3ª Feira

Há que reconhecer quando um adversário consegue vencer, nem que seja à distância, a médio prazo, uma guerra. Em 2013, fui a um Congresso da ANDAEP onde Maria de Lurdes Rodrigues se lamentou de os directores não terem ainda desenvolvido o “espírito de corpo” (ou expressão equivalente, não fui consultar os apontamentos da época) que ela lhes tinha procurado incutir, para melhor aplicarem as políticas e, implicitamente, se afastarem da generalidade dos docentes.

A finalizar 2020, penso que a “reitora” já não afirmaria isso, pois boa parte dos directores (e nem sempre os mais antigos, que há por aí uns “novos” que parecem ter refinado na peneirice arrogante) já parece sentir-se feito de outra matéria do que a globalidade dos professores que urge amestrar ou domesticar nas últimas bolsas de protesto ou resistência a abusos.

Calma, eu sei que nem tod@s são assim. Mas, infelizmente, cresce o número dos que se acham dotados de uma espécie de inspiração divina, que lhes deveria garantir um estatuto separado, até em termos de carreira. Como se vai percebendo agora que têm de passar, na sua avaliação, por um sistema de quotas parecido ao do resto dos zecos. E acho mal, porque discordo desse sistema. Mas, ao mesmo tempo, acho que o karma é lixado e, por vezes, escreve direito por linhas tortas. Que os directores queiram uma revisão do seu sistema de avaliação, compreendo, pois eu também quero a revisão do meu. O que “descompreendo” é que publicamente reclamem só para si o que não aceitam aos outros e ainda pressionam para que seja aplicado.

A add é uma porcaria que só se tornou possível pelo amochar de órgãos de gestão e centros de formação, que nunca se ergueram a contestar o modelo, nem sequer nestes tempos de pandemia. Alteraram-se calendários escolares, eliminaram-se provas de aferição, alteraram-se as regras dos exames do Secundário. Mas a add ficou tal como estava, sem qualquer respeito por regras básicas de segurança sanitária, obrigando-se os docentes avaliadores externos a andar de escola em escola, sem que quase ninguém se opusesse a tal.

Virem os directores reclamar agora que devido às quotas, mesmo tendo nota para Excelente ou Muito Bom vão cair no Bom é um bocado caricato, quando essa é a realidade de todos aqueles que andam a dar aulas e a ficar anos a fio em listas de espera, porque tiveram menos uma décima do que o vizinho do lado. O modelo de avaliação dos directores é injusto? Só esse é que é injusto?

Tenham dó, cresçam e deixem de baixar as bragas cada vez que falam com o shô secretário. Até é ele quem tem agora essa competência e tudo. Nem se pode desculpar com os outros, como foi longa prática em tanta matéria. Mas, se for “sensível” a este protesto dos directores, espero bem que o resto do maralhal não fique a assistir, caladinho e sossegado com medo do horário e turmas do ano seguinte, porque mudar a avaliação de uma micro-corporação, por muito “útil” que seja no puxar da trela aos zecos, e deixar os outros na mesma, seria de uma falta de decoro a todo a prova.

Mas nada que me espantasse nos herdeiros da “reitora”, a tal que impôs a avaliação aos outros, mas se negou ela a ser avaliada para o cargo e conseguiu, mesmo assim, ser escolhida.

(e isto não um texto anti-director@s, como outros não são textos anti-sindicatos… esta é uma posição crítica quanto à falta de coerência e solidariedade daqueles que acharam que, por muito se baixarem, não ficariam à mão de semear para levarem o clister …)

9 thoughts on “3ª Feira

  1. Da mesma forma que, entre muitas outras, alteraram o significado de “irrevogável” também mudaram o de “excelente”…

    MUITO BOM.
    NESTA MATÉRIA, DIFICILMENTE PODERIA SER MELHOR!

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  2. Infelizmente os professores já se habituaram ao esquema, andam a pisar-se uns aos outros para ver qual é que consegue o tal muito bom ou excelente (por normal ganha o que mais mal fez aos colegas e andou a servir os diretores).

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  3. como diz a sabedoria popular: “ouve o que digo e não olhes para o que faço”.
    convém relembrar que a m**** da reitora antes de o ser, foi avaliada com classificação negativa no ISCTE, e bradou aos céus jornalísticos a injustiça de uma add que era complexa…
    e já agora, a add dos zecos é uma porta aberta ao ‘envelope por debaixo da mesa’…

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