Já De Férias Na 2ª Feira?

O Sr. Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, visitará o concelho de Caminha, amanhã, sexta-feira, dia 18 de dezembro, a partir das 10H30.
O Ministro estará às 10H30, na Escola Secundária Sidónio Pais, em Caminha, para se inteirar das obras de requalificação do estabelecimento de ensino no valor de 3,5 milhões de euros. O Governante seguirá para Vila Praia de Âncora onde decorrem as obras de “ampliação da Escola Básica e Secundária de Vila Praia de Âncora e Espaços de Integração para o Ensino Articulado”, no valor de 2 milhões de euros.
A vinda de Tiago Brandão Rodrigues ao concelho decorre também na sequência do final do 1º período escolar.

Caminha Município

Coerência Acima De Tudo!

Em 2015, o SE Costa achava que o “sucesso escolar não tem dono” quando os resultados dos alunos portugueses no TIMMS tinham subido durante o mandato de Crato. Em 2020, considera que os resultados no TIMMS 2019 desceram durante o seu mandato também não têm dono, ou melhor; a terem não é ele, mas Nuno Crato. Depende da semana em que se presta declarações ou se tem tempo para dar o dito por não dito em artigo. E o que dizer desta passagem em termos de lógica: “estes alunos trabalharam ainda com os Programas de 2007 – revogados antes do prazo normal de seis anos de vigência e sem avaliação – e beneficiaram do Plano de Ação da Matemática – cujo relatório de impacto e eficácia não foi divulgado. A culpa foi, afinal, do programa dos tempos da MLR que o Crato revogou, mas coiso? Isto não faz qualquer sentido fora da cabeça do SE Costa e, provavelmente, da professora Lurdes Figueiral.

Entretanto, o ministro Tiago não tem nada a dizer de relevante, até porque nada disto é com ele.

Dispenso Certos Elogios

Ainda pensei se valeria a pena (não) reagir ao rasgado elogio que João Miguel Tavares dirigiu aos professores portugueses, no Público de ontem. Há quem sinta bem o reconhecimento, qualquer reconhecimento e há quem goste de quem faz uma espécie de mea culpa em relação a prosas anteriores. Eu incluo-me nos que gostam de alguns reconhecimentos e nos que apreciam quando alguém admite que esteve mal e emenda a mão sem ambiguidades. Ora… o texto de João Miguel Tavares não cumpre nenhum dos quesitos, acrescendo o facto de não lhe reconhecer propriamente competência para avaliar o desempenho da classe docente e declarar “que [os professores] se comportaram de forma exemplar“. Lamento, mas o meu “comportamento” não é passível de avaliação por qualquer um, só porque fui dar aulas. Essa é a lógica da espécie de avaliação do desempenho que temos e acha que bastam duas aulas para se avaliar um professor ou que o preenchimento de muita papelada com conversa fiada é sinónimo de qualidade.

No fundo, JMT considera que os professores foram “exemplares” porque foram dar aulas. A mim, que também sou encarregado de educação, isso não me chega. É escasso. Não me chega que me metam a filha numa sala de aula, durante umas horas por dia.

O resto do texto também não ajuda a achar que é sincero – ou se sequer está lá – o reconhecimento de que a prosa escrita no início de Julho esteve mal e que não era mais do que a passagem de um atestado de menoridade cívica aos professores, mesmo se quem o escreveu já comandou o 10 de Junho a pedido do presidente. Eu não fui dar aulas – como tantos outros foram – por causa de “picadelas” da treta, mas apesar delas. Aliás, aquele texto esteve na primeira linha das justificações para não dar aulas, porque a minha dignidade profissional e o meu “sentido cívico” pré-existe em muito às prosas de JMT, pois é uma consequência da diferença geracional… o meu último atestado médico terá sido metido quando ele ainda estava a começar a sua carreira nas “ciências da comunicação” e eu andava pela idade de Cristo e apanhei uma enorme gripe (coincidências!). O texto de ontem é, no fundo, uma espécie de palmada nas costas dos professores, mas também nas do próprio escriba (que parece sentir um pouco como sua a “exemplaridade” docente), com uns remoques anti-sindicais lá pelo meio.

E, claro, há ainda aquela tirada sobre os efeitos “psicológicos e académicos” do período de regime não-presencial para o Ensino Básico, como se uns meses em casa com a família fossem uma “catástrofe”. O que nos explica muito sobre mais coisas do que aqui me apetece escrever quanto à relação entre a petizada, certos ambientes familiares e o papel dos professores.

Mas não queria acabar sem referir a crítica ao encerramento das escolas em Abril para o Ensino Básico que JMT considera ter acontecido “sem que houvesse qualquer sustentação científica para tal decisão”. Por acaso, existe sustentação científica para afirmar que a abertura das escolas é um dos factores que mais multiplica o risco de contágio. O que não tem sustentação, ou diz a verdade por menos de metade é que “não são as crianças as principais propagadoras do vírus, nem as escolas o centro dos surtos”. As crianças são efectivamente propagadoras do vírus e as escolas não são o “centro dos surtos”, mas tudo o que envolve o seu funcionamento é das variáveis mais activas na contaminação e no tal valor R. O JMT é que só lê o que lhe dá jeito e se possível prosas de opinião do Observador ou do Henrique Raposo.

Covid-19. Crianças têm papel mais importante na propagação do vírus do que se pensava, indica novo estudo

Expresso, 20 de Agosto

Covid-19. As crianças podem ser um veículo de transmissão do vírus por mais tempo do que se pensa

Expresso, 31 de Agosto

(…) An increasing trend over time in the R ratio was found following the relaxation of school closure, bans on public events, bans on public gatherings of more than ten people, requirements to stay at home, and internal movement limits, especially after the first week after relaxation; the increase in R ranged from 11% to 25% on day 28 following the relaxation (figure 3). The relaxation of school closure was associated with the greatest increase in R on day 7 (R ratio 1·05, 95% CI 0·96–1·14) and day 14 (1·18, 1·02–1·36). The relaxation of a ban on gatherings of more than ten people was associated with the greatest increase in R on day 28, with an R ratio of 1·25 (95% CI 1·03–1·51) on day 28.

The Lancet, 22 de Outubro

6ª Feira

Parece que as famílias que se iam esgatanhando durante o período do confinamento da Primavera e dos passados fins de semana prolongados, querem muito conviver no Natal com o resto dos parentes e estão tristes com a falta do Ano Novo na rua. Ou algo parecido, porque parece que já há vacinas e tudo vai acabar bem. Mais ou menos mutação do vírus.