4ª Feira – Dia 13

A desresponsabilização com verniz de rigor está em roda livre e não é apenas com as vacinas e os inquéritos do Ministério Público que acabarão, nesta ou aquela instância, por ser arquivados, se é que chegam a alguma. Demite-se uma responsável do SEF por más práticas no seu turno e é colocada em grupo de trabalho para fazer uma coisa qualquer, que parecia uma, mas agora já dizem que é outra. Na Holanda (que tem uns políticos com que justamente nos abespinhámos por confundirem a nossa vida com aquilo que lhes oferecem quando nos visitam), houve quem se demitisse por causa de receber um abono de família indevido. Cá, a confusão instalada no ministério do barreirense Cabrita alastra por todos os lados (e já vem bem de trás), mas o homem é inamovível. Com sorte, ainda o trocam pela sua cara-metade, a bem das obras em casa.

Na Educação, o ME fez constar ontem à comunicação social que “enviou orientações às escolas”, quando se limitou a um mail que repete praticamente tudo o que tinha sido já enviado em Março-Abril, achando que é grande trabalho colocar num site uma série de links para programas, plataformas e sugestões diversas, sem um esforço de coerência. “Orientações”? Ou atirar as responsabilidades para a “autonomia”, só assumindo algo mais concreto em suportes não duradouros, que não fiquem para escrutínio público, presente ou futuro? O resultado é, por muito boas intenções que alguns tenham (outros, nem isso), uma manta de retalhos pelo país que apenas replica o ensino presencial nos horários não-presenciais, seja como espelho “perfeito”, seja como uma espécie de fotocópia reduzida no tempo para o Ensino Básico. Falam muito em “mudança de paradigma” e em “escola para o século XXI” mas, quando apertados, percebe-se que é só conversa fiada e que ou não sabem mesmo do que falam, ou preferem falhar a “oportunidade” que tanto gostam de empurrar para os outros. Continuaremos com um modelo de “ensino remoto de emergência” porque desde Março as prioridades foram outras: criar um esquema de “formação” que alimenta uma estrutura clientelar a partir da formação de formadores, fingir que se equipam as escolas com material de fraquíssima qualidade (há os que avariaram ainda antes do início das aulas não-presenciais, embora acredite que em parte por inépcia dos utilizadores), preferir encher a opinião pública com a “recuperação das aprendizagens” do que apostar numa formação efectiva dos alunos em literacia digital para efeitos educativos. Insistir em que tudo deve ser feito o mais parecido com o “normal” que antes diziam não servir.

Claro que nada disto será devidamente reconhecido, embora esteja bem à vista – por muito que enviem esquadrões de araras para as redes sociais replicar o discurso do “temos de estar todos unidos” e “eu preocupo-me é com os alunos” – a impreparação desta malta para mais do que conversas em família, visitas a amig@s e promoção de epifenómenos em forma de puf colorido. A realidade foi um muro contra o qual chocaram com força, mas dirão sempre que é falso e tudo o que correu mal foi por culpa das “escolas” (e os directores não terão coragem de o negar de modo firme), que os professores precisam de formação (e o senhor da confap, enquanto não abre vaga no novo poiso, qual albino, confirmará) e que há os equipamentos necessários para fazer tudo (e agora que serviu para promover o seu fundador, a anvpc nem sequer se lembra que os professores contratados serão dos mais penalizados em termos materiais com o incumprimento da promessas do governo e está caladinha quanto a isto, pois espera outro tipo de compensação).

A minha esperança é que possamos regressar em segurança o mais rapidamente possível ao ensino presencial, porque estou farto de encenações para prosador amigo reproduzir, incumprimentos variados de quase tudo o que foi promessa, mentiras descaradas quando acham não existir outro remédio. E tudo vai passar em claro, porque é essa a nossa “cultura política”. E o coro de araras aplaudirá em êxtase, em especial se lhes prometerem uma vacina.

E quem ousa criticar #SóCriaProblemas.

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