5ª Feira – Dia 0 Do Pseudo-Confinamento

Ontem lia um dos principais membros da corte costista, ainda antes do anúncio das decisões que até a ele provocaram algum espanto (hélas! não é caso completamente perdido), a dizer que as pessoas estavam muito ligadas aos seus contextos “locais” na análise de tudo isto. Trata-se de uma das luminárias da “territorialização” das opções curriculares e das próprias abordagens pedagógicas. Assim como da municipalização da Educação e do desenvolvimento de políticas educativas locais. Mas agora quem levanta problemas é porque só vê o “local”. Ora bem… o meu “local” diz-me que alunos de 10 anos percebem com a clareza que o cinismo e a hipocrisia ainda não toldaram, o que adultos parecem não entender ou submeter a lógicas instrumentais. O meu “local” transmite-me que as “famílias” estão mais preocupadas do que as cúpulas das associações consultadas por António Costa. O meu “local”, apesar de todos os pecadilhos e de saber que no nosso caso cá estaríamos de qualquer forma, compreende que isto não é um confinamento “como em Março e Abril”.

A bem dizer este é um confinamento quase exclusivo do comércio “não essencial” (será que posso, pelo menos, comprar livros no supermercado?) e das actividades culturais (como bem dizia o Bruno Nogueira de manhã, uma missa não é um espectáculo com alguém no palco a falar para uma audiência?). Haverá efeitos no controle dos contágios? Sim, mas muito mais lentos do que se fossem 15 dias a sério. Ou o mês daqui até ao Carnaval. “Como em Março e Abril”.

Já agora, como ideia matinal fica a proposta de transformar parte dos recintos escolares em hospitais de campanha porque, como ficámos a saber, as escolas são espaços de “contágio zero”, o que dá imenso jeito, porque os hospitais se estão a tornar caóticos e desta maneira se evitariam os surtos e cadeias de transmissão entre enfermeiros e médicos.

15 thoughts on “5ª Feira – Dia 0 Do Pseudo-Confinamento

  1. “uma missa não é um espectáculo com alguém no palco a falar para uma audiência?”
    Milhares de salas de aulas não sao milhares de espetáculos com o público apertadinho?
    Milhares de cantinas escolares não são milhares de restaurantes?
    Milhares de ginásios escolares não são ginásios com milhares de pessoas sem máscara em desportos de contacto?
    Milhares de alunos em convívio nos recreios e arredores das escolas não são ajuntamentos de pessoas sem distâncias e sem máscaras?
    Milhares de alunos em circulação, casa, transportes, casa…são bolhas?
    Hipocrisia, demagogia…irresponsabilidade!!!

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  2. Acho que uma proposta vencedora seria transferir toda a população portuguesa para dentro das escolas (locais de transmissão zero da COVID) e aguardar calmamente que o vírus fosse embora.

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  3. Claro que são de contágio zero. Não havendo testagem, não há surto.
    Só estão a ser testados alunos com sintomas. Daí os testes antigénio terem sido arredados (proibidos?) das escolas.
    Os/as Delegados/as de Saúde são cúmplices desta política de camuflagem da realidade. Mesmo perante um positivo na família, não havendo sintomas, raramente se testam os filhos.
    E é assim… vivemos em profundo sonambulismo beatopatriótico.

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  4. — Então Cidália, fecharam o parque infantil e não deixam o ciganito brincar?
    — Ó Tina, os miúdos aqui não têm professores à beira deles e por isso há risco de se contagiarem.

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  5. Amor em tempos de pandemia

    — Ó Vanessa,vieste para a rotunda procurar clientes?
    — Tem que ser querida. O senhor na televisão diz que só é permitida a circulação de pessoas para irem para o trabalho.

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  6. A equipa de cientistas da OMS foi finalmente autorizada a entrar na China. As autoridades estavam à espera de ter um “novo” surto para lhes permitir a entrada. Seria aborrecido se os doutores fossem tão longe e não tivessem casos para ver. Ir às China e não ver o Covid era como ir a Roma e não ver o Papa.

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  7. “Igreja Católica suspende casamentos e baptismos, mas missas continuam com presença de fiéis”
    Se não são casados e batizados pela igreja não se pode propriamente dizer que sejam fiéis.

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  8. Já agora no concelho de MAFRA existem 21 jardins de infância; destes 11 estão fechados!!!!! Mas isso não interessa passar para a opinião pública…

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