Uma Conclusão Interessante

Parece que 2 a 4 semanas sem aulas presenciais com os professores, que têm sido obrigadas a seguir um modelo bem tradicional (as interacções em sala de aula, actividades colaborativas entre alunos e outras “diferenciações” estão fortemente desaconselhadas), destruiriam as aprendizagens de forma “irremediável” e conduziriam a uma “geração deslassada” (a tentativa de Manuel Carvalho fazer de Vicente Jorge Silva e cunhar uma expressão para a posteridade).

Ou seja, aquilo não terá sido conseguido por anos e anos de políticas disparatadas, em zigues e zagues, com uma acumulação de burocracias para atrapalhar o trabalho dos professores e políticas cada vez mais ridículas de avaliação dessas aprendizagens.

Realmente, a presença física dos professores é mesmo “impactante” para os alunos, ao contrário de uns 30 anos a dizerem que os alunos podem construir o seu conhecimento, em auto-descoberta, com os docentes ali apenas a “faclitar” (o que poderia ser feito à distância, certo?). Ou que as tecnologias tornariam quase irrelevante o papel do humano na Educação. Os professores foram sendo crismados de “inúteis”, “egoístas”, “corporativos”, “velhos”, “arcaicos” e tudo o que ocorreu a uma clique de burgessos, nem sempre exteriores ao sector da Educação, só que alguns de forma mais envernizada, mas não menos insidiosa. Afinal são “essenciais”.

(será altura de lembrar que há 6 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço apagado da carreira, que causou danos “irremediáveis” e marcou várias “gerações” de professores, que agora deveriam cobrir os deputados porfírios e os comentadores situacionisttavares e baldaias as com toda a vergonha que lhes falta?)

Será que essas criaturas que há tanto tempo nos bombardeiam com essas teorias, terão a decência de se desviar da frente e deixarem de atrapalhar? Porque as vossas teses parecem estar claramente erradas. Afinal, umas semanas sem professores em osso e carne (muita, no meu caso), as perdas são “irreparáveis” e podemos “perder uma geração”. Porque eu vou guardando todos estes malabarismos para, em devido tempo, sugerir que os freiristas e/ou futuristas de aviário se encham de alcatrão e penas quando voltarem a meter a cabecinha de fora, em nova vaga de parlapatice, sancionada pelo secretário costa e os seus apóstolos.

17 thoughts on “Uma Conclusão Interessante

  1. Eu sei que o que vou perguntar é completamente off topic. Gostava, no entanto, que me indicasse um site de professores, qualquer coisa, onde eu possa esclarecer uma coisa: o meu filho tem rinite crónica e alérgica e, em consequência (como muitos saberão) tem por vezes enxaquecas incapacitantes, daquelas de estar sossegadinho na cama, sem ver luz. A desconfiança na escola dele com as faltas por causa disto é desesperante e frustrante. Quando falta a testes ainda aceitam justificações simples, mas quando há testes exigem um atestado médico, que apenas nos é passado com choradinho e especial favor. Existem orientações gerais para isto, ou cada escola decide como quer? Como fazem os professores com o mesmo problema? Peço desculpa, mais uma vez.

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    1. Claro que existem orientações chamadas de Estatuto do Aluno, ou seja uma lei, que contemplam os motivos atendíveis para a justificação de faltas dos alunos. E é isso que as escolas seguem, não andam a inventar! Talvez fosse melhor arranjar uma declaração de um médico especialista a confirmar que a criança tem essas dores de cabeça. E porque é que é assim tão difícil conseguir um atestado médico?

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      1. Sofia, muito grato por me informar que existe o Estatuto do Aluno e que é isso que as escolas seguem 😉 Conheço-o de trás para a frente e, sendo eu jurista (ainda que o não fosse), sei que as leis nem sempre se adaptam a todas as circunstâncias e ficam sempre alguns vazios. Aliás, é bom e saudável discutir leis e decisões, e estes fóruns servem precisamente para isto. Não é assim?
        E o meu filho tem uma declaração de médico a confirmar a doença, sim. Acontece que, de cada vez que tem de faltar a um teste por causa disso, tenho de pedir um atestado que diz que em tal dia e hora esteve com enxaqueca por causa da rinite e nessas ocasiões já fui olhado de lado por professores e a própria médica de família oferece alguma resistência. Porque parece existir um princípio da desconfiança na nossa administração pública, em relação aos cidadãos.

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      2. A minha única intenção foi saber se existiria algum fórum de professores e pais, qualquer coisa na net, onde estas coisas se discutem, embora agradeça a boa vontade de quem queira esclarecer-me aqui. Sei bem que este site não está vocacionado para estes temas mais práticos. Encontrei muitos sites brasileiros onde estes temas se discutem, que nisto os brasileiros me parecem muito mais dinâmicos que os portugueses.

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      3. Rififi se conhece os estatuto perceberá que há margem para aceitar essa justificação, como também há o direito do professor titular/ diretor de turma exigir documentos que comprovem a situação de impedimento por motivos de saúde. O que me parece mais estranho é a médica de família não querer passar o atestado.

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      4. Sofia, agradecendo a sua paciência para me responder, digo-lhe que a “margem” do professor titular ou diretor de turma, me parece ser eufemismo para “arbitrariedade”. A verdade é que há áreas cinzentas na lei e isto leva a situações constrangedoras, com pais de chapéu na mão a pedinchar a aceitação de justificações. Isto tanto vale para o caso concreto do meu filho, como para outras situações, como a depressão, por exemplo, um fenómeno mais prevalecente na juventude do que parece, sobretudo nesta altura.

