3ª Feira – Dia 16

Até parece que estava a adivinhar esta carta, de mais (!) de duas centenas de notáveis, nos quais se incluem o presidente da Confap (que continuo sem perceber se ainda é encarregado de educação), o inefável Daniel Oliveira, a excelentíssima doutora Cosme e até um par de professoras não-superiores e uma directora escolar.

Por mim regressaria já amanhã, se não achasse que isso seria um disparate imenso em termos de saúde pública. Não porque as escolas sejam focos de contágio, até porque nesse aspecto particular a preparação foi feita com bastante cuidado. Porque foi feita localmente e não encomendada tardiamente pela 24 de Julho. As escolas não são aquele estranho oásis de “contágio zero” no meio do caos pandémico, onde flutuam “bolhas” estanques, mas são locais razoavelmente seguros. O problema não é esse e já deveria estar interiorizado o que está em causa.

25 thoughts on “3ª Feira – Dia 16

  1. Li a lista de alto a baixo e não vejo porque se dá tanto tempo de antena à coisa. E alembra-me de fazer esta pergunta singela: já há vacinados em número suficiente para suportar o desconfinamento acelerado? Não? Então o que mudou?
    Toda a gente quer um plano. Mas ninguém sabe como fazê-lo. Talvez começar por contratar quem saiba.

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    1. Muitos dos signatários dessa carta estiveram até à última hora a defender a continuação do funcionamento presencial das escolas. Como a certa altura a coisa deixou de ser socialmente sustentável, baixaram um bocadinho o volume durante uns dias.Agora que se noticia alegremente que temos o RT mais baixo da Península Ibérica e arredores, voltaram à carga.
      Curiosamente, esquecem que não basta baixar as infeções. É necessário também baixar e muito o número de internados, que continua muitíssimo alto, de maneira a poder também tratar dos pessoal não COVID, por quem tantos choram mas de quem todos se esquecem no momento de exigir o regresso à normalidade.

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  2. O que seria interessante era se eles assinassem sim uma declaração de responsabilidade prescindindo do seu direito a serem tratados no SNS e assumindo os custos por inteiro do tratamento de quaisquer pessoas que tivessem sido identificadas como contactos de primeiro grau dos signatários caso estes apareçam infectados.

    Há de facto cada vez mais motivos para estarmos preocupados com a saúde mental dos portugueses e com o desperdício de gerações. Podemos duvidar que o vírus tenha grande responsabilidades nesse descalabro.

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  3. Achei piada que entre os “notáveis “ esteja uma diretora escolar. Cargo (diretor) que, tal como o de adjunto, foi recuperado, para quem se recorda, do período fascista.
    É o regime em vivem as escolas.

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  4. No que diz respeito à saúde, não tenho conhecimentos suficientes para contestar.
    No que diz respeito ao ponto 10 da carta, aí já tenho. São precisamente estas desigualdades sociais que têm de ser resolvidas para que, assim, a educação tenha o seu papel relevante no desenvolvimento do país. Não será o confinamento ou desconfinamento que irá colocar-nos ao nível dos países desenvolvidos. Comecem pela base da pirâmide para haver suporte para o seu topo.

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    1. Ora aí está o raciocínio válido, único e simples que urge difundir.
      É tão triste ouvir falar que a escola precisa de estar aberta para,
      As crianças não levarem na cara pelos pais (aumento da violência domésticas),
      As crianças terem uma oportunidade diária de tomar uma refeição quente,
      As crianças estarem vigiadas e não andarem por aí a fazer asneiras,
      Uma vergonha!

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  5. Coisas que tornam a perplexidade como o novo normal

    Antigamente a internet era apresentada como meio de democratizar o acesso à informação. Hoje em dia, ouve-se com mais frequência falar na internet como fator de promoção de desigualdades.

    Outrora uma pessoa informava-se e formava-se antes de dar a sua opinião sobre um dado assunto. Agora podemos verificar que toda a gente dá uma opinião e em seguida escusa-se a apontar soluções para os problemas, com a justificação de não estar na posse de dados que permitam fazê-lo de forma pertinente. Os dados prestam-se realmente a muitos jogos.

    Todos os dias ouvimos queixas de pessoas que dizem que é insuportável continuar a manter o confinamento porque a situação económica está de tanga. No entanto asseguram-nos que, uma vez terminado o confinamento, a economia será relançada. Se o confinamento é bom para a poupança e o pessoal está cheio de dinheiro para desatar a gastar assim que voltar para as ruas, não devíamos, ao invés, perpétua-lo? Era a melhor maneira de resolvermos o problema da dívida pública! Se abrirmos as portas, a malta recomeça a esbanjar em bens importados e caros. Além disso a inflação diminui com o confinamento. Vejam como até o preço dos computadores apresentado pelo ME baixou.

