Recuperando Uma Parte Da Crónica Para O Educare

Porque já parecia adivinhar o que aí vinha quando a escrevi em final de Dezembro. Foram, entretanto, prometidos mais 260.000 kits, mas por este andar ou chegam mascarados no Carnaval ou em forma de ovos da Páscoa.

O futuro também não chegou em 2020 à comunicação política em torno destas questões, continuando a preferir-se a encenação mediática, a truncagem da informação e as promessas sem intenção de cumprimento a um novo tempo em que se abandonem os oportunismos, os malabarismos semânticos ou a simples agressividade descabida (em casos como os do ministro da Educação quando é mais “apertado” e fica sem capacidade de resposta), em favor de alguma seriedade e rigor. O exemplo mais claro é o dos anúncios de centenas de milhões para assegurar uma “Transição Digital” nas escolas, de que chegaram migalhas ao fim do primeiro período. Os 100.000 kits tecnológicos são insuficientes para uma população escolar que tem mais do dobro dos alunos em situação de exclusão digital já demonstrada. As somas anunciadas permitiriam muito mais do que formações de bastidores para a “Capacitação Digital dos Docentes”, pois para se poder usar e aplicar os meios digitais é necessário estar em condições de a eles aceder. O primeiro problema é o do “acesso” e esse está longe de estar assegurado. Mesmo ao nível das escolas em que a generalidade dos computadores (desktops) nem dispõe de webcams.

Por fim, por agora e para não prolongar uma crónica que seja criticada por demasiado “negativa” quando até temos horas de directos televisivos em salas de vacinação para transmitir “confiança”, há o assustador salto para o passado que constituiu a adesão de muitos professores (entre outros profissionais com qualificações académicas superiores) ao irracionalismo anti-científico, com o pretexto de se estar a exercer o direito à liberdade de expressão e crítica do “discurso dominante”.

5 thoughts on “Recuperando Uma Parte Da Crónica Para O Educare

  1. Já viram o questionário para a “capacitação digital” (inventam cada termo…)?
    Adoro o início…que subverte a coisa toda. Não lembra ao diabo:

    “Suponha que tem as condições adequadas no seu contexto de trabalho (disponibilidade de equipamentos eletrónicos e acesso à internet para professor e alunos)(…)”

    Não é giro este “suponhamos”?!

    Andamos a “supor” há decadas! Por carolice. Decidi neste novo ano parar.

    1. O computador da escola não funciona? Não uso. Digo aos alunos para irem perguntar ao Sr. Ministro, que é quem sabe.
    2. A drive do computador está avariada e não permite fazer os visionamentos que tinha planificado? Não faço. Digo aos alunos para irem perguntar ao Sr. Ministro, que é quem sabe.
    3. O projetor não funciona ou a lâmpada está fundida há semanas? Não projeto. Digo aos alunos para irem perguntar ao Sr. Ministro, que é quem sabe.
    4. Não há internet e não consigo aceder a materiais. Não os uso. Aula à antiga. Digo aos alunos para irem perguntar ao Sr. Ministro, que é quem sabe.
    5. Não há coluna de som ou câmara para os desgraçados que estão confinados em casa? Temos pena. Digo aos alunos para irem perguntar ao Sr. Ministro, que é quem sabe.

    Deviam fazer o mesmo. Alunos e pais a inundarem o email do tiaguinho, sem vergonha.

    “Temos pena”, palavras do ministro António, quando nos roubou o tempo de serviço.

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    1. Roubou e continua a roubar! Roubou na altura e continuará a roubar enquanto estiver ao serviço: não progrediu, não viu o salário aumentar. Mas, meu amigo, quando se reformar continuará até aos últimos dias de vida, enquanto receber a pensão, a vê-la diminuída por que se reformou por um escalão abaixo do que era justo e tinha direito. É suma, um roubo para toda a vida! Ao fim de cada ano representa milhares de euros. Roubar o tempo de serviço é muito pior que roubar uma carteira ou um cofre!!! O Zarolho explica isso muito bem…Não fomos roubados um mês ou um ano. Seremos roubados todos os meses toda a vida.

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