Uma Verdadeira Pedagogia Da Autonomia…

… dificilmente se satisfaria com a validação de práticas de servidão burocrático-administrativa ou com uma lógica em que o professor é considerado um irresponsável se não registar tudo o que fez e não fez, com a devida fundamentação em duplicado ou triplicado, em grelha, tabela, plataforma ou questionário, para posterior análise e eventual puxão de orelhas porque falhou aqui um ponto final ou ali ficou um verbo que parece mal à cartilha da “autonomia”. Parece-me de uma imensa hipocrisia, sabendo que me repito, mas apetece-me repetir, porque é coisa que dura e perdura, que quem ande com certas retóricas emancipatórias e inclusivas sempre a cair-lhe do beiço, deveria ter o decoro de não estar sempre a fazer descarado negócio em modo de “formações” reaquecidas em banho-maria das sebentas de outrora, ou que esteja na primeira linha dos que querem amarrar toda a gente a uma concepção do professor como funcionário subordinado e temeroso em relação a qualquer desvio ao padrão dominante.

Já agora, também tenho direito a citação freirista, mas sincera, porque eu até o li, mesmo quando discordava da parte demasiado devedora ao contexto das sociedades pós-coloniais de desenvolvimento muito desigual.

Que podem pensar alunos sérios de um professor que, há dois semestres, falava com quase ardor sobre a necessidade da luta pela autonomia das classes populares e hoje, dizendo que não mudou,
faz o discurso pragmático contra os sonhos e pratica a transferência de saber do professor para o aluno?! Que dizer da professora que, de esquerda ontem, defendia a formação da classe trabalhadora e que, pragmática hoje, se satisfaz, curvada ao fatalismo neoliberal, com o puro treinamento do operário, insistindo, porém, que é progressista?

One thought on “Uma Verdadeira Pedagogia Da Autonomia…

  1. Quando se fala destas coisas da classe a propósito deste brasileiro é importante ter presente que o homem se destacou na alfabetização de adultos. Dar-lhes umas noções de direitos individuais e de cidadania era, nestas circunstâncias, um dever cívico…

    Parece-me que a consciência de classe para os nossos alunos se pauta por outros parâmetros bem mais prosaicos…

    Enquanto professor prefiro pensar que o nosso papel é permitir que os miúdos possam fazer as suas escolhas.

    O mesmo não posso dizer de quem faz os manuais de HGP e de História…

    Entretanto, fiquei encantado com outras perspectivas face à escola e até face ao Covid. Se não me tivesse distraído um pouco de alguns arrazoados, estaria já convencido de que o Covid nas escolas não se sente e, apesar de estar a produzir melhores cidadãos, é muito seguro e tudo.
    Viva, pá! a érretêpêterês!

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