    Atualmente são muitos defensores de que o Homem está alterar o clima e a destruir o seu habitat. A História retrata a humanidade como uma espécie especialmente adaptável às constantes alterações do seu habitat. Pelos vistos não foi apenas o clima que mudou. Mudou também a espécie e ninguém questiona se esta alteração lhe permitirá continuar a existir.

    Psicólogos e psiquiatras alertam para o facto de um terço das pessoas sofrer de problemas mentais em Portugal. Solicitam que se contratem profissionais de saúde nesta área para atender ao problema. Pedem que se escutem este profissionais na elaboração dos planos para o desconfinamento. Mas não será possível que um terço das opiniões esteja enviesado pelo problema apontado? Pode acontecer que um terço do plano seja inclinado?

    Pelos vistos é a escola que providencia uma casa, adequada alimentação, boa saúde física, estabilidade na saúde mental, formação para ter um emprego no futuro, bem estar social e possibilidade de ascensão social, para além da garantia de uma cidadania saudável e de uma democracia perene. Fechando a escola, tudo isso desaparece para uma geração inteira, mais coisa menos coisa. Pelos vistos, para gerir este grande empreendimento nacional, qualquer currículo serve.

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  6. E já repararam que estão apressados porque vivem das escolas, do apontar as culpas de tudo que corre mal aos professores…lobbys de gente que orbita em torno da escola sem de facto fazer o que é suposto fazer-se nas escolas: ensinar alunos! Psicólogos, terapeutas, nutricionistas, diretores…
    Arianita, ex. prof. ens. básico, agora prof. dr. nas psicologias que se fartou de vender livros e formações à conta de uma encomenda do Tiaguito para flexibilizar e humilhar ainda mais os professores dizendo que os de hoje ensinam como se ensinava há 200 anos(devia estar a pensar nela própria!)
    Outros também assinam porque não aparecem nos holofotes se não abrirem as escolinhas e porque as suas vidas ficam vazias sem isso, ou pesadas porque afinal a escola que tanto odeiam até é a única que lhes atura os rebentos, ou tetrarebentos, no caso do bisavô que é pai. Outros, só porque sim e ainda não perceberam que não estamos vacinados, que imunidade de grupo só lá para (…agosto?), que plano não há, que improvisos dão maus resultados, que o civismo não é apanágio dos portugueses (seguidismo, sim), que não se reduziu o número de alunos por turma, que não houve milagre da quaresma, que estamos queimados e bem queimados na estranja que nos sustenta, que não foi só o frio e a estirpe inglesa a matar em janeiro, mas também as teimosias de costa,tiago e falta de transparência dos diretores que ajudaram à festa natalícia e pós natalícia … Não há computadores? Culpa de quem? Da capacidade organizativa, da boa fé e do profissionalismo milagreiro das cúpulas que mandam nos rebanhos mansos e líricos de sorridentes sás e betinhos de dicção lânguida e smílica(: que querem estar de bem com todos.
    Abrir todos queremos, mas ninguém quer morrer!
    Venha lá uma bazuca de bicicletas!

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  7. Verdades nuas, cruas e tristes

    Antes do covid, muitos pais raramente estavam com os filhos… Os filhos estavam com os amigos, os avós, as criadas, etc, etc.
    Durante o covid, muitos pais perceberam, sem o confessar, que (sem os avós e as criadas) não suportam estar com os filhos…
    Muitos pais fazem tudo para não estar com os filhos…
    Muitos pais querem que “os outros” (professores, educadores, explicadores, assistentes operacionais) lhes aturem os filhos.

    Muitos signatários que andam por estes dias a bradar aos céus para que as escolas abram são esses pais.

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  8. E o mais grave é que quem tem a obrigação de mostrar a realidade escolar e a vida nas escolas no meio da pandemia não o faz. Pactua sempre com o sacrossanto ministério!
    Isto é C****!
    Para quando um abaixo assinado para mudar o sistema de gestão escolar? Há quem nunca tenha feito outra coisa senão ser diretor há mais de duas décadas: reconduções, fusões e mais ões.
    Os sindicatos dormem!
    No dia 14 de Janeiro os ditos cujos diziam na televisão que se devia continuar o presencial, que nas escolas estava tudo bem, enquanto ambulâncias já faziam fila à porta dos hospitais

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  9. Para mim é um mistério que um país tão cheio de especialistas, de pais ativos, meigos e pertinentes, de cientistas e até de diretores escolares não pare de se atrasar face a toda a gente. Dir-se-ia que a gente que conta é aquela gente que faz de conta.

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    1. A mim espanta-me que, com tanto conhecimento e meiguice acumulados, também haja tanto distúrbio mental. Não estivessem o Benfica e o Porto nas ruas da amargura e não se disponibilizaria tanto cidadão para debater a educação. O que faz realmente falta é desconfinar o futebol para se recentrar o discurso da nação.

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