Só As “Multidões”?

O passa-culpas para o “colectivo” não deixa de ter a sua graça. A “irracionalidade” nasce da estupidez natural de muito ser humano e é individual, assim como do défice educativo e da atitude anti-científica de muita gente que acumula com uma arrogância hipócrita do género “ai, eu só quero saber a ‘verdade’ e os ‘dois lados’ do problema”. Porque uma coisa é ter uma atitude crítica e não esconder que, por exemplo, as vacinas que por aí estão a aparecer têm uma testagem insuficiente, outra é desatar numa histeria de publicações em que vale tudo, até considerar como gurus quem acha que a Terra é plana ou oca como certas cabeças.

Quanto leio… “isto é só uma constipação ou uma ligeira gripe” a sério que me apetece levas as pessoas a uma UCI ou falar com parentes de pessoas que passaram pela coisa em si, mesmo escapando.

Já quando vejo políticos a fazer continhas eleitoralistas (“vamos lá ver se conseguimos abrir isto um bocadinho no Natal”) ou a esbracejar com chantagens mal amanhadas (“numa altura destas temos de estar todos unidos”), o único sentimento é de um profundo desprezo. Ou mesmo asco.

Países Baixos anunciam confinamento mais estrito que o primeiro. Itália (que passou a barreira dos 65 mil mortos), várias regiões de Inglaterra e Alemanha apertam regras. Também na Suécia vai haver recomendações mais fortes.

É Uma Lista Em Construção

Tenho mais um punhado de concelhos para a troca, ou para acumular à lista do STOP. Aveiras, Barreiro, Lamego… em Lisboa e no Porto são mais, em especial Secundárias. Resta saber se alguém no ME se interessa vagamente por isto ou se apenas lhes interessa que seja gente da sua cor ou que flexibilize muito. E em alguns casos, a ordem para calar vem de gente muito democrata, tolerante, anti-Chega e antifascista e tal.

«Escolas em concelhos de risco extremamente elevado não cumprem orientações da DGS», alerta sindicato

Phosga-se – Série “PHOSGA-SE!!!”

As situações que tenho publicado sobre as reuniões presenciais são quase sempre transcrições das mensagens que me foram enviadas, das quais omiti a escola/agrupamento e, obviamente, @ remetente. Não há qualquer “exagero” ou “invenção”. Infelizmente, a realidade ultrapassa com frequência o pior que se pode imaginar.

Como a situação que em seguida fica exposta por um@ coleg@ sobre a forma como as coisas estão a ser “tratadas” na sua escola por um director que até é da “nova vaga”. É daqueles que prende depressa como instalar a tal “lei da rolha” na base da ameaça directa a quem desalinhe. Isto é mesmo muito grave até em termos de saúde pública mas, obviamente, as pessoas têm medo, até porque sabem que as direcções têm as costas mais do que protegidas pela tutela e pelos seus comissários políticos.

Olá Paulo, no meu agrupamento o diretor só nega informação dos casos positivos. Não estamos autorizados a dizer aos pais se há profs ou alunos infectados. Ele quer dar a ideia de que tudo é muito seguro.

E eu pergunto: “Então se forem alunos para isolamento, como se explica?”

Não vão, só vai o prof se tiver infectado. A turma continua. E há turmas que foram para isolamento e os profs não foram, O meu director só nega informação. E quem falar tem processo disciplinar. Ele já ameaçou vários colegas com processo disciplinar (…) Mais, se eu quiser não posso ligar para o delegado de saúde. Só ele pode. Pois…. Está-se mesmo a ver…

E há outros detalhes, até porque coloquei algumas questões sobre o tempo de permanência no cargo desta pessoa, o agrupamento, se havia casos confirmados entre os professores (existem… mas não podem ser divulgados), etc. E tudo isto me arrepiou bastante. Até porque fui em busca do nome da pessoa à página do agrupamento (tem muita informação em falta), mas um tipo de História desenrasca-se facilmente e lá dei com prosas do ex-colega, actual director plenipotente, que certamente terá esquecido aquelas páginas de prosas tão “sensíveis” que em outros tempos fazia publicar com descrições comovente do seu quotidiano. Ou já gastou toda a sensibilidade ou então é dos que acha que com ele vai tudo metido na ordem.

O Cruzamento De Bolhas

E SE Lacerda Sales “apelou para que no Natal “não se cruzem bolhas, as pessoas estejam em espaços arejados e promovam a proteção dos mais vulneráveis”.

Pessoalmente, todos os dias de aulas, a minha bolha cruza-se com mais de 50 durante períodos de 90 ou mais minutos (há dias em que dou 4 tempos à mesma turma). E há colegas cujas bolhas se cruzam com mais de 100 outras, que diariamente vão depois à sua vida, para as suas bolhas familiares, e regressam no dia seguinte. Se pensarmos que cá em casa há mais uma professora que também se cruza, em média, com outras 80 bolhas e uma aluna com outras 30, são 160 bolhas com que directa ou indirectamente nos cruzamos cá em casa.

Vão-me desculpar, mas só não mando esta gente meter as bolhas em dados ponto da anatomia humana, porque parece que não é por aí que o vírus entra.

2ª Feira

Seria interessante conhecer o conteúdo e forma de tomada de decisão por reuniões presenciais em alguns agrupamentos e escolas. Há uns anos tentaram demonstrar-me o interesse das decisões “por consenso”, algo que em termos de procedimento administrativo, em órgãos colegiais, não existe. Há votações e as posições são tomadas por maioria ou unanimidade, sem abstenções (artigo 23º do CPA). O “consenso” é aquele estratagema usado para que pareça existir unanimidade onde a mesma terá sido difícil de alcançar. Ou em que alguém se “encolhe” ou é obrigado a encolher. Salvo casos excepcionais, as votações são nominais e devem vir registadas detalhadamente nas actas (artigo 27º). O resto é tudo irregular ou mesmo ilegal, mas também é verdade que só em situações muito desconfortáveis alguém se queixa e isso tem provimento na dgae ou igec.