6ª Feira – Dia 1 Do Re-Re-Confinamento

Há pessoas para todos os formatos e feitios. Umas gostam de tirar o adesivo devagarinho, para doer menos, mas durante mais tempo e as que gostam de tirar de repente, por muito que doa naquele instante. Nas aulas, há sempre aquel@ alun@ que decide desembrulhar um rebuçado com prata farfalhante, debaixo da mesa, como se o míope professor ouvisse com os olhos. Qualquer alun@ que me conheça sabe que, mais tarde ou cedo eu acabo a pedir encarecidamente para “descascar” a coisa à vista de todos e depressa, em vez de prolongar o martírio do resmalhar.

O mesmo com isto da pandemia. É para fazer faz-se ou não se faz. Se estão em cima, não é que tenha de ser “para Angola, rapidamente e em força”, mas por amor de todas santinhas, não fiquem a pensar demasiado se afinal, sim, não, talvez, quiçá. Em especial quando isso não se deve a dúvidas sobre o que existe, mas a cálculos acerca do bem ou mal que poderá parecer.

Isto vem a propósito do “cansaço da pandemia” que vem muito à conversa de pessoas que tentam explicar o que não passa de estupidez ou imbecilidade pessoal. E eu sei que ando a usar muito estes termos e nem é que os aprecie especialmente. Só que mesmo depois dos números dramáticos destas semanas, há quem prefira optar pelo chico-espertismo tuga, seja de trela com cão imaginário, seja desenterrando o fato de treino da última caminhada para justificar passeio sem máscara. Ontem, no trajecto de uns 50 metros entre o carro e o portão da escola cruzei-me com 3 criaturas, um casal a parecer um pouco mais velhos do que eu e um solitário, que tinham em comum uma farpela “desportiva”. O casal falava alegremente entre si de máscaras no queixo; o solitário passou pelo portão da escola e subia a rampa sem sinal sequer de máscara por perto, mas com telemóvel na mão, lutando com os fones que iam não estavam nos orelhames. O que eu aproveitei para o olhar e dirigir-lhe uma frase curta, sem palavrões (que só recentemente me passaram a surgie à ponta dos dedos, mas que lhe transmitiu tudo o que pensava daquela atitude, naquele lugar. Teve o decoro de baixar a cabeça e não me responder.

Só que a coisa não é localizada. Hoje, enquanto ia à papelaria para comprar o Público e o volume desta quinzena da bd Rio, lá me cruzei com um punhado de pessoas, só uma delas com máscara. Justificação? Não faço ideia, desta vez nem sequer lhes disse nada, pois ia no carro (calma, o trajecto foi curto e fui motorizado exactamente para não ter a oportunidade de me irritar). Apenas percebo que esta malta anda muito “cansada da pandemia”. Às vezes penso se preferirão o repouso eterno. Dos outros, claro, que eles são santos.

7 thoughts on “6ª Feira – Dia 1 Do Re-Re-Confinamento

  1. Confinamentos

    A ferocidade da pandemia não poupa nada nem ninguém – incluindo a paróquia de Traseiras que vê o seu PIB cair nas agruras do inferno.
    O cura, coitado, anda aflito: “ ( …) meu Deus! Como se não bastasse a vaga de ateísmo que fustiga tantas almas traseirenses, a inesperada imposição legal de “numerus clausus” na missa de domingo teve como consequência directa a drástica redução do montante das esmolas, e agora estas não chegam sequer para “meia-missa “ das despesas “.
    Com a habitual e conhecida bonomia, o Nora ( ex-seminarista) ouve as lamúrias do bondoso reverendo e, sensível à penitência do sobressalto financeiro mas não menos à saúde do indiginato, num registo conciliador prescreve-lhe – por junto – três santos remédios : “ sr. cura, encerre por quinze dias a igreja – deixe os santos repousarem em quarentena e passe a transmitir a missa dominical através do Rádio Club Traseirense, ou seja, em rádio-trabalho; para aliviar o paroquial passivo, peça ao senhor Bispo da diocese uma compensação de 20% a fundo perdido; até as ovelhas voltarem ao redil, coloque o sacristão em lay-off. Se assim proceder, lançará uma reconfortante bênção às contas da paróquia, e à saúde dos fiéis também “.

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  2. Vai com toda a certeza ser vítima de uma outra forma de cansaço. Isso de ser “grilo falante”, mesmo ocasional, de tugas em fato de treino é uma tarefa fatigante e, não quero soar desanimado, condenada ao fracasso.

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  3. Guinote, a rua é o sítio mais seguro. Aliás os parques deveriam estar sem limitações. Os aerossóis dispersam com a brisa, a possibilidade de transmissão na rua é apenas teórica. … Aliás se olhares para a LEI só prevê máscara na rua caso não consigas manter os dois metros de distancia de outros com que não coabitam. …. Esquece lá essa cena de mascara na rua quando há espaço….

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