5ª Feira – Dia 7

Já lá irei ao PM Costa e aos seus problemas de precoce alzheimer. Antes disso gostava de fazer mais um desabafo sobre a forma como uma geração de gente de escassos conhecimentos e uma superficialidade aterradora se julga no direito de amesquinhar o trabalho dos professores em todo o mais pqueno canto de desconhecimento que cultiva.

Ontem, o final do dia foi exemplificativo disso em dois momentos: o primeiro, numa formação sobre o Holocausto, fui obrigado a ouvir uma “diplomata” com idade para ser irmã mais nova de alunas minhas, a perorar sobre o modo como os professores devem ensinar esse tema, acredito que com boas intenções, mas com uma ignorância atroz sobre as práticas docentes e até sobre o próprio assunto, a acreditar pelas leituras que apresentou e citou. E o que mais custou foi ver gente ali a dizer que tudo estava a ser muito bom e estimulante e assim é que é, que a Escola isto, os professores aquilo, como se alguma coisa do que ali estava a ser dito fosse uma novidade imensa. A sério que me chocou porque, mesmo tendo passado a maioria dos últimos 30 anos no 2º ciclo, sei como os temas são abordados, pelo menos em História, por parte de quem não tirou o curso por correspondência ou na horizontal. E custa-me ver uma abordagem do mais superficial que imaginar se possa, quase nos limites do anedótico, passar por “lição” aos professores.

A segunda foi, já noite adentro, um programa no Porto Canal em que três senhoras de idade entre o jovem e o jovem adulto ou pouco mais discorriam, com ar de quem sabe, sobre como os direitos da comunidade LGBT+ são tratados nas escolas e como é difícil aos professores, por serem “velhos” e terem sido “educados na tradição judaico-cristã”, abordarem tal temática. E diziam isso com um ar de presunção e água benta que daria para baptizar toda a comunidade LGBT+ de São Francisco. Não quero colocar em causa as experiências que tiveram (não percebi se alguma delas era da comunidade ou se era apenas simpatizante ou activista externa), mas gostaria muito que as não generalizassem porque, por acaso, cá em casa a experiência que um casal de professores “velhos”, ela criada na tal tradição judaico-cristã e ele (eu!) criado na tradição comuno-cristã da margem sul, é completamente contrária, pois há alunos que só n@s professor@s encontram a possibilidade de partilhar as suas dúvidas e intgerrogações, sem o receio de serem anatemizados ou levantarem uma tempestade familiar. Ainda se as ditas meninas, senhoras, whatever, tivessem um olhar que fosse além dos chavões sobre o tema, poderia tentar ouvi-las sem me entediar, mas, infelizmente, pareciam saída da jota do Bloco e de um debate de finalistas do 1º ciclos de estudo bolonhês da Faculdade, tamanha a pobreza fransciscana do diálogo. MAs, claro, os professores é que são o problema. Sempre.

6 thoughts on “5ª Feira – Dia 7

  1. Paulo, identifico-me com tudo o que diz.

    Ultimamente, sempre que faço “formações” sinto-me, a modos que, “deformatado”. Por outras palavras, sinto uma enorme vergonha alheia… E só encontro uma explicação. As gerações que estão nos 50 e 60 forem muito bem instruídos/educados/formados. Tudo o que veio depois foi criado nas flexibilidades, nas áreas de projeto, na educação sexual, nas cidadanias e afins e revela lacunas atrozes nas áreas científicas. Se reparar bem, já nem se fala em “didáctica”, que virou palavrão feio…

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  2. Manuel e Paulo Guinote

    De acordo.
    E não haverá (haveria) alguém na plateia que , educadamente, confrontasse essas criaturas de Deus com a sua enorme ignorância e efeito Dunning-Kruger escandalosamente alardeados?
    E , de seguida – também educadamente – “pedir” licença para sair da sala ? As ditas criaturas entenderiam, por muito básicas que fossem. Servir-lhes-ia de emenda. ..

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    1. Maria, simpatizo com o que dizes. Discordo do que pensas que ocorreria se alguém o dissesse. Em vez de ‘As ditas criaturas entenderiam, por muito básicas que fossem. Servir-lhes-ia de emenda. ..’; era provável que 4 ou 5 criaturas se mostrassem chocadérrimas e sorrissem perante tamanha ignorância.
      A verdade é que, se não houver alguma alteração nas mentes e sensibilidades que conheço, desconfio que os nossos colegas mais novos se vão morder até ao osso uns aos outros quando (se algum dia) arrumarmos as botas… É o que há.

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      1. Caro Raposo Tavares

        A propósito do “puxão de orelhas” que insinuei : há anos, na FIL , e perante uma bem composta plateia de professores, um SE ( Válter de sua graça), à sua maneira decidiu perorar acerca do candente tema da época – ADD.

        Em determinado momento, quando já “não podiam mais”, os docentes responderam a uma “daquelas” notáveis tiradas não com uma salva de palmas mas com uma uníssona e sonora … gargalhada. Alguns retiraram-se e foram espreitar o Cristo-Rei . Remédio santo.
        Para qualquer orador , o feedback da plateia é muito importante – e cada um terá o que merece.

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  3. Maria e Raposo, “as ditas criaturas” não entenderiam. Esta ‘tribo’ é mesmo limitada… Acham-se o máximo e não se enxergam. Os ‘outros’ (nós) (tal como o Paulo Guinote já relatou tão bem por aqui) é que estão desatualizados e, qual velhos do Restelo, são inflexíveis…

    Acho que já nos venceram pelo cansaço… Nem vale a pena dizer nada. Encolhe-se os ombros… É triste, mas é verdade.

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