sub-director da DGAE, o ex-novo e ex-contratado e ex-activista César Israel Paulo, falei com alguém que o conhece melhor do que eu, assim como ao SE Costa. Percebendo as minhas razões, não deixou de me assegurar que os dois (CIP e JC) são pessoas que fazem o seu trabalho com grande “empenho e dedicação”, o que eu nunca coloquei em dúvida. Aliás. sendo de História, estou de barriga cheia de malta que, ao longo dos tempos, se empenhou e dedicou de forma quase insuperável à “operacionalização” das suas ideias e convicções. O problema está nos objectivos que norteiam tamanho “empenho” e tão desmesurada “dedicação”. Então o século XX está cheio de vultos deste tipo. E lá surge a tentação pelo argumento ad hitlerum. Alguém acha que o Hitler, o Estaline, o Mao e tantas outras luminárias menores se dedicaram à aplicação das suas políticas de forma desleixada e preguiçosa? Acho mesmo que são exemplos maiores de “empenho e dedicação” às suas causas. O problema eram mesmo as causas. Que, ainda por cima, se dizia serem “ao serviço do povo” e “a favor da Pátria/Nação/[coloque o que achar mais adequado]”.

Claro que não estou a comparar políticos menores (ou aspirantes a isso pela via do engraxadorismo administrativo) de um país periférico a essas personalidades e muito menos as suas políticas ao extermínio de povos/classes sociais/[coloque o que achar mais adequado]. Calma. Apenas estou a afirmar que o “empenho e dedicação” são muito relativos. E sim, não é um argumento válido para acharmos que alguém está a agir bem. Assim como a “sincera crença que estão a fazer o melhor para o país”. O Salazar achava isso mesmo. Ou aqueles tipos da Polónia e da Hungria que ainda hoje se congratularam por terem defendido os interesses dos seus povos ao negarem, com empenho e dedicação, a obrigação de respeitarem o Estado de Direito. Mesmo se os ditos povos parecem discordar, pelo menos em boa parte.

6ª Feira

Pelas 8 da manhã, na TSF dava-se conta da “vitória” que tinha sido conseguida na reunião dos líderes da União Europeia, no sentido de desbloquear os fundos para combater a crise resultante da pandemia. Tal “vitória” (foi o termo usado no noticiário) resultou do abandono da exigência do cumprimentos das regras de Estado de Direito para aceder a fundos europeus, ou seja “a simples constatação da ocorrência de uma violação do Estado de direito não é suficiente para desencadear o mecanismo”. O que, na prática, é apenas a “vitória” de depois países (Polónia e Hungria) que pela voz e risos de Orbán e Morawiecki demonstraram que na União Europeia se poderá governar de uma forma que ultrapassa o nosso Chega e ainda se ficar a rir dos outros. Ou que, afinal, dois países do centro da Europa com proximidade à Alemanha podem bloquear decisões europeias, algo que nunca os países do sul conseguiram, mesmo quando se quiseram semi-organizar em grupo de pressão.

A ultrapassagem do “impasse” tem mais do que consequências simbólicas, mas o nosso PM já tinha declarado que não se incomodava muito com as exigências de polacos e húngaros. Até porque, se internamente se mostra muito ofendido com a “extrema-direita”, com a intolerância, o racismo e as derivas “fascistas”, lá fora, desde que paguem, fica logo amansado. O que até não admira porque mesmo cá já se tornou uso e costume do seu governo desrespeitar as regras do Estado de Direito ou o primado da Lei quando o que está em causa é impor a sua vontade a qualquer custo. A Educação é apenas um exemplo e nem de propósito ler respostas de organismos oficiais exactamente com o mesmo texto e “fundamentação” a pedidos com anos de diferença e alegações bastante diversas. Ou remeter sem qualquer pudor para articulados que dizem o contrário do que se afirma lá estar.

O “estado de Direito” foi a enterrar esta madrugada na União Europeia. Em Portugal, em muitas áreas, está em coma induzido há bastante tempo. Desde que venha o dinheiro, que se lixe. Já sabemos disso desde que se venderam jóias e dedos a representantes estrangeiros de regimes mais do que nebulosos em relação aos Direitos Humanos. É um espírito “mercenário” a toda a prova. Que o digam Sócrates na Líbia, Portas na Venezuela, tantos outros em Angola ou China. Ou mesmo os que aplaudem a Guiné Equatorial na CPLP.