Fica Para Amanhã

A parte III do Index. Ainda comecei, ainda fiz por ali uns parágrafos, mas a disposição tinha ainda duas partes de amargura legítima para cada uma de sarcasmo natural. E a verdade é que o início do século XIX tem umas letras um bocado chatas, que eu nunca fui muito de Garrett e quanto ao Herculano, tirando a parte do nascimento da nossa Historiografia a sério, sempre preferi o Walter Scott.

Em Defesa da História e da Memória Histórica – Jorge Santos

…e outras opiniões pessoais!

Este modesto artigo, visa abrir debates em torno do seu título, em função do tempo disponível de cada um, das prioridades e do (in)cómodo para os pensadores que realmente queiram reequacionar certezas efémeras ou ver só a ponta do iceberg.

Tenho para mim a ideia clara que quando nascemos, não somos uma folha em branco. Transportarmos genes, grupos sanguíneos, cores de olhos, cabelos e padrões de comportamento… herdados dos nossos pais, avós, bisavós, etc. Como disse o Sr. Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, “Não há portugueses puros” em termos étnicos.

Tenho também a ideia metafórica que a (nossa) História acompanha-nos sempre, tal como a nossa sombra, quer quando caminhamos em direção ao sol, ou quando caminhamos em sentido oposto. Nunca nos abandona!

Tem havido um certo alheamento, desvalorização e relativização da História e do saber científico que mentes brilhantes produziram, quando no seu labor exaustivo e hercúleo, folhearam milhares de páginas, investiram anos ou várias décadas de estudo, entrevistando centenas ou milhares de protagonistas e testemunhas oculares, cruzando declarações, afirmações, com fotografias, filmes e marcadas deixadas na pele, nos ossos, sangue e no cérebro. A imagem vale por mil palavras (nos tribunais é ouro e na medicina ajuda a diagnosticar e prognosticar males e terapêuticas). Podiam citar-se inúmeros exemplos e noutras ciências ou áreas do saber. Na História (des)monta e (des)constrói narrativas e opiniões mal fundamentadas ou enviesadas. Para o historiador rigoroso, objetivo, neutral, independente, ouve todos (da esquerda, do centro, da direita), apura tudo, consulta as fontes primárias, o tal “documento é monumento” como Jacques Le Golff dizia. Uma vez tocadas e lidas as “fontes”, o historiador submete-as ao crivo do método científico-histórico e publica o seu trabalho, com centenas ou milhares de documentos probatórios do que pretende defender e… contra factos e números, não há argumentos. Milhares de provas seriamente reunidas e corretamente identificadas e referenciadas, não podem ser levianamente questionadas! É essa a grande vantagem e contributo da História e do Saber Histórico, alavancada pelo enorme contributo da Escola dos Annales, quando indelevelmente apela a uma abordagem nova inter ou multidisciplinar da História. A Psicologia, a Sociologia, a Economia, a Antropologia, a Ciência Política, a Demografia, a Religião, a Neurociência, a Neuroimagem, as TIC, cada uma destas áreas, veio auxiliar e reforçar o valor da História.

Reparem ilustres leitoras e leitores, que desde a zona do Crescente Fértil, os berços da nossa civilização ocidental, com matrizes identitárias judaico-cristãs e greco-romanas (e levemente islâmicas), a essência do Homem, pouco mudou. Em termos de avanços tecnológicos, sabemos daqui a pouco mais de Marte e dos exoplanetas do que do nosso “próximo”. O sábio José Saramago, disse em 1998: “Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante”.

Muito antes deles, outros vultos maiores do pensamento mundial escreveram no papel e na pedra, o que passo a citar:

“A vida começa verdadeiramente com a memória”. (Milton Hatoum)

“Se queres prever o futuro, estuda o passado.” (Confúcio)

“A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro”. (Miguel Cervantes)

“Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.  (Edmund Burke)

“Eu conquistei a Europa pela espada, os que vierem depois de mim, conquistarão pelo espírito.” (Napoleão)

– “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada”. (Bismark)

“História é passado e presente; um e outro inseparáveis.” (Fernand Braudel)

“Se você não conhece a História, não conhece nada. Você é uma folha que não sabe que é parte de uma árvore.” (Michael Crichton)

Hoje, dia em que escrevo este modesto artigo, o Instituto Sueco V-Dem, na Universidade de Gotemburgo, denúncia que a “Democracia global retrocedeu para níveis de há 30 anos e denuncia uma aceleração das tendências autocráticas”. Deveras preocupante!

– No passado e no presente cometemos erros. Expulsamos os judeus! Não estabelecemos relações ainda mais estreitas, sólidas e verdadeiramente irmãs, com o Brasil, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Santo Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Goa, Macau, Timor, etc. Muito já foi feito, mas ainda está muito por fazer!

