4ª Feira – Dia 6 Do Pseudo-Confinamento (Mas Agora A Sério), Dia 1 Dos Testes Antigénio

O matemático Henrique Oliveira, um dos que previu (há mais de um mês) o que se está a passar, até de forma conservadora em termos de número de mortes, também referiu na altura que a aplicação dos testes rápidos pode levar a uma falsa sensação de esperança ou confiança. Não é que não sejam úteis, apenas devem ser considerados com a devida prudência e a informação sobre o que significam. Mas o problema maior é que não há mesmo meios (humanos e mesmo de espaços apropriados) para os aplicar de forma mitigada, quanto mais generalizada nas escolas dos concelhos com maior perigo de contágio. Certamente existirão as reportagens televisivas a comprovar a sua aplicação em 2 ou 3 pontos do país e certamente teremos 0,01% da população testada para efeitos mediáticos para transmitir a ideia de que se está algo a fazer, que “vai tudo ficar bem nas escolas” e que elas são “espaços seguros” e de “contágio zero”. As coisas não estão piores porque nas escolas, pessoal docente e não docente tenta fazer o melhor e eu nem quero pensar o que seria se a coisa ficasse entregue a tiaguinhos e ao seu pensamento mágico.

É muito triste perceber-se como políticos de postigo falsearam para a opinião pública as informações prestadas pela quase totalidade dos especialistas (houve um desalinhado que deu muito jeito), que são bem claros, de novo, nas suas previsões. Perdemos tempo, o que implicou a perda de vidas, sendo que agora soa a falso tanto apelo (embora a ministra da Saúde pareça ter sido trucidada em tudo isto por vultos como o actual e impante ministro da Economia) em tons dramáticos. Houve muitas falhas de “percepção”, mas foi porque esta malta depois de uns anos de rabo aquecido passam a ter do “povo” uma imagem difusa e filtrada por estudos encomendados a amigos. Mas, principalmente, houve falhas graves de acção, porque se preferiu ir adiando tudo o que parecia poder empurrar-se com a barriga. E que não venha agora o secretário de Estado da Educação dizer que há miúdos que só comem se as escolas tiverem abertas (algo que não é raro pelas minhas bandas). Mas se assim é, é porque a governação da geringonça, sempre a bater no peito com uma alegada defesa dos “mais desfavorecidos” falhou em toda a escala.

17 opiniões sobre “4ª Feira – Dia 6 Do Pseudo-Confinamento (Mas Agora A Sério), Dia 1 Dos Testes Antigénio

  1. Já preenchi o formulário. Assim que acabarem de testar os futebolistas, estou certo de que virão para cá. Espero que os testes da classe docente não dêem mais positivas do que os das classes discente e futebolística, porque isso seria um atestado de mau comportamento cívico.
    Entretanto já há pais a tirar os miúdos das aulas mas a direcção meteu-os na ordem dizendo que não é legalmente possível justificar essas faltas. A solução é ir para a greve. Mas levanta-se uma questão: estando em greve poderemos fazer o teste?
    A propósito de testes, já se fala em recalendarização do ano lectivo presente e legislação implementando regime de excepção para o acesso ao ensino superior. Só espero que a ideia não seja aumentar em vez de recalendarizar. Por este andar nem se plantam batatas nem se faz a vindima. Eu não me importo de interromper a vindima para vir fazer a vacina à escola.

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  2. Paulo, desta vez não posso concordar consigo. Atenção que não sou do partido do poder, nem de qualquer outro partido!
    Agora até greve querem fazer! O último confinamento foi um inferno para pais alunos e sobretudo para os professores. Não vi ninguém na minha escola que tivesse tido uma atitude positiva por ter ficado em casa. Os pais queixaram-se os miúdos estavam mortinhos para voltar à escola e nós levámos o tempo a queixarmo-nos do trabalho extra, das horas infindáveis em frente ao computador, a usar a nossa luz a nossa internet e o nosso computador! é uma vergonha o que se está a passar, com médicos e comentadores a massacrarem o governo, com os partidos políticos a não quererem saber dos miúdos, só lhes interessa atacar o governo. Quando as coisas acalmarem e o país estiver novamente na penúria, logo vêem quem paga a fatura, os de sempre, os funcionários públicos, os privilegiados dos professores, médicos, enfermeiros e técnicos superiores, que ganham muito e são uns sortudos porque não foram despedidos.
    Vão mas é trabalhar e deixem-se de envenenar a opinião pública. Como disse Santana Castilho, todos os anos por esta altura os hospitais entram em colapso, e o covid só apareceu este ano.
    Abram os olhos!!
    Disse!

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    1. Essas serão concerteza consequências com as quais voltaremos a ter de lidar. E a sua linha de pensamento poderia, por assim dizer, considerar-se um começo de argumentação. No entanto, para se poder discutir o assunto nesses termos, seria necessário que declarasse previamente qual é o limite do número de óbitos diário que está disposto a aceitar. E sinceramente, até ao momento não encontrei quem aceitasse as contrapartidas para assumir a sua posição: fechar as fronteiras das freguesias ou aceitar todos os mortos que vierem a acontecer como danos colaterais inevitáveis. Haveria outras soluções se tivéssemos a capacidade de funcionar de outra maneira.
      Ainda hoje foi esvaziado um bairro de Xangai onde apareceram três casos.

      https://www.france24.com/en/live-news/20210121-shanghai-neighbourhood-evacuated-after-three-virus-cases

      Aqui demoraríamos 6 meses a evacuar um quarteirão e os primeiros 5 destinavam-se a determinar qual o quarteirão que era preciso evacuar. E se não conseguem suprir a falta de recursos para alimentar as crianças quando fecham as escolas, podemos desde já começar a rezar, porque na próxima catástrofe natural a população vai morrer toda à fome.
      Se me garantir que aqui conseguem pelo menos fazer o rastreio dos casos que andam à solta, aceito discutir a solução nos seus termos.
      De resto, gostaria de lhe lembrar, que gente suficientemente idosa sabe o que é estar dois anos com interrupções constantes no funcionamento das escolas. Quer seja por revoluções e por desorganizações subsequentes, quer seja pela introdução de um ano suplementar no percurso educativo dos cursos secundários.
      Sabe qual é o argumento que me apetece responder cada vez que me vêm com esse tipo de argumentos? O de que o encerramento das escolas proporcionará pelo menos a possibilidade de desintoxicação a uma série de adolescentes com comportamentos de risco!

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