Tudo Como Dantes

JP Sá Couto produziu há 13 anos dezenas de milhares de computadores Magalhães, e agora volta a equipar escolas.

JP Sá Couto fornece um terço dos portáteis dos concursos já abertos para equipar as escolas públicas

2ª Feira – Dia 22

Atendendo ao atraso na publicação pelo Educare, fica aqui.

Testagem

Levei a passada semana a ouvir dizer que o desconfinamento irá começar pelas escolas, porque isso é essencial para que a economia se reanime e a sociedade retome uma certa “normalidade”. Existiram outros argumentos, mas vou deixá-los de parte, porque alguns são demasiado ridículos ou baseados em situações particulares que se querem fazer passar por “interesse geral”.

Ao mesmo tempo, pareceu-me encontrar um consenso alargado acerca da necessidade de proceder a uma testagem massiva de alunos, pessoal docente e não docente das escolas para que estas possam reabrir em segurança, não apenas para quem lá andará, mas de igual modo para as tais “bolhas” familiares que acabam por se cruzar de forma indirecta nos corredores e salas de aula.

Concordo, acho uma medida óbvia e sensata. Aliás, parece-me imprescindível agora, como me pareceu em Setembro ou em Janeiro, quando tiveram início o 1º e 2º períodos. Até porque durante o Verão se deu a conhecer publicamente que existiam centenas de milhar dos chamados “testes rápidos” disponíveis para o efeito.

Mas nada aconteceu.

Agora ficou mesmo feita uma promessa de que a testagem nas escolas iria a avançar.

Mas parece-me existir um problema logístico evidente. Se é para reiniciar aulas do pré-escolas ao 2º ciclo existem centenas de milhar de alunos e dezenas de milhar de educadores, professores e auxiliares para testar. E isso deve ser feito antes de recomeçarem as aulas presenciais e não durante. Não se podem reabrir as portas das escolas e salas e ir testando a ver no que dá. A testagem deve ser necessariamente prévia. E é aqui que eu tenho algumas dúvidas, a mesmo que o reinício seja mesmo, mas mesmo, faseado. Porque os meios humanos e técnicos para fazer perto de um milhão de testes não se ergue numa semana, mesmo entre nós, povo que de quando em vez gosta de se atribuir qualidades quase supernaturais de engenho e arte no desenrascanço.

O que fizeram outros países no contexto da reabertura das escolas? A Eslováquia, um dos países que também foi muito atingido pela segunda vaga pandémica logo em Outubro, testou em massa a sua população. A Áustria seguiu o seu exemplo. Na Alemanha, por exemplo, a testagem em massa nas escolas arrancou há três meses em algumas regiões. Em França, começou em Janeiro. A Irlanda publica semanalmente relatórios dos seus testes nas escolas.

O anúncio nacional da testagem generalizada, com promessa de governantes e tudo, não pode ser outro caso de mera propaganda como aconteceu em Abril com os meios que se iriam disponibilizar a partir de Setembro para o ensino à distância e depois veio “clarificar-se” que era desígnio para todo um mandato.

A testagem em massa é essencial para a segurança geral e não apenas de quem está nas escolas. E é muito importante para começarmos a abandonar a percepção de que há anúncios e promessas que se fazem apenas para efeitos de oportunismo político e mediático. O passado recente já demonstrou as consequências dramáticas dessa atitude.

A Nova Sociedade Tetrapartida Do Neo-Liberalismo Pós-Marxista

É apenas uma nova sugestão de nomenklatura.

  • Aristocracia da Pandemia.
  • Clero da Opinião.
  • Burguesia do Teletrabalho
  • Proletariado da Penúria.

Numa visão mais medieval, mas também mais realista, temos um esquema tripartido, em que os burgueses remediados estão ainda formalmente incluídos no povoléu do 3º Estado.

Já Era De Esperar

Pode ser o “cansaço”, mas também é o início das mensagens confusas de alguma opinião publicada e televisionada. O simpático de Cascais abre o paredão… já pode haver surf. Daqui a um par de semanas está tudo no bronze.

“O aumento da mobilidade é uma tendência crescente que se tem vindo a verificar desde o encerramento das escolas “, a 21 de Janeiro, observa o especialista em análise de dados da PSE Nuno Santos. A consultora contabiliza todo o tipo de deslocações, sejam a pé ou em transportes. E depois de um período inicial em que as saídas de casa sofreram um decréscimo significativo, precisamente por causa do fecho dos estabelecimentos de ensino, os portugueses estão não só a voltar à rua como a fazê-lo mais vezes e por períodos de tempo mais prolongados, porque começaram a arriscar ir para mais longe.

No primeiro sábado após o fecho das escolas houve três milhões de portugueses na rua. É o dia da semana que as pessoas aproveitam para fazer compras, e que por isso sempre registou, mesmo antes da pandemia, mais movimento que os domingos, muito embora fique muito aquém do perfil dos dias de semana.