Ainda não soubemos captar o contributo dos povos acima mencionados, assim como não soubemos estabelecer parcerias ou colaborações mais estreitas com a Rússia (já que alguns europeus não tem tratado bem os russos e descurados os grandes cientistas, escritores, matemáticos e artistas nascidos na Rússia, Ucrânia, e noutras repúblicas da ex-URSS). Nós queremos trabalhar com eles, em prol da ciência, da tecnologia e por um mundo mais “sustentável”! Queremos trabalhar com a Índia, o Iraque, o Irão, a Arábia, o Dubai, os Emirados Árabes Unidos, com a Austrália, com a Suíça, o Canadá, o Japão (fomos os primeiros europeus a chegar a esse país pelo qual nutrimos enorme estima), a China (ligações desde o século XVI) e manter as ligações umbilicais à União Europeia e à Inglaterra. A propósito, fiquei muito triste com a saída do Reino Unido da União Europeia. Espero que um dia, regresse novamente à União Europeia. Não concebo uma União Europeia sem o Reino Unido!

Com os Estados Unidos, a nossa ligação é fidagal, coronária e cerebral, pois fomos o 1º país do mundo a reconhecer a Independência dos EUA.

É meu desejo deixar uma certa distopia em que vivemos e direcionamo-nos para uma utopia tipo norueguesa!

Distinções simbólicas:

– Diamante azul: para o Papa Francisco, pela viagem ao Iraque, pelas palavras e pelas ações praticadas;

– Rubi vermelho: pela ação marcante do Engenheiro António Guterres, enquanto Secretário-Geral da ONU, num mandato cheio de espinhos e entraves. Revelou uma coragem inexcedível. Orgulho-me de si!

– Esmeralda: para a jornalista da TVI24, Catarina Canelas pelo seu Excelente e Maravilhoso Documentário: “Plástico: o Novo Continente”, entronca na perfeição nas afirmações de Pitágoras (570 a.C. – 490 a.C.) quando disse: “Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.” Ainda alguém duvida da importância da História?

Jorge Santos

P.S. Espero que nos novos manuais de História venham um suplemento, com 5 ou 6 páginas, dedicados às epidemias e pandemias que assolam a Humanidade há mais de 2 500 anos. E já agora, mais outras tantas páginas, dedicadas à História da Vacinação, aos entraves, obstáculos naturais, aos Inventores e as pessoas negacionistas. Este é um filme que  já tem séculos. Não basta explicar ou retratar a crise do século XIV e a chegada da Peste Negra à Europa. Nós, os professores de História, queremos ligar e articular melhor o presente ao passado e vice-versa, para tornar a História o mais realista possível. Afinal, os médicos, os investigadores, cientistas e inventores, passam pelas nossas aulas na adolescência e talvez comecem a acreditar mais no valor incomensurável da História.

 Desculpem a não referência a países, a quem muito devemos (ex: França, Alemanha, Luxemburgo e tantos outros)! Ficará para outra oportunidade. O meu país quer contribuir com toda a gente que luta pela valorização do conhecimento, fonte de luz, do progresso, em direção a mundo mais justo, humano, solidário e mais sustentável (ecológico). A nossa “espécie” do homo sapiens sapiens, ou homo digitalis, não pode querer caminhar para a 6ª extinção em massa, ou quer?

Jorge Santos

Como?

Se para a semana volta o regime presencial no pré e 1º ciclo, a testagem “massiva” vai ser feita no fim de semana? Já sei, os testes rápidos não são a coisa mais eficaz ao cimo da Terra, mas, sempre seria qualquer coisa, mesmo se transmitem uma falsa sensação de segurança. Só que, como em tanta outra coisa, ao anúncio de que a testagem seria feita, seguiu-se muito pouco. As tabelas em excel do pessoal a ser testado seguiram na 3ª feira, mas amanhã a semana termina. Onde estão as dezenas e dezenas de equipas móveis necessárias para que a testagem não passe de retórica propagandística para consumo mediático?

De que adiantam estes anúncios que, de forma repetida, não têm correspondência na prática? Como anunciar que os professores passam para a 1ª fase da vacinação (muito bem), quando não há vacinas para cumprir a promessa em tempo razoável?

5ª Feira – Dia 32

Sendo que eu, tanto como pai e encarregado de educação, como enquanto professor, sinto um enorme défice de “representação” quando ouço ou leio as intervenções de representantes das “famílias”, das “escolas” ou dos “professores”. Eles falam, falam, mas não dizem nada em que me reconheça.