Polémica A Pedido

Este texto da Maria de Fátima Bonifácio faz parte daqueles que parecem ser escritos propositadamente para suscitar polémica. Eu apenas me recordo dos tempos em que ela aplaudiria a peça que agora critica (e quiçá a prática em causa, que eu bem me lembro de certas considerações avinagradas de antanho), mas todos temos direito a crescer, mesmo já idade adulta dentro.

Investigação Em Forma De Viés

Há projectos de “investigação” que são todo um programa ideológico à espera da evidente confirmação das suas teses de partida. Que, mesmo quando dizem que não resposta certas ou erradas, trazem questões onde está mais do implícito o que se pretende.

Recebi há pouco um questionário, reenviado por uma colega que abandonou o preenchimento, e muito bem, optou por questionar as autoras acerca do “método” de construção e encadeamento do questionário.

É sobre “Crenças sobre a retenção escolar” e tem perguntas para graduarmos a nossa posição (de “discordo” a “concordo totalmente”) sobre certas atitudes como “É oferecendo a todos os alunos – dotados e pouco dotados [mas sem definir estes conceitos] – as mesmas oportunidades de aprendizagem que se constrói uma escola justa” ou “A instrução deve ser alicerçada em torno de problemas com respostas corretas e claras em torno de ideias que a maior parte dos alunos possam assimilar rapidamente”. Ou “quanto maios [sic] o professor demonstrar confiança na capacidade da criança mais ela desenvolverá a inteligência”.

Claro que são questões com respostas encavalitadas e, já agora, quando eu consultei literatura sobre a elaboração de questionários deste tipo, aprendi que se deve ser conciso e claro no que se pergunta, em vez de fazer uma espécie de “manifestos”. A maioria das “perguntas” estão formuladas de um modo que dá claramente a entender o que se pretende concluir, ou melhor, o que se considera ser a atitude “certa”. Dificilmente se descobre algo novo, quando se expõem de forma tão óbvia os pressupostos ideológicos da “pesquisa”.

Se as autoras quiserem, eu posso elaborar já introdução e a conclusão do estudo, mesmo sem acesso aos resultados do inquérito. Porque já vi este caminho ser percorrido tantas vezes, que o faço de olhos fechados.

Interessante

Embora, como é da NASA, aposto que vai passar a espiar o computador de todos os que acederem ao site.

EARTHDATA . Covid-19 Dashboard

As communities around the world have changed their behavior in response to the spread of COVID-19, NASA satellites have observed changes in the environment. This experimental dashboard reflects a rapid response to COVID-19 that is currently underway and will continue to evolve as more data becomes available. 

2ª Feira

A esta hora já há gente a ter reuniões de avaliação presenciais com justificações absolutamente patetas. Vou apenas referir três: 1) nada substitui uma reunião presencial (claro, como nada substitui tanta outra coisa que, em determinadas circunstâncias não podemos ou devemos ter/fazer, sendo que no 1º período me escasseiam bastante os motivos de tal necessidade); 2) já estivemos 3 meses com aulas com 25-30 alunos nas aulas, que mal fazem mais umas quantas reuniões? (argumento por demais idiota, pois lá por termos sobrevivido a um terramoto, isso não implica que estejamos seguros e quase desejosos de provar que sobrevivemos a outro); 3) se a reunião for remota, o dt e secretário têm o trabalho todo e assim todos podem colaborar na elaboração dos documentos (a sério? isto é, repito, nas actuais circunstâncias, uma fundamentação vagamente inteligente ou passível de ter saído da cabeça de alguém com dois dedos de capacidade craniana? partilhar os materiais durante a reunião é recomendável? não podia ter seguido tudo por via digital para verificação, agora que temos tant@s mestr@s em plataformas?)

Em suma, a decisão por realizar reuniões presenciais, numa altura em que se discutem quantas pessoas podem partilhar o Natal e Ano Novo, em que se renovam limitações às deslocações, é de uma inconsciência, irresponsabilidade ou apenas pura estupidez de quem deve querer mostrar “capacidade de liderança” e, quiçá, graças ao cartão, ter ainda outros voos, por se sentir com as costas quentes pela tutela e pelos seus comissariados políticos, a começar pela dgae.

(e nem me falem na idiotice suprema de quem quer fazer as pessoas irem às escolas só para assinarem actas, agora que existem tantas formas de as assinar digitalmente, sem sequer recorrer à chave móvel)