Um Artigo Muito Infeliz

É Natal, mas há coisas que caem muito mal, por muito que a relação pessoal com o autor até seja boa. Este artigo do Filinto Lima é uma deles. Não me vou alongar em comentários porque discordo de quase tudo o que está escrito e aquilo com que concordo está apresentado de um modo errado, porque dirigido aos interesses micro-corporativos de pouco mais de 800 ex-professores, alienando a grande maioria dos docentes que não vivam da cascata de nano-favorzinhos locais. Transcrevo alguns excertos significativos, enegrecendo as partes que acho sobremaneira infelizes, porque revelam lacunas claras na representação da realidade, mais parecendo um daqueles louvores no Diário da República, só que em causa muito própria.

É o momento oportuno para realçar o trabalho extraordinário dos diretores e das suas equipas diretivas, dos coordenadores de professores e do pessoal não docente, que se devotaram de alma e coração, mormente aos alunos, a maioria dos quais arredada do espaço escolar de 16 de março até ao início do ano letivo atual. Seis meses é muito tempo!

Os líderes das escolas públicas portuguesas constituem um órgão unipessoal, que faz uso da colegialidade de opiniões, em auscultações frequentes e participadas, quando da tomada de decisões; são eleitos por um órgão representativo – conselho geral – dos professores, do pessoal não docente, dos pais e encarregados de educação, dos alunos, do município e da comunidade local – inviabilizando a possibilidade da prática adversa dos jobs for the boys; o seu cargo é limitado a um máximo de 4 mandatos – de 4 anos cada – (…).

E, no entanto, os 812 diretores existentes no sistema educativo nacional dispõem de um modelo de avaliação injusto e que reclama uma alteração urgente, pedido que será concretizado no próximo ano civil, sejam os políticos sensíveis a tal desígnio. Invocam, ainda, maior apoio na sua ação, nomeadamente das serviços centrais do Ministério da Educação (…).

Os dirigentes máximos das escolas revelam-se decisivos, para além do mais, na obtenção dos resultados positivos na Educação, expressos recorrentemente nos últimos anos, quer interna quer externamente, mau grado a escassez de recursos humanos, profissionais imprescindíveis e potencializadores das melhorias mais acentuadas; na gestão extraordinária que realiza(ra)m em relação à pandemia, eixos de referência para o sucesso das medidas adotadas no primeiro período letivo; no modo insigne como gerem diariamente os estabelecimentos de ensino e que colhem a estima da generalidade das comunidades educativas que norteiam.

Por isso, neste final de ano, saúdo os nossos diretores, subdiretores, adjuntos e assessores, pelo trabalho louvável que têm efetuado na liderança das suas comunidades educativas, quantas vezes sem o sentido e merecido reconhecimento, legal e institucional.

2ª Feira

Esta é uma semana essencial para que se guardem energias para um novo ano que está longe de ter garantias quanto ao modo como se vai desenrolar. O novo período irá arrancar com tantas dúvidas quanto o primeiro, pois a vacinação da maioria da população acontecerá apenas a partir de Abril e efeitos de qualquer imunização de grupo surgirá apenas lá para o Verão. Pelo que, com os meses mais frios a chegar, os riscos continuam elevados e a semana que acabou (de reuniões desnecessárias a compras em bando, passando por regras muito pouco rigorosas na quadra natalícia, para controlar danos políticos) não irá ajudar muito aos números da segunda e terceira semanas de Janeiro.

E já se percebeu que “certezas” ou não há ou são as mesmas que se foram instalando até agora: aulas presenciais até ao limite do razoável (não vá uma meia dúzia de articulistas mais mediáticos aborrecer-se como o actual PM) e transição digital só muito devagarinho, pois vamos começar 2021 e os meios disponibilizados para qualquer novo E@D nem atingem 10% do prometido, sendo que também já ficou implícito que acham que os professores terão de avançar com os seus meios digitais para que qualquer coisa funcione a sério (já pensaram que o E@D pode ser feito a partir dos espaços escolares e não da casa de cada um@?).

2020 vai terminar com a certeza de que o futuro ainda não passou por aqui e 2021 irá começar do mesmo modo, muito fingimento, pouca uva. Muito “estudo” (vai haver também um sobre Educação Literária), pouca consequência em tempo útil, que não seja a constatação da “necessidade de formação dos professores”, porque há clientelas que com isto do digital andam a perder espaço à mesa.