Uma Amostra Representativa?

Fica aqui a apresentação preliminar do Estudo Diagnóstico das Aprendizagens realizado pelo IAVE para avaliar os efeitos da pandemia nas aprendizagens dos alunos:

Há diversas reservas que se podem colocar à metodologia usada para avaliar as aprendizagens afectadas pela pandemia, quando se resume essa avaliação, aparentemente por comodidade, às áreas do costume, deixando de fora grande parte das disciplinas em que alunos e professores trabalharam. O que significa que, afinal o “paradigma” continua o mesmo que tanto se criticou num passado recente e se acusou, com razão ou não, de”afunilar” o currículo. Não andaram anos a criticar o Crato por achar que havia disciplinas de 1ª e outras de 2ª? Afinal, não andam a fazer o mesmo? Onde está a avaliação das Línguas, Letras e Artes? Em lado nenhum. Foi a ferramenta desenhada de acordo com os princípios do famoso “Perfil do Aluno”? Não me parece.

Outra crítica à metodologia é o facto de terem adoptado uma ferramenta de avaliação totalmente digital, automatizada para facilitar a classificação dos itens, mas muito redutora quanto à capacidade de avaliar de forma diferenciada as competências dos alunos. Ao que acresce a tipologia das questões, que neste tipo de “ambiente”, é bastante diferente das que os professores usam nas suas aulas, curiosamente (ou não), muito mais flexíveis e “abertas”.

Mas a crítica que aqui me ocupa algum tempo é a relativa à amostra usada que me parece claramente insuficiente e estratificada de forma muito deficiente, por muito que se garanta o contrário. Não entrando pelos detalhes do estatuto socio-económico dos alunos ou a natureza dos estabelecimentos (alguma coisa deverá ficar para as notáveis economistas da Educação que apareceram por aí nos últimos tempos), vou concentrar-me na distribuição geográfica dos alunos que responderam ao inquérito.

Vou colocar um quadro com a comparação entre a amostra usada e os dados globais para o país em termos de NUTS II, que é a unidade geográfica usada nesta apresentação. Os dados de referência para os cálculos globais (que nem sempre batem certo de publicação para publicação) foram obtidos aqui, aqui e aqui, faltando apenas números por ano de escolaridade para as regiões autónomas dos Açores e Madeira.

É fácil perceber que as regiões mais populosas (Norte e Lisboa e Vale do Tejo) estão grosseiramente sub-representadas com pouco mais de 30% da amostra, quando o peso real da sua população escolar no Ensino Básico é mais do dobro no contexto nacional. Em contrapartida, o Algarve e a RAM estão claramente sobre-representadas, o que provoca uma natural distorção da distribuição geográfica da amostra.

Se isso teve uma influência decisiva nos resultados obtidos? Não sabemos. Só sabemos que a amostra para ser verdadeiramente representativa e válida, não pode ter estes desvios na estratificação geográfica. E só em sonhos se pode dizer que a margem de erro das respostas (entre os 67% no 9º ano e os 76% no 6º) é de apenas 1%.

One thought on “Uma Amostra Representativa?

  1. Eu Sou Aquele que É!
    Olha para o que Eu Digo, não olhes para o que eu faço!
    Amostras, só na feira. Flexibiliza tu, escravo e acéfalo porque para pu(li) titica Estou cá Eu que Sou Aquele que É!

    Gostar

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