        Obrigado, mais uma vez, pela resposta.

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  2. Lamento discordar: nem a teoria do caos para as criancinhas privadas de professores de pele e osso, nem a de que o futuro está na “gamificação” tão divertia quanto pedagogicamente inútil.
    Estas expressões, vindas de quem vêm, não valem absolutamente nada.
    São formas de preencher o momento, o vazio das cabeças eduquesas politiqueiras, cujo único objetivo na vida é o auto-sustento e o pavoneamento.

    O Paulo nem devia dar-lhes tanto relevo, pois até parece que alguma vez essas cretinas individualidades proferiram algo com verdadeiro mérito e que tivesse algum interesse genuíno pela Educação.

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    1. Mas eu gosto muito de irritá-los. Até porque eles já têm “relevo” suficiente, pois são os mehtores de quase tudo o que era formação até agora. E a partir daqui vem a clique dos “embaixadores” dos tiques, que vai ser outra coisa belíssima de se ver.

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  3. “(será altura de lembrar que há 6 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço apagado da carreira, que causou danos “irremediáveis” e marcou várias “gerações” de professores, que agora deveriam cobrir os deputados porfírios e os comentadores situacionisttavares e baldaias as com toda a vergonha que lhes falta?)”

    Ladrões de tempo de serviço?
    Não roubam uma vez, nem duas, nem dez…
    Roubam durante toda a vida ao pobres desgraçados. Até se reformarem e depois de se reformarem… até morrerem.
    Ladrões refinados!
    Todos sabemos quem foram e onde estão.

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  4. Que o Costa e a sua pandilha sejam mentirosos já não me espanta, pois não é novidade para ninguém.

    No entanto, já no que diz respeito à CS, que anda toda indignada porque a procuradora mandou investigar um par de jornalistas sem sustento legar, nunca cesso de me espantar por se tratar de um grupo de freteiros e vendidos, sempre prontos a sustentar o que o poder político lhes sopra.

    Por último, gostava de saber o que pensam os nossos colegas adeptos de toda a trampa que emana de Lisboa sobre tudo isto. Em rigor, creio que ninguém pensa nada, pois ainda não foram suficientemente instruídos por quem de torto.

    PS. Desde há uns meses para cá, a Porto Editora não pára de me sobressaltar, enviando-me as trombas da Ariana Cosme, relativas a umas deformações. É sempre com prazer que envio a Cosme para o lixo.

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    1. Rádio Club de Traseiras – últimas notícias : ” … a DGS acaba de informar que a dona Cosme faz parte de um novo grupo “prioritário” p`rá apanha d`azeitona , perdão, p`rá apanha da vacina, passando a perna ao PR”.

      O locutor acrescentou : “o seu serviço é, muito justamente, considerado “essencial”. Essencial para dar cabo do ensino em Portugal ” .

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  5. Para o Rififi –

    Escola Pública? Acho estranho. Por mim, um atestado médico geral, que ateste essa incapacidade, serve para o ano lectivo. Depois, se afecta dias de testes de avaliação, e se a falta está justificada pelo atestado e duplamente, pelo Encarregado de Educação, deverá ser dada uma nova oportunidade ao aluno. Além disso não são apenas os testes que servem para instrumentos de avaliação. E não me parece que esse problema esteja a aparecer em todas as disciplinas. Deve ser num e outra, se tanto. Por isso, pode e deve consultar os instrumentos de avaliação que os colegas professores usam para a avaliação, que percentagem dão ao mesmo e negociar com eles, via DT, que seja dada prioridade a uma apresentação oral, ou trabalho de investigação. Falta saber também se se trata de ensino básico ou se secundário. Se é no Secundário, percebo melhor que haja pruridos. Os professores são pressionados pelo MED e pelos pais para prepararem os meninos para os exames e os testes são essa prova e esse treino. E se é o caso, é uma forma de se defenderam de recursos a notas pois , legitimamente , quando se entra nas escolas VIPs que preparam alunos para Medicina e afins, uma décima final faz diferença na avaliação interna. E se o seu filho estiver sempre e fazer outros testes noutros dias… será visto como favorecido. Tudo depende do que o atestado médico diga e um atestado nunca é posto em causa. Contudo, aviso-o: não pode querer que não haja discrepâncias entre notas do filho e dos colegas, e, esperar que haja compreensão. A verdade é que no secundário espera-se que o aluno tenha já maturidade para compensar os dias maus com dias bons. Ou seja, que não haja grande variação nas avaliações. Do que sei da minha experiência, a história que aqui relata é mais complexa, e devo ter acertado no nervo… E não, não há foruns, pois isso é resolúvel em minutos em qualquer escola. Algo mais haverá para haver essa desconfiança. E pode sempre, e deve, expor o caso ao Director da escola.

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    1. Secundário. “Os professores são pressionados pelo MED”…“.. exames e testes”, etc,. Pois. Isso tudo. E não, não há mais nada para haver a desconfiança. Puto em casa, dor de cabeça, teste, atestadozinho, porque é teste (nos outros dias, não), passado, aceite, mas alertas para que não se repita, sobrolhos carregados, etc, desconfiança. Constrangedor e stressante. Fora isso, tudo bem. Julgo que não estariamos a ter esta conversa, se em vez de forte enxaqueca, o puto tivesse uma doença com sintomas mensuráveis em graus, por exemplo, medidos diretamente pelo médico.

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