O Puro Abuso De Poder Ao Serviço Da Ocultação

Eu sou do tempo em que uma declaração para a acta de um elemento de uma reunião era transcrita verbatim para o corpo da dita acta, podendo ou não suscitar outras declarações, até em discordância. Ainda me lembro de, como director de turma, ter de aceitar em acta, há uns bons anos, que a retenção de uma aluna (que tinha 8 negativas em 9 disciplinas) com voto meu de desempate numa decisão de 4-4, a iria conduzir para o caminho da perdição e prostituição à beira da estrada (o que não se confirmou, já agora).

Só que agora há controleir@s de actas a rever a posteriori, não o rigor das informações prestadas e a sua coerência com outros documentos, mas cada verbo, vírgula ou o que pode ou não pode ser declarado no que ultrapassa qualquer razoabilidade. Mesmo que essa atitude venha envolta em considerações informais do género “isso não é assunto para agora/aqui”. Ou conselhos de que quem ousa desviar-se da cartilha oficial do “tudo vai acabar bem” se pode meter em trabalhos. Em especial quando há tanta acta cheia de conversa de m€rd@ a fingir que é qualquer coisa, excepto o que é mesmo, enchimento de chouriças pseudo-pedagógicas arrancadas às velhas sebentas ou às formações ariano-costistas em franchisado. Ou da responsabilidade gente especializada em armar-se no que não pratica, a começar pela tolerância e flexibilidade.

(enfia o barrete quem quiser… até porque esta é uma prática censória mal disfarçada que se generalizou, não se pense que são situações “residuais”)

11 thoughts on “O Puro Abuso De Poder Ao Serviço Da Ocultação

  1. Residual ou não aconteceu comigo numa reunião do 1 período… Incrível!

    A obrigação de dar nota positiva pq senão iria meter-me em trabalhos… E por aqui me fico.

    Isto está pior que nunca.

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  2. Confesso me estupefacta… De acordo com o CPA não há como impedir ou retirar tomadas de posição ou declaração de vencido de qualquer elemento de um órgão colegial!! E ao contrário de aquilo que muito bem chama de conteúdo de m… essas declarações devem constar verbatim.

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  3. Como diz AP não há como impedir ou retirar as tomadas de posição ou declarações e, por isso, não há, a bem dizer um tempo em que e um outro em que não.
    Tenho observado, contudo, que o costume de fazer declarações para a acta tem vindo a desaparecer. Se calhar isso deve-se a vivermos numa “época de consensos” e não a uma qualquer atividade censória mal ou bem disfarçada.

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    1. O problema é que, nos infelizes tempos que temos, nem existem propriamente “actas”, as outro tipo de documentos, com páginas e páginas, com secções e subsecções que, entre a reunião e o arquivamento podem sofrer, como hei-de dizer, “mutações” se @ DT assim o aceitar em nome do “bem comum”, do “consenso”, do “pântano”, seja o que for que lhe chamemos.

      O que eu também gostaria de deixar claro é que muita coisa que me é contada/comunicada, etc, é muito diversa da minha experiência individual ou deste ou aquela comentador@, porque o pais, sendo pequeno, é amplo em práticas.

      Havia quem dissesse que eu escrevia sobre o meu “umbigo” ou agora sobre o “meu quintal”. Não é bem assim. Quantas vezes, sirvo de “eco” para quem não pode falar e identificar situações concretas. O que escrevo (como aquilo das reuniões com 16 pessoas na mesma sala) não são exageros da realidade, mas retratos até bastante comedidos.

      Eu sei que desde 2015 (e antes) se estabeleceu em certos ambientes a “narrativa” de que eu só digo mal, conto coisas exageradas, distorço factos. Tomara que assim fosse. Há é quem não conheça exactamente o que por vezes se passa mesmo ao lado. Às vezes na mesma escola há um desconhecimento atroz entre ciclos de escolaridade, porque há quem pense que certos assuntos nem são consigo, porque não fazem parte do seu dia a a dia. É pena, porque isso apenas agrava a desagregação da experiência docente e impede que se entenda mais do que os nichos particulares de cada um@.

      Até porque, se fosse muito necessário, eu poderia colocar um nome de escola (até de pessoa ou órgão) adiante de cada caso descrito ou meramente aflorado.

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  4. O ponto do Jorge Mendes é muito válido. O que se nota mais é que já não há declarações para a ata, e quem o continua a fazer é um chato do caraças, por isso, nem comentam, nem querem saber, e muito menos ainda subscrever! Está tudo amestrado é o que é! Uma cambada de amanuenses, que depois enchem o peito e vão para as aulas ensinar pensamento crítico 🙂 🙂 🙂 🙂 Até me dá comichão nos…

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  5. Mais um detalhe… e o que dizer de requerimentos que, embora formaimente apresentados, são respondidos oralmente ou são apenas “esquecidos” e assim ficam e quem os fez. só sendo o “chato” do costume consegue algum retorno.
    Isto é extensivo aos serviços do ME que ignoram situações irregulares que lhes são descritas, quase sempre alegando que são da competência do serviço ao lado, que por sua vez diz que não é bem assim. E assim o tempo vai passando e as situações anómalas tornam-se facto consumado.

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  6. Realmente, e políticas partidárias à parte, é verdade o que diz o Paulo. Depois de 2015, e sempre com tendência a agravar-se, sente-se quase uma ditadura de escola. Não sei se é do ministério, se é dos diretores ou se é nossa ou se é de todos. A verdade é que convivo diariamente com colegas revoltados com situações ilegais e injustas e não abrem a boca porque, literalmente, têm medo. Isto mete-me um bocado de nojo e sentir vergonha de ser professor